Yoga: ciência da união e de benefícios à saúde

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Yoga é, acima de tudo, um estilo de vida, que compreende a união ou integração entre corpo, mente, espírito e emoções, sendo também utilizada no processo de autoconhecimento.

Em colaboração com Larissa Silva Costa (*)


Yoga é uma prática milenar que teve sua origem na Índia, no Vale do Indo, e que se aproximou da cosmovisão e contextos culturais associados ao Hinduísmo, Budismo e Sikhismo, entretanto, não exige adesão a nenhuma religião específica. É, acima de tudo, um estilo de vida, que compreende a união ou integração entre corpo, mente, espírito e emoções, sendo também utilizada no processo de autoconhecimento.

No século II a.C., Patanjali sistematizou a prática em oito passos:

1) yama, as abstinências (não violência, veracidade, honestidade, não perversão do sexo, desapego);
2) niyama, as regras de vida (pureza, harmonia, serenidade, alegria, estudo);
3) ásanas, as posições do corpo;
4) pranayama, o controle da respiração;
5) pratyahara, o controle das percepções sensoriais orgânicas;
6) dharana, a concentração;
7) dhyana, a meditação;
8) samadhi, a identificação.

Desta forma, Yoga promove um olhar integral do indivíduo, uma vez que esta filosofia é baseada em princípios e valores éticos, havendo comprometimento com a não-violência, o respeito, a harmonia, e o equilíbrio consigo e com os outros. De maneira geral, inclui práticas corporais baseadas na atenção, respiração, concentração, meditação e relaxamento, de tal forma que haja estímulo ao autocuidado e autodesenvolvimento.

No que tange os exercícios físicos, a prática de yoga se caracteriza, principalmente, por estímulos suaves, contínuos, isométricos e de sustentação, que trabalha os músculos colocando um grupo muscular contra o outro, gerando forças maiores do que a própria gravidade.

Os movimentos e posturas realizados promovem o alongamento e a tonificação muscular, levando à diminuição de dores crônicas e proporcionando flexibilidade à coluna e às articulações. Há ainda melhora no condicionamento físico, na consciência corporal, na concentração, na força, na resistência e no equilíbrio.

Pesquisas científicas demonstram que a prática apresenta benefícios para o funcionamento dos sistemas respiratório, imunológico, circulatório e digestivo, auxiliando na prevenção e tratamento de doenças crônicas como, por exemplo, a hipertensão arterial crônica.

Além disso, proporciona massagem interna dos órgãos e glândulas endócrinas – secretoras de neurotransmissores e hormônios, que influenciam no estado emocional do indivíduo. Controle da ansiedade, diminuição do estresse e melhora na qualidade do sono são alguns benefícios que podem ser alcançados pela prática regular e constante.

Independência e autonomia na velhice

Especificamente para a pessoa idosa, Yoga é reconhecida por inúmeras pesquisas científicas como benéfica para manter a independência e autonomia, propiciando ganhos psíquicos e sociais, principalmente quando praticada em grupos. Vários trabalhos mostram ganhos de força, flexibilidade, equilíbrio para este segmento etário. Estes ganhos fazem com que haja diminuição de quedas, melhora do medo pós-queda e prevenção do surgimento de fraturas devido à presença de osteoporose. Ainda é recomendada para mulheres idosas com incontinência urinária.

Por ser de baixo impacto, pode ser realizada por pessoas com osteoartrose. Sua relação com o controle da pressão arterial em idosos parece estar relacionada com a diminuição do estresse e ansiedade, com diminuição de dois hormônios (cortisol e adrenalina) responsáveis pelo aumento da pressão em situações estressoras. Há ainda pesquisas com pessoas idosas que demonstram que Yoga leva à melhora da cognição, tanto pela diminuição dos hormônios relacionado ao estresse que afetam a capacidade cognitiva, quanto pelo estímulo à concentração e atenção.

Recomenda-se, entretanto, que a pessoa idosa faça uma avaliação antes do começo da prática, pois, pode ser que algumas posturas tenham que ser adaptadas.

O Yoga apresenta baixo custo para sua realização, podendo ser realizada em academias, parques, praças ou mesmo no domicílio.

Devido à crescente adesão à prática, o Yoga vem sendo estudado e reconhecido como benéfico por diferentes áreas do conhecimento e é citado pela Organização Mundial da Saúde como uma prática classificada como Medicina Tradicional/Medicina Complementar Alternativa. No Brasil, foi introduzido ao Sistema Único de Saúde (SUS) por meio da criação do programa da Academia de Saúde, já estando, atualmente, integrada ao Programa Nacional de Práticas Integrativas. É ainda encontrada em vários outros equipamentos públicos não relacionados à área da saúde, tais como os Núcleos de Convivência para Idosos (NCIs).

Referências

BARROS, Nelson Filice de et al. Yoga e promoção da saúde. Ciênc. saúde coletiva, Rio de Janeiro, v.19, n.4, p. 1305-1314, abr. 2014. Disponível em: < http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S141381232014000401305&lng=en&nrm=iso>. Acesso em 13 abr. 2021.

CINALLI, FZ et al. Influência da prática de ioga sobre o funcionamento cognitivo no envelhecimento normal. Psicol. hosp. (São Paulo) vol.6 no.2 São Paulo jun. 2008

MASSIERER, F., JUSTO, J., & TOIGO, A. (2017). Efeito da prática de ioga na qualidade de vida de idosos. Revista Brasileira De Ciências Do Envelhecimento Humano14(1). https://doi.org/10.5335/rbceh.v14i1.6120

RIO GRANDE DO SUL. Secretaria de Estado da Saúde do Rio Grande do Sul. Departamento De Ações Em Saúde Política Estadual De Práticas Integrativas e Complementares. Nota Técnica 02/2018: Yoga Na Rede de Atenção à Saúde. Rio Grande do Sul, 2018. 11p. Disponível em: < https://atencaobasica.saude.rs.gov.br/upload/arquivos/201808/24173406-nota-tecnica-02-2018-yoga.pdf>. Acesso em: 12 abr. 2021.

ROSA, Thais Fontes Behrendt. O impacto da prática de yoga sobre o estresse no trabalho docente no curso de pedagogia. 2011. 213 f. Tese (Mestrado em Educação) – Universidade do Vale do Itajaí, Santa Catarina, 2011. Disponível em: < http://siaibib01.univali.br/pdf/Thais%20Fontes%20Schramm%20Behrendt%20Rosa.pdf>. Acesso em: 10 abr. 2021.

(*) Larissa Silva Costa é estudante de do curso de graduação em Enfermagem, do Centro Universitário São Camilo, São Paulo, e estagiária no Programa Bolsa Talento.

Fotos de Marcus Aurelius/Pexels


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Maria Elisa Gonzalez Manso

Médica e bacharel em Direito, pós-graduada em Gestão de Negócios e Serviços de Saúde e em Docência em Saúde, Mestre em Gerontologia Social e Doutora em Ciências Sociais pela PUC SP. Orientadora docente da LEPE- Liga de Estudos do Processo de Envelhecimento e professora titular do Centro Universitários São Camilo. Pesquisadora do grupo CNPq-PUC SP Saúde, Cultura e Envelhecimento. Gestora de serviços de saúde, atua como consultora nas áreas de envelhecimento, promoção da saúde e prevenção de doenças, com várias publicações nestas áreas.

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