Prevent Senior, planos de saúde e rol taxativo

Tempo de Leitura: 14 minutos

Quero contar minha experiência com os Planos de Saúde, especialmente com a Prevent Senior, e deixar esse espaço aberto para você contar a sua.


Muitos de nossos leitores têm plano de saúde. Todos pagam para não usar, porém, caso precisem, esperam ver suas expectativas contempladas. Ninguém lê com atenção contratos, acreditam na propaganda, na lábia do vendedor, por isso, diante do pior, começa a sofrer, a temer a burocracia, as dificuldades que certamente encontrará e, a mais assustadora delas, o plano argumentar que o tratamento adequado indicado pelo médico(a) para o problema o contrato não contempla.

E isso acontecia antes do Rol Taxativo ser acolhido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ). Como antes o Rol da Agência Nacional de Saúde (ANS) era exemplificativo, recorria-se à justiça e era grande a possibilidade de se ganhar o direito ao tratamento.

Os planos seguiam milionários e as pessoas mantinham a esperança de ver seus entes queridos sobreviverem, se superarem, vencer desafios. Mas, como quem não quer nada – ou não está nem aí para a vida, como tem sido comum nesses tempos de destruição de todas as conquistas sociais – a Justiça resolve dar as costas ao povo e mostrar que tem um lado. Agora, juiz de primeira instância, que antes, seguindo sua consciência, seus princípios, e o código de ética médica (indicação de melhor tratamento para pacientes), colocava-se a favor da vida, hoje se coloca em cima do muro e manda o cliente se entender com o plano. Obviamente a corda vai arrebentar do lado dos mais fracos. O plano se preocupa com o lucro, não com a saúde do usuário.

Me diga, senhor juiz, por que favorecer planos milionários, condenando milhares a morte? Será que essa simpatia pelos Planos de Saúde tem a ver – inconscientemente – com a lembrança daqueles encontros ostentosos em hotéis e resorts de luxo, patrocinados por eles, para sensibilizar os senhores magistrados que o sistema de saúde pode adoecer em consequência das ações de pacientes que eles se negam a atender? É bem possível, não? Planos poderosos que mantém no Congresso uma tropa de choque muito bem paga para apresentar projetos de lei que os favoreçam. Planos que têm a ANS na mão e a área da saúde como quintal. Nesse governo, aliás, chegamos ao absurdo de ter como ministro da saúde um ex-presidente da Unimed, o senhor Luiz Henrique Mandetta, que se sentou na cadeira com a missão de ajudar os planos de saúde.

O SUS (Sistema Único de Saúde) sobreviveu porque está muito bem estruturado, mas esse governo destruidor fez de tudo para sabotá-lo, como tem feito em todas as áreas: trabalhista, ambiental, social etc.

Mas o que eu quero mesmo é contar minha experiência com os Planos de Saúde e deixar esse espaço aberto para você contar a sua, por isso, no final, deixarei meu e-mail para receber sua mensagem.

Minha experiência com Planos de Saúde

No começo da vida adulta, casado e com filhos, ganhando bem como autônomo, contrato um plano familiar, um dos mais caros. Um plano diferenciado, que cobre tudo. Com dinheiro sobrando, pago consulta com o melhor médico, peço recibo e sou restituído em parte pelo plano. Não perco tempo consultando profissionais credenciados. Meu seguro é Sul América.

Vida de autônomo oscila. Quando os ganhos caem, as mensalidades pesam. Seguro a gente sabe como funciona, você para de pegar, cessam seus direitos. Temos que encontrar um mais em conta. Mesmo assim, ligo para a Sul América, especulo e um vendedor nos apresenta uma solução milagrosa: trocar o plano familiar por um plano empresarial, mantendo todos os benefícios pagando a metade do valor da fatura. Para isso, basta ter um CNPJ.

– Mas somos uma família!

Não importa. Feita a mudança, descobrimos que perdemos tempo, fomos enganados, pois em menos de seis meses o valor da mensalidade do plano empresarial já havia superado o que estaríamos pagando no familiar. A intenção da Sul América era simplesmente sugar tudo, extrair do segurado até a última gota de suor, conseguiu.

– Vamos procurar um plano alternativo.

Fizemos uma pesquisa e descobrimos o PLASAC, um plano de saúde ligado ao Hospital Santa Cruz, voltado mais para a comunidade nipo-brasileira. Perfeito. Plano empresa do mesmo jeito, mas com um valor bem razoável. Paramos de pagar a Sul América e passamos a pagar o novo plano. Estranhamos a cobrança, por parte da Sul América, de uma mensalidade em atraso.

– Nós já mudamos de plano, a Sul América não nos interessa mais…

– É preciso pagar o boleto vencido e comunicar oficialmente a desistência.

– Não é só parar de pagar?

– Plano familiar, sim; empresarial, não.

Vou ao escritório mais próximo comunicar o desligamento do plano e sou informado, no entanto, que além daquela mensalidade com juros e correção, tenho que pagar mais três antes de deixar o seguro. Por volta de 15 mil reais.

– Qual é a lógica disso?

– Para proteger os funcionários da sua empresa…

– Mas é minha família! Eu, minha mulher e três filhas, posso provar.

Uma advogada amiga entra com ação. A Justiça nem lê, o juiz sabe muito bem o que está julgando, é mais um otário que caiu na armadilha do plano PJ cujas regras foram estabelecidas pela tropa de choque dos planos, os políticos bancados por eles para lesar o povo.

Para compensar, estamos felizes com o PLASAC. Ótimo atendimento e tudo ao lado da nossa casa. Precisou, vamos ao Pronto Socorro do Hospital Santa Cruz, na Vila Mariana. Os exames são feitos no hospital, a clínica e a sede do plano estão concentradas no mesmo quarteirão. Ir aos três lugares para pegar um carimbo, uma autorização, basta atravessar uma rua. Diante da facilidade, passamos a fazer mais exames de rotina. Minha mulher descobre um profissional maravilhoso, oftalmologista, e insiste para eu ir também. O médico é realmente bom, do tipo: se você não tem problema, ele acha. Dilata minhas pupilas – sem necessidade, creio – examina bem meus olhos e conclui: há uma catarata no início, vale a pena operar.

– Vamos operar, então!

– Só tem uma coisa, seu Mário, como o senhor já passou dos 60, preciso de uma autorização do seu cardiologista.

Atravesso a rua, agendo a consulta, conto para o médico que só preciso de uma autorização para fazer a cirurgia de catarata. Em vez da autorização, pede-me exames. O primeiro, um teste ergométrico, desses que faço dando risada, não terminar porque a garota interrompe com a desculpa que eu preciso descansar. Em seguida vem o ecocardiograma que confirma uma anomalia qualquer, coisa leve, mas que o médico precisa avaliar. Ele pede mais exames. Por fim, o assustador cateterismo. Com todos os resultados em mãos, conclui que preciso colocar stents, e sou proibido de fazer exercícios físicos, apenas caminhadas suaves.

Acho tudo um exagero e retorno ao hospital, pois o médico que realizou o cateterismo havia passado outra ideia. Sem hora marcada, sou atendido mesmo assim e ele confirma o que disse, ou seja, não tem que colocar stents, meu problema real é a válvula da aorta.

– Mas ele já solicitou!

– Não será autorizado, nenhum médico vai colocar um stent onde ele está pedindo, seu problema é a válvula calcificada.

Aconselha-me a seguir a vida com cautela, sem esforços demasiados, evitar me expor, porque uma pandemia está a caminho. Estamos em fevereiro de 2020 e, na China, há um vírus desgovernado, da família dos corona, que ameaça o mundo.

– Espere a pandemia passar e procure ter outra opinião antes de fazer qualquer coisa.

Não posso confiar em um plano que médicos batem cabeça. Faço uma consulta por fora. O profissional dá crédito aos dois: a medicação indicada pelo médico da clínica está correta, devo começar a tomar imediatamente; e o que disse o médico do hospital faz todo o sentido, o problema é a válvula da aorta.

– Como é essa troca de válvula?

– Pode ser que façam via catete, ou seja, um cateterismo no qual ele aproveita e coloca a válvula nova. Porém, como você é novo e tem boa saúde, podem abrir para realizar um trabalho mais preciso. Mas fique tranquilo, o Hospital Santa Cruz tem ótimos profissionais… Só não acho conveniente aguardar, o ideal é operar o quanto antes, enquanto está bem.

A pandemia chega para ficar. Espero o máximo de tempo possível, mas começo a notar que minha saúde se deteriora dia a dia. Em meados de 2021, marco um cardiologista que confirma a medicação e pede nova bateria de exames. Feito os exames, ligo para marcar o retorno e descubro que a clínica foi descredenciada. Tenho que achar outro médico. Quando encontro um médico, antes da data da consulta, ligam desmarcando:

– Não atendemos mais o PLASAC.

Sou obrigado a retornar ao primeiro médico, o que queria colocar stents em locais impossíveis. Antes do atendimento, porém, recebo um comunicado da Prevent Senior, somos notificados que o PLASAC não existe mais, agora fazemos parte de um novo plano, que comprou toda a carteira do PLASAC.

Prevent Senior, grata surpresa

Prevent Senior. A palavra sênior revela bastante coisa. A Prevent, na contramão dos planos tradicionais, foca seu atendimento, inicialmente, no idoso. Outro diferencial do plano é crescer com base na sua rede hospitalar. Parece maluquice, enquanto todos os outros planos cobram valores altíssimos para se livrar dos idosos, a Prevent os acolhe com mensalidades razoáveis. Qual é o segredo? Tem alguém mentindo sobre a saúde do idoso. No fundo, a política dos planos, voltada para jovens e adultos ativos, discrimina o idoso, enxerga a velhice como doença, difunde que o idoso só dá prejuízo.

A Prevent, ao contrário, cresce graças a essa faixa etária, faz, assim, o caminho inverso. Hoje, com uma rede hospitalar ampla e bem estruturada no estado de São Paulo, já se dá ao luxo de atender a todas as faixas etárias. 

Porém, na hora que a Prevent entra em contato comigo, é um choque, pois naquele momento é o plano de saúde mais difamado pela CPI da Covid. O Plano da Cloroquina. O plano que usa velhinhos como cobaias, mandando o Kit Covid via motoboy para a casa de segurados com gripe. O Plano que acaba de matar os velhinhos doentes, porque a ele só interessa velhinhos com saúde. O plano que declara: óbito também é alta!

Nesse clima de terror, marco a primeira consulta. Os prazos são largos, três meses. Ou seja, se estiver morrendo, esquece, pois o convênio não tem pressa. Expectativa zero. Chega o dia da consulta e descubro que estou na Unidade Alemanha. Funciona no antigo prédio da FNAC. Tudo amplo, bonito, parece tudo, menos uma clínica. Passa um carrinho com café e pão de queijo.

Agradeço, digo que só tomo chá e sou prontamente atendido. Aparadores nas laterais oferecem água aromatizada em copinhos de papel com frases tiradas da cabeça de adolescentes chapados: água nos rins, roque nas veias! Alguém me informa que os donos são roqueiros. Sinto-me dentro de uma arapuca e, pior, quem me prende ri da minha cara.

Entro para a consulta, mas não com o médico agendado há três meses, desligou-se do plano, quem atende é uma médica. Para ela, meus exames são descartáveis, “envelheceram”, interessa-se apenas pelo cateterismo, manda refazer tudo e pede mais alguns. Percebo que vão me enrolar, que a cirurgia não será feita jamais. Não marca retorno. Quando saem os resultados, descubro que ela atende na Zona Leste.

Na Unidade Alemanha, o próximo horário é só em três meses. Resolvo procurar uma clínica cardiológica conveniada e encontro, na Rua Itapeva, com um prazo melhor.

Durante esse período, meu quadro se agrava. Não sei se é psicológico, mas começo a sentir um cansaço fora do normal e, por três vezes, sinto que vou desmaiar em meio a caminhadas leves. É nesse clima que chego para a consulta e descubro que a médica é especializada em pulmão, não em coração. Fico louco da vida.

– Mas tá escrito clínica cardiológica!

Ela olha meus exames e diz que meu quadro é grave e que devo ir à Unidade Alemanha e exigir atendimento imediato, pois consulta só dentro de três meses e não tenho esse tempo. Apavorado, exijo atendimento e a garota é rude, me trata como um espertalhão querendo furar fila. Mostro para ela o resultado dos exames, um diz que meu estado é crítico, o outro que é de alto risco. Ela se convence e diz para esperar. Some. Sem ter o que fazer, passo a observar a decoração. Tudo remete à Oktoberfest. Bandeirolas, faixas nas cores germânicas, mesas em formato de barris. Eu morrendo e os roqueiros bebendo e rindo da minha cara!

Depois de horas, retorna a moça, diz que não conseguiu atendimento imediato, mas que a doutora vai me atender no dia seguinte, na primeira hora. Procuro chegar no horário, ainda aterrorizado, e tomo uma reprimenda das grandes: o senhor pode perfeitamente esperar o tempo da consulta, como fazem todos os outros. Para não perder a viagem, pede mais exames. Tento dizer que já fiz todos, mas insiste que são importantes e que, sem eles, não haverá cirurgia.

Pelo menos saio com um retorno agendado, dentro de dois meses. Faço os exames e pergunto para as médicas qual é o meu estado. Todas são unânimes em dizer o que já sei: crítico e de alto risco. Não posso esperar sentado. Ligo para o convênio e a atendente, solidária, me orienta a ir ao pronto socorro. O médico não sabe o que faço ali, mesmo assim liga para um colega e chegam a conclusão que minha pressão está oscilando devido a ansiedade e receita um remédio para tal.

– O senhor não corre risco de infarto, fique tranquilo, se passar mal, retorne, será medicado, mas tem que esperar sua vez, tomar a medicação, evitar pegar peso, e espere sua vez, pois não fazemos cirurgia de emergência.

Chega a data da consulta com a médica que pediu os exames, mas sou atendido por outro médico, que se admira como minha saúde está boa.

– Os resultados são ótimos, maravilhosos, o senhor está muito bem, parabéns…

– E o coração?

– O problema é só o coração, só a válvula, resolvido esse probleminha o senhor retorna comigo. Vou encaminhar o senhor para o chefe da equipe de cirurgia e vou pedir preferência, mas não se preocupe que tudo acontecerá no seu tempo.

Sinto no ar um cheirinho de fraude. Estamos em abril de 2022 e o encontro com o cirurgião é para junho, muito tempo. Brincam com minha saúde. Sobre o cansaço: evite esforço físico e mais nada. Procure ficar quietinho em casa. Amigos e familiares indignados:

– Vamos processar o plano, entrar com um mandado de segurança; vou detonar a Prevent no Reclame Aqui; vamos fazer uma matéria no Portal do Envelhecimento…

Nosso público é formado por idosos e por profissionais formadores de opinião que atuam com idosos. Entro em um dos grupos do Portal, falo que estou escrevendo sobre planos de saúde e peço que relatem suas queixas. Vem uma enxurrada delas, mas nenhuma sobre a Prevent Senior. Procuro saber quem são os segurados do plano e questiono um a um. Só falam bem. São relatos e mais relatos de experiências bem-sucedidas. É como se tivessem passado por lavagem cerebral. Plano macabro. Mesmo com toda a repercussão negativa da mídia, da CPI da Covid, nenhum usuário se abala.

Numa sexta-feira, em vez de ficar quietinho em casa, ando duas quadras para fazer feira e, na volta, bate o cansaço. Sento-me no meio-fio, ao pé de uma árvore, e apago. Quando retorno, vejo-me cercado por pessoas, algumas tentam me ajudar. Vou parar em um Pronto Socorro da rede conveniada. Sou atendido prontamente e, aos poucos, me recupero. A médica entra em contato com o chefe da equipe de cirurgiões. Diz que ele vai adiantar o encontro agendado para junho.

– Talvez já na próxima semana ele ligue para marcar.

Na mesma semana, recebo uma mensagem por meio do WhatsApp:

– Sr. Mário, o médico quer ver o senhor hoje, às 10h, na unidade Santo Amaro.

Corro para chegar na hora. O médico, simpático e gentil, faz algumas perguntas, avalia meus exames, consulta o sistema e conclui: o senhor está pronto, é só aguardar o agendamento, evite todo e qualquer esforço, caminhar, dirigir, lavar louça…

A tensão aumenta na mesma proporção que as limitações são impostas. A sensação de morte se faz presente a partir do momento que me torno, sem pedir, usuário da Prevent Senior. Começo a me despedir das pessoas, a me desapegar das coisas, a deixar tudo encaminhado. Ao mesmo tempo, procuro forças para lutar, para denunciar. Volto a entrar em contato com os segurados da Prevent Senior, agora para contar meu caso, mas todos que conheço me tranquilizam e, para me animar, relatam casos de sucesso. Descubro um que acaba de fazer cirurgia. E não é a primeira.

Conhece os caminhos e me orienta a como saber sobre o andamento interno do meu caso.

– Tudo dentro do previsto, seu Mário.

– O previsto é me deixar morrer!

– De jeito nenhum. Quando recebemos um pedido de agendamento, temos cinco dias para verificar se está tudo ok. Já verificamos. Agora temos 21 dias para agendar uma data, ou seja, até 27/05 o senhor será chamado.

Na semana seguinte, quarta-feira, 18/05, recebo uma ligação:

– Seu Mário, está pronto para a cirurgia?

– Sim!

– Próxima sexta-feira, dia 20/05, às 13h. Esteja na unidade Dubai às 9h. Precisa se apresentar com acompanhante. Confirmado?

– Confirmado. Só uma curiosidade, houve alguma desistência?

– Pode ser, não temos certeza, mas como o chefe da equipe está de férias, alguém pode ter resolvido esperar a volta dele, mas de qualquer maneira é a sua vez.

Esmola demais o santo desconfia. Consulto algumas pessoas e todas são unânimes em afirmar que é um trabalho de equipe, que devo confiar, que a presença do chefe não altera em nada, às vezes até atrapalha…

Apresento-me para a cirurgia e me encanto com tudo, o atendimento é extremamente humano, me sinto acolhido e me considero com sorte pela Prevent Senior ter adquirido o PLASAC. A cirurgia é um sucesso. Na UTI começa o trabalho de reabilitação. Uma quantidade enorme de profissionais, médicos, enfermeiros, auxiliares, técnicos, funcionários diversos e, principalmente, fisioterapeutas se revezam dia e noite. Minha recuperação é rápida e o ambiente favorece, são funcionários qualificados e, aparentemente, felizes.

Um dia antes da minha alta, o fisioterapeuta da tarde, Henrique, resolve fazer diferente dos seus colegas, em vez de orientar exercícios com pesos, me convida para caminhar fora do hospital. O simbolismo desse ato é forte, é meu retorno ao mundo. Caminhar entre as plantas, no jardim, olhar o hospital de fora tem um significado especial. Lembro-me, então, que uma colega do fisioterapeuta havia comentado que ele costuma fazer surpresas. Ainda emocionado, retornamos para o interior do hospital, mas em vez de se dirigir para o elevador, ele caminha até o centro do saguão no qual há um piano. Arrasta uma cadeira para perto do instrumento e me convida a sentar. Anuncia que tocará cai-cai-balão, e assim o faz, usando apenas o dedo indicador. Constrangedor, mas ao mesmo tempo divertido.

Em seguida vem uma verdadeira sessão de musicoterapia. Para esta não estava preparado. Toca, na sequência, Elton John, Fredy Mercury e John Lennon. Soa como um convite à vida. Impossível conter as lágrimas. Os irmãos roqueiros devem se orgulhar de um funcionário tão especial. Pergunto para Henrique se não teme ser repreendido por “extrapolar sua função” e tratar os pacientes com doses excessivas de humanismo. Ele diz que nunca parou para pensar no assunto, que segue sua intuição e que, em vez de reprimendas, recebe aplausos.

Lá no início, no título, os mais atentos devem ter observado que coloquei a Prevent Senior como um ente a parte, diferenciado dos Planos de Saúde, porque realmente não sei como classificá-lo. É plano de saúde e hospital ao mesmo tempo. Está ganhando o Brasil aos pouquinhos, já tem um pé no Rio de Janeiro, Curitiba, Porto Alegre e Santos. Não sei qual é seu posicionamento sobre o Rol Taxativo, só sei que continua cultuando o que chama de adulto+, desconfio que seja um eufemismo para velho, afinal, os Seniores estão na raiz desse projeto capitaneado por roqueiros.

Sinceramente, não esperava estar aqui escrevendo depois de um mês que realizei a cirurgia e, muito menos, falando bem de um plano de saúde. Mas esta é minha experiência. Se a sua segue em outra direção, seja em relação a Prevent ou a qualquer outro plano de saúde, e queira relatar nesse espaço, coloco meu blog Aprender é Viver à disposição, escreva para [email protected] e vamos conversar e desenvolver um texto que possa orientar outras pessoas. Esses dias conversei com um usuário da Sul América que reclamava do valor da mensalidade e do seu desejo de mudar. Quando contei que por ser PJ ele precisa avisar com antecedência sua desistência e pagar três mensalidades extras para poder sair ele quase emudeceu.

– Mas não é só parar de pagar?! Onde está escrito isso?

Armadilhas, meu caro, armadilhas que você só descobre quando pensa em se livrar delas. Meu plano na Prevent Senior não é diferente. É empresarial. Mas eu já sei onde estou metido.


Mário Lucena

Jornalista, bacharel em Psicologia e editor da Portal Edições, editora do Portal do Envelhecimento. Conheça os livros editados por Mário Lucena.

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