Poesia para melhores dias

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Precisamos ser fortes para reinventar a vida, o trabalho e os afetos, afinal entendemos que é possível estar perto mesmo na distância, fortalecer a fé e a compaixão para que possamos ter recursos que promovam a paz para sermos fortes e conseguir suportar o que tantas vezes parece insuportável.


De dentro de nossas casas paramos para pensar o mundo que não mais reconhecemos. A vida ficou diferente e fomos todos convidados a rever nossos valores, afinal quais são nossas reais necessidades? A pandemia assusta ao mesmo tempo que nos separa socialmente uns dos outros e aquele abraço que nos faria tão bem teve que ser postergado. Nossas vidas foram brutalmente atravancadas e mesmo de dentro dos nossos lares, a sensação é que vivemos tempos de guerra onde os estilhaços de angústia nos bombardeiam pelos noticiários.

Precisamos ser fortes para reinventar a vida, o trabalho e os afetos, afinal entendemos que é possível estar perto mesmo na distância, fortalecer a fé e a compaixão para que possamos ter recursos que promovam a paz para sermos fortes e conseguir suportar o que tantas vezes parece insuportável.

Tudo isso irá passar e para não adoecermos de tristeza ou de solidão a poesia se faz excelente companhia.

Poesia para melhores dias é uma proposta do Faça Memórias, programa de Arteterapia que, desde 2009, faz uso das obras de arte expostas em museus e de propostas artísticas para engrandecer idosos com problemas de esquecimento e que tem o afeto como sua principal intervenção.

Com os encontros semanais interrompidos apresentamos esta proposta que irá nos assegurar que não há isolamento que distancie afetos fortemente estabelecidos.

Poesia para melhores dias é uma tentativa de dar às idosas participantes do Faça Memórias e a todos que gostam de poesia, atividades de colorir que apresentem clareza e que conversem com os poemas escolhidos. 

Drummond parece falar da pandemia quando declama que no meio do caminho tinha uma pedra, enquanto Paulo Leminski nos faz buscar aquele tal instante repleto de amor bastante. O conforto vem de Mário Quintana que no seu Poeminho do Contra nos assegura que tudo passará, e nós “Passarinho”.

Que a Poesia para Melhores dias nos traga calmaria e acalanto. 

Nós da equipe do Faça Memórias dedicamos essas atividades às senhoras donas dos nossos corações, cheio de saudades e afeto. A vida dos idosos jamais deve ser desprezada, ignorada ou esquecida.

Quando tudo passar, juntos seremos mais felizes.


Cristiane T. Pomeranz

Cristiane T. Pomeranz

Arteterapeuta, entusiasta da vida e da arte, e mestre em Gerontologia Social pela PUC-SP. Idealizadora do Faça Memórias em Casa que propõe o contato com a História da Arte para tornar digna as velhices com problemas de esquecimento. www.facamemoriasemcasa.com.br E-mail: crispomeranz@gmail.com.

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