Idosos e familiares: menos frustrações e mais saúde mental!

Tempo de Leitura: 4 minutos

Este texto é para familiares de idosos, lembrando que precisamos nos lembrar de algo fundamental para nosso equilíbrio: saúde mental.


Em tempos de quarentena surgiu uma grande quantidade de conteúdos na mídia acerca de temas como: “O que fazer para diminuir a ansiedade nessa quarentena”, “Dicas de brincadeiras para estimular seu filho”, “O que fazer para estimular a cognição dos idosos”, entre tantas outras questões que envolvem as principais dificuldades que o ser humano tem enfrentado em tempos de pandemia, em que idosos e familiares estão sujeitos a muitas frustrações. E todos o que queremos neste momento é saúde mental.

Confesso que em muitos momentos pensei em criar um guia de orientações e atividades para serem feitas com idosos em casa, mas tenho percebido que os excessos de informações têm, de certa forma, criado uma ansiedade e uma autocobrança de familiares, que muitas vezes não conseguem organizar seu tempo para sentar e fazer todas as atividades divulgadas pela mídia.

Por isso, este texto é para você filho, filha, neto, neta, cuidador(a) de idosos, é importante sim nos preocuparmos com a saúde física e cognitiva de todos, mas também precisamos nos lembrar de algo fundamental para nosso equilíbrio: saúde mental.

Sendo assim, o texto de hoje tem como objetivo proporcionar uma reflexão e trazer ideias de como cuidar da saúde mental de todos com algumas atividades que parecem ser simples, mas que contribuem significativamente para a nossa qualidade de vida.

Utilize a tecnologia a seu favor!

Ao invés de pegar o celular apenas para verificar as notícias do dia (que ultimamente não tem sido nada agradáveis) que tal reservar um momento com o idoso para fazer uma ligação por vídeo para quem está longe? Ou então pedir para que o neto ou a neta envie um vídeo repleto de amor e carinho para que seus avós se sintam acolhidos e tenham um momento de vínculo social em tempos de isolamento? Ou ainda, grave um vídeo do idoso mandando uma mensagem para alguém, ou se for um (a) senhor(a) que goste de dançar, utilize isso como recurso, faça filmagens e depois assistam juntos, garanto que o momento será uma grande diversão para todos!

Culinária

Algo simples e presente em nosso dia a dia, essa atividade é importante em vários pontos, pois ao fazermos um bolo, por exemplo, trabalhamos diversos aspectos como: atenção, concentração, coordenação motora, memórias (caso não sigam um livro de receitas) e no fim afeto! Infelizmente, muitos idosos não conseguem mais cozinhar sem auxílio, mas tentar inseri-los em qualquer momento do preparo da comida (mesmo que tenha que ser feito sentado), pode trazer uma série de benefícios, vale a pena tentar!

Autocuidado

Mesmo estando em casa, ter momentos de autocuidado é imprescindível para nossa saúde mental, por isso reservar um momento entre você e sua mãe ou avó para pintar as unhas, fazer uma hidratação facial e até mesmo fazer uma maquiagem para ficar em casa deve ser inserido em algum dia da semana. E se for pai ou avô podemos auxiliar no preparo para arrumar a barba, vestir uma roupa que o mesmo se sinta confortável, e aqui, até um vale massagem pode estar valendo!

Se pararmos para pensar esse item pode ser ligado ao primeiro e segundo, após a “sessão beleza” preparar um jantar, arrumar-se para tal evento e convidar alguém para que participe do mesmo virtualmente é uma ideia que tenho certeza que se tornará uma maravilhosa memória em tempos sombrios como o que estamos passando.

Aqui foram apenas algumas ideias de coisas que já estão ligadas ao que chamamos de Atividades Básicas de Vida Diária ou Atividades Instrumentais de Vida Diária, ou seja, atividades que fazem parte da rotina não só dos idosos, mas de todos nós.

Eu sempre digo que conhecer o idoso é imprescindível antes de tentar realizar qualquer tarefa, não existe uma receita de bolo onde podemos falar: “Primeiro tente jogar dominó, depois faça palavras-cruzadas, depois pinte um desenho, faça isso, faça aquilo”, afinal, cada indivíduo é único. Eu, por exemplo, sou uma pessoa reservada, não gosto muito de dançar e não tenho habilidades manuais, essa sou eu aos 26 anos, pode ser que eu mude? Claro, todos somos capazes de desenvolvermos algo ao longo da vida, mas supondo que eu chegue aos 90 anos ainda sem gostar de dançar, quem foi que disse que tenho que realizar tal atividade para estimular meus aspectos físicos e motores? Só porque estou velha tenho que gostar de fazer crochê e pintar quadros? É por isso que muitos familiares acabam se frustrando, pois tentam seguir manuais na internet que parecem ser simples e valer para todos, porém ao tentarem com pais ou avós acabam se frustrando.

Você, filho, filha, neto ou neta conhece melhor seus familiares que qualquer profissional, antes de tentar realizar qualquer atividade, pense com carinho se ele/ela gostaria de fazer tal quando mais jovem. Dessa forma, tenho certeza que os sentimentos ruins irão diminuir, e o que ficará em tempos de pandemia são as boas memórias e sorrisos tirados dos bons momentos.

Foto destaque: Andrea Piacquadio/Pexels


Inscrições em: https://edicoes.portaldoenvelhecimento.com.br/produto/psicologiadoenvelhecimento/

Ana Beatriz Almeida

Ana Beatriz Almeida

Graduada em Terapia Ocupacional pela Universidade Estadual Paulista – UNESP e Mestre em Gerontologia Social pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). E-mail: ana_bia_09@hotmail.com

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