Edital Itaú abre inscrições, via Fundo do Idoso, para apoiar boas práticas!

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Até dia 31 de julho, estão abertas as inscrições para o Edital Itaú de seleção de projetos via Fundo do Idoso 2021. Aproveitamos para apresentar um exemplo, a cartilha Bê-a-Bá digital, realizado com recursos do Fundo, como fortalecimento de boas práticas. A cartilha é a concretização de um desejo de inclusão de idosos em novas tecnologias de comunicação e entretenimento.

Colaboração de Eleonora Kehles Spinato, Claudia Giuliano Bica e Giovana Diniz de Oliveira Bonetti (*)


Recentemente publicamos uma matéria anunciando o lançamento do Edital Itaú de seleção de projetos via Fundo do Idoso 2021, cujas inscrições vão até 31 de julho. Ficamos surpresos pela quantidade de questões enviadas, sendo que muitas delas nos comunicando que estavam elaborando seus projetos, e se o Edital permitia a compra de um veículo, por exemplo. Questões que demonstram um certo desconhecimento sobre um edital de seleção de projetos via Fundo do Idoso. A live (abaixo) esclarece a finalidade do edital, e conta com a participação de alguns representantes de Conselhos de Idosos do país, que falam de seus processos e projetos aprovados e desenvolvidos.

Os Fundos do Idoso, instituídos pela Lei Federal nº 22.213 de 20 de janeiro de 2010, estão vinculados aos Conselhos de Direitos de seus respectivos entes federativos (municipal, estadual e nacional), com o objetivo de formular e acompanhar, na União, nos estados e nos municípios, a garantia e efetivação de direitos. Por exemplo, os Fundos do Idoso do município de São Paulo (FMID) têm como finalidade financiar projetos complementares e/ou inovadoras às políticas públicas municipais existentes, apresentadas por organizações da sociedade civil e por organizações governamentais, por meio da celebração de termos de fomento ou convênios, que estejam em consonância com as diretrizes de políticas para a pessoa idosa da Cidade de São Paulo e com o Plano de Ação e de Aplicação de Recursos do FMID.

Os Fundos do idoso destinam-se a financiar projetos que asseguram os direitos da pessoa idosa, fortalecendo a autonomia, a integração e a participação efetiva da população idosa na sociedade. E os recursos para o financiamento são provenientes do orçamento público, de doações incentivadas (dedução do imposto de renda devido) de pessoas físicas e jurídicas, de doações de bens de pessoas físicas e jurídicas, de fundos nacionais e estaduais, de multas aplicadas pelo município, entre outras fontes de receita que compõem o fundo.

Nem todos os municípios do país implantaram os Fundos do Idoso. Em São Paulo, por exemplo, o Fundo do Idoso foi criado em 2012, mas somente em 16 de outubro de 2019 foi lançado o primeiro Edital de Chamamento Público para seleção de propostas de “projetos complementares e/ou inovadoras às políticas públicas municipais existentes, apresentadas por Organizações da Sociedade Civil (OSCs) e por Organizações Governamentais, as quais poderão ser financiadas com recursos do Fundo Municipal do Idoso (FMID), por meio da celebração de Termos de Fomento ou Convênios”.

Outro exemplo é o Conselho Estadual do Idoso de São Paulo, que lançou até o momento apenas um edital, em 2016. Alguns projetos foram aprovados com recursos do próprio Fundo e já foram executados, outros projetos, também aprovados, receberam autorização para captarem recursos, como é o caso do projeto “Diagnóstico Socioterritorial para a pessoa idosa na Cidade de São Paulo: Construção de Subsídios para a Defesa e para a Capacitação de Conselheiros” (Termo de Fomento – Processo 291/2018), da PUC-SP, que está em fase final e que lançará em agosto um aplicativo sobre serviços para a pessoa idosa da cidade de São Paulo. Esse projeto recebeu recursos do Itaú via o Fundo do Idoso.

O “Edital Itaú de seleção de projetos via Fundo do Idoso 2021” lançado no dia 1 de julho, visa justamente selecionar projetos a serem financiados por meio do repasse de recursos aos Fundos do Idoso, selecionando projetos sociais aprovados em Fundos Municipais, Estaduais ou Nacional do Idoso de qualquer região do Brasil, e que tenham como foco o fortalecimento da rede de proteção dos direitos da pessoa idosa, bem como o ciclo de políticas públicas orientadas ao envelhecimento populacional.

A seguir apresentamos a Cartilha Bê-á-Bá, um projeto já executado, desenvolvido pela Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre e Conselho Municipal do Idoso POA (COMUI), financiado com recursos do FUMID – Fundo Municiapl do Idoso de Porto Alegre.

O Fundo do Idoso e as boas práticas, a cartilha Bê-á-Bá digital 60+
por Eleonora Kehles Spinato, Claudia Giuliano Bica e Giovana Diniz de Oliveira Bonetti

O Conselho Municipal do Idoso (COMUI) e a cidade de Porto Alegre abrigam inúmeros grupos de apoio aos idosos que são fundamentais na manutenção da saúde física e mental dos participantes. Antes do início da pandemia, cada grupo, chamado grupo de convivência, realizava encontros periódicos, nos quais eram desenvolvidas diferentes atividades, tais como: aulas de alongamento, dança, rodas de leitura, teatro, música, visitas a museus, jogos, etc.

A pandemia trouxe inúmeros desafios, entre eles a manutenção das relações sociais com distanciamento físico. As orientações de saúde enfatizam que o mecanismo de isolamento social é uma medida necessária para prevenção do COVID-19, sendo primordial o respeito às restrições para evitar a propagação da doença. Neste contexto, os idosos foram obrigados a mudarem suas rotinas, afastados do seu convívio social e protagonizando momentos de completa solidão. Sendo assim, novas estratégias de interação social tornaram-se essenciais, possibilitando maior integração. A adaptação dos encontros presenciais para a forma virtual tornou-se necessária e emergencial.

Ao iniciar essa migração para os encontros digitais (principalmente por meio das videochamadas) os mediadores se depararam com uma enorme dificuldade por parte dos integrantes em acessar os encontros. Além disso, mesmo os que conseguiam acesso tinham outras dificuldades de comunicação. Diante dessas situações, surgiu a ideia de desenvolver um material escrito que pudesse facilitar a inserção dos idosos no ambiente digital, permitindo a integração e convivência entre os idosos vinculados ao grupo. Surgiu cartilha Bê-a-Bá digital e a concretização de um desejo de inclusão em novas tecnologias de comunicação e entretenimento. O Conselho Municipal do Idoso de Porto Alegre, a Universidade Federal de Ciências da Saúde, Banco de Alimentos, Grupo Viva Vida, desenvolveram um conteúdo acessível voltado para a população idosa.

O conteúdo abordado no material foi decidido a partir de uma reunião com alguns dos mediadores dos grupos de apoio aos idosos para conhecer as atividades que costumavam acontecer nos encontros presenciais e os meios a serem utilizados na realização das aulas, para que a explicação de obtenção e acesso a essas plataformas pudesse constar no passo a passo.

Considerando o público-alvo do livro, formado principalmente por idosos acima de 60 anos, alguns cuidados foram tomados para fazer com que o material se tornasse inclusivo e acessível a todos. A perda da visão tem alta prevalência na população idosa, por isso a diagramação das imagens e dos textos foi feita com medidas especiais para que contemplassem tanto o modelo digital quanto o modelo impresso do livro.

As cores utilizadas no livro foram pensadas especialmente para contemplar o melhor nível de contraste, permitindo uma melhor visualização. Além disso, houve uma preocupação em tornar a linguagem mais direta e informal, evitando que o leitor tivesse a sensação de estar lendo apenas um manual de instruções. Por isso, optou-se pela elaboração de um avatar da autora para que pudesse conduzir o leitor ao longo da obra, utilizando uma linguagem informal. Ainda, foram inseridas inúmeras sinalizações em estilo de anotação ao longo do livro, a fim de facilitar o conteúdo (como significado de palavras, pronúncia de palavras, entre outros).

A cartilha foi o trabalho de conclusão de curso de Giovana Bonetti/UFCSPOA com muito carinho para os idosos. Encontra-se para download no site da editora de Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre.

Com recurso do Fundo do Idoso (FUMID) foi possível editar e distribuir para centenas de grupos de idosos de Porto Alegre, manusearem, descobrirem, e conquistarem a independência, como diz, Lucia Maschke, Grupo Maria Fumaça da Associação dos Ferroviários Sulriograndenses:  Conquistei minha independência, não preciso mais esperar ajuda do filho! 

Os conteúdos permitem o aprendizado de forma leve e servem de instrumento para ultrapassar barreiras de acesso, diminuindo os medos ou resistências às novas tecnologias.

(*) Eleonora Kehles Spinato – Vice presidente do Conselho Municipal do Idoso (COMUI) de Porto Alegre. E-mail: [email protected]. Claudia Giuliano Bica e Giovana Diniz de Oliveira Bonetti – Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre

Minha avó resolveu aprender alemão aos 70 anos. Algumas pessoas perguntavam: mas não é tarde para aprender uma coisa tão difícil? Ela respondia: nunca é tarde para aprender uma coisa nova! E ela teve mais de vinte anos para aproveitar o aprendizado de alemão e ler vários livros no idioma. Aos 90, resolveu que queria escrever um livro e pediu ao meu pai que a ensinasse a usar o computador para escrever. Meu pai tem 84 anos e é ele quem me ensina os últimos truques do celular. Descobriu um monte de parentes no Facebook e agora pode acompanhar as peripécias dos netinhos de todos os amigos! De tanto querer aprender coisas novas, minha avó me ensinou a gostar de aprender sempre e a estudar cada vez mais! Isso me levou ao lugar que amo: a UFCSPA, a universidade da Saúde, onde todas as idades se encontram na missão de aprender, ensinar e cuidar da saúde. Meu pai sempre me ensinou que conexão não depende de estarmos perto, depende do coração. Às vezes, podemos estar bem longe e nos sentirmos muito conectados a uma pessoa. Por isso, eu desejo que você sempre curta muito aprender cada vez mais e que goste de aprender as coisas que estão nesse livro lindo, que podem aproximar você de pessoas queridas e até fazer conhecer pessoas novas que gostam de coisas parecidas. E, assim, a gente pode usar para o bem essa rede cheia de possibilidades! Introdução escrita por Lucia Campos Pellanda, Reitora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre

Serviço
Cartilha Bê-á-Bá
https://www.ufcspa.edu.br/editora_log/download.php?cod=020&tipo=pdf

Atualizado em 03/07/2021 às 9h42


Beltrina Côrte

Jornalista, Especialização e Mestrado em Planejamento e Administração do Desenvolvimento Regional, Doutorado e Pós.doc em Ciências da Comunicação pela USP. Estudiosa do Envelhecimento e Longevidade desde 2000. É docente da PUC-SP. Coordena o grupo de pesquisa Longevidade, Envelhecimento e Comunicação, e é pesquisadora do Núcleo de Estudos e Pesquisa do Envelhecimento (NEPE), ambos da PUC-SP. CEO do Portal do Envelhecimento, Portal Edições e Espaço Longeviver. Integrou o banco de avaliadores do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior – Basis/Inep/MEC até 2018. Integra a Rede Latinoamericana de Psicogerontologia (REDIP). E-mail: [email protected]

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