Ansiedade e depressão em idosos: subprodutos da pandemia

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Ansiedade e depressão já ocupavam um índice significativo antes da pandemia, tornando-se agora uma preocupação, pois, os casos de ansiedade e depressão aumentaram, principalmente, entre idosos, que passaram a vivenciar um contexto diferente do acostumado.

Em colaboração com Jorge de Oliveira Vieira (*)


“Nunca despreze as pessoas deprimidas. A depressão é o último estágio da dor humana”. (Augusto Cury)


De repente, um Tum-Tum… Tum-Tum… um som diferente, não se sabe de onde vem… se de fora ou de dentro, e leva-se alguns minutos para reconhecê-lo. Um coração que bate rapidamente, uma resposta emocional frente à uma ameaça, real ou imaginária, antecipa sorrateiramente uma situação que talvez nem aconteça ou, ainda, um desânimo, uma tristeza que persiste… que insiste, produzindo alterações que impossibilitam a busca por aspectos positivos da vida.

Ansiedade e depressão, dois transtornos mentais que acometem pessoas em todo o mundo. Juntas, afetam mais de 30 milhões de pessoas somente no Brasil (OMS; IBGE, 2020). Em 2020, houve um aumento significativo de casos devido à pandemia, principalmente em idosos.  A depressão, por exemplo, tem ocorrência tão comum acima dos 60 anos que já é retratada como um fenômeno relacionado ao processo de envelhecimento.

Afinal, como diferenciar?

A ansiedade é uma resposta emocional caracterizada como antecipação de uma ameaça futura, mesmo na ausência real desta, mente e corpo lançam mão de mecanismos como tensão muscular e vigilância como forma de preparar para o perigo futuro, o que gera um comportamento de esquiva, ou seja, o indivíduo evita contato com a situação real ou percebida (APA, 2014).  Logo, sintomas como falta de ar, palpitações, sensação de morte iminente, desregulação do sono, forte tensão muscular, sensação de sufocamento ou falta de ar podem ser possíveis indicativos do transtorno.

É importante destacar que a ansiedade é diferente de medo, que é considerado uma reação natural de sobrevivência do organismo, desencadeada por situações de perigo real ou imaginário, necessário para luta ou fuga.

Já, a depressão, é uma emoção negativa e nada saudável. Doença crônica, duradoura, é caracterizada por profunda tristeza e sentimento de desesperança, acompanhada de humor rebaixado, perda de interesse em atividades que apreciava, alterações do sono e apetite, sentimento de inutilidade, alterações cognitivas etc., de forma persistente, impossibilitando o indivíduo de enxergar possibilidades positivas em sua vida.

Depressão é diferente de tristeza, considerada uma emoção negativa, porém, saudável, pois é um estado de cansaço, desânimo, culpa, que dura um período curto, podendo ocorrer em todo e qualquer momento da vida, que não impossibilita o indivíduo de continuar com suas atividades de vida.

Reconhece essas condições? Já sentiu algo parecido?

Ansiedade e depressão já ocupavam um índice significativo antes da pandemia, tornando-se agora uma preocupação, pois, os casos de ansiedade e depressão aumentaram, principalmente, entre idosos, que passaram a vivenciar um contexto diferente do acostumado. Já não existe mais os almoços em família, os cafés da tarde, os passeios no parque com os netos, abraços e beijos demorados, ou ainda, ginástica no clube, cinema com os amigos.

O ‘distanciamento social’ imposto pela Organização Mundial de Saúde (OMS) impactou profundamente os idosos, que, distantes do seu círculo social, família, amigos, vizinhos, vivenciam sentimentos de tristeza, solidão, irritabilidade, inutilidade, até dificuldades relacionadas à memória, já que as atividades que antes realizavam foram temporariamente proibidas como forma de evitar aglomerações e a propagação do coronavírus. Todos esses sentimentos são potencializados com excesso de informações sobre a doença, número de óbitos, manejos em casos graves e etc.

Percebeu-se que era de extrema importância e urgência, que estratégias domiciliares não medicamentosas fossem elaboradas com o objetivo de amenizar ou reduzir sintomas de ansiedade e depressão, enquanto os idosos permanecem em casa, promovendo qualidade de vida e melhora na percepção de bem-estar.

Algumas estratégias eficazes que auxiliam a amenizar sintomas psicológicos e comportamentais:

– Manter as relações mesmo à distância; ligue, faça vídeos, grave áudios, comunique-se;

– Reduza o contato com o excesso de informações sobre a Covid-19;

– Promova seu autocuidado. Se cuidar também é uma forma de amor;

– Tome sol, pelo menos 15 minutos por dia, pode ser da janela, lembre-se: antes das 10h e depois das 16h. O sol auxilia a fixar a vitamina D e ajuda nos transtornos de humor;

– Mantenha a rotina do sono, durma todos os dias no mesmo horário;

– Realize atividades físicas e cognitivas;

– Cuide da sua alimentação, ela influencia diretamente no seu estado de humor;

– Mantenha sua fé, ela serve de norte, de resposta em tempos de adversidades;

Aproveite esse tempo para realizar tudo aquilo que você nuca teve tempo.

Obs: As estratégias mencionadas não substituem o acompanhamento profissional.

Saiba mais

Para saber mais sobre o assunto e outras estratégias, basta acessar o e-book gratuito intitulado Ansiedade e Depressão em Idosos Durante a Pandemia: Sugestões de Intervenções, produzido por Jorge de Oliveira Vieira e Simone de Cássia Freitas Manzaro. O e-book é fruto do artigo ‘Saúde Mental de idosos em Distanciamento Social Devido à Pandemia: Ansiedade e Depressão’, sendo divulgado gratuitamente com a finalidade de ampliar a visão sobre o acompanhamento de idosos durante a pandemia, oferecendo estratégias que amenizem os efeitos do distanciamento físico.

Referências
APA – American Psychiatric Association. Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais: DSM5. Tradução: Maria Inês Corrêa Nascimento et al. Revisão técnica: Aristides Volpato Cordioli et al. 5. ed. Porto Alegre: Artmed, 2014. 948p

IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. População Projeções e estimativas da população do Brasil e das Unidades da Federação. População. 2020. Brasília, DF. Disponível em: https://www.ibge.gov.br/apps/populacao/projecao/.

OPAS/OMS. ONU destaca necessidade urgente de aumentar investimentos em serviços desaúde mental durante a pandemia de COVID-19. Determinantes Sociais e Riscos para aSaúde, Doenças Crônicas não Transmissíveis e Saúde Mental. Organização Pan-Americana de Saúde. 14 mai. 2020. Brasília, DF. Disponível em:https://www.paho.org/bra/index.php?option=com_content&view=article&id=6170:onu-destaca-necessidade-urgente-de-aumentar-investimentos-em-servicos-de-saude-mental-durante-a-pandemia-de-covid-19&Itemid=839.

(*) Jorge de Oliveira Vieira – Psicólogo, Mestre em Educação pela PUC-SP, Coordenador do curso de Pedagogia, Supervisor de Estágios e professor nos cursos de graduação da UniPaulistana, colaborador do Portal de Envelhecimento e Espaço Longeviver. E-mail: psico.jorge@hotmail.com.

Foto destaque de kenneth tecson/Pexels


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Simone de Cássia Freitas Manzaro

Simone de Cássia Freitas Manzaro

Simone de Cássia Freitas Manzaro – Psicóloga formada pela Universidade Nove de Julho, Pós-graduada em Gerontologia. Aperfeiçoamento em Atenção Domiciliar. Capacitação em Saúde da Pessoa Idosa. Realiza atendimento psicológico de adultos e idosos e, de familiares e cuidadores de pessoas com Doença de Alzheimer e similares. Atuação voltada para o contexto do envelhecimento frágil. Possui experiência em Estimulação Cognitiva/Psicoestimulação para pessoas com Doença de Alzheimer e similares e, Estimulação Cognitiva/Psicoestimulação preventiva para grupos acima dos 50 anos. Realiza consultoria em Psicogerontologia; orientação e treinamento de familiares e cuidadores formais sobre o contexto da doença bem como, os manejos psicológicos, emocionais e comportamentais necessários, auxiliando-os a criar estratégias e atividades para lidar com a pessoa doente no cuidado diário, supervisionando treinamento prático. É voluntária na Associação Brasileira de Alzheimer - ABRAz-SP; membro colaborador dos sites Portal do Envelhecimento, Blog Recorda-me e Alzheimer- Minha Mãe tem. E-mail: simonemanzaro@gmail.com

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