Vitamina D em excesso pode aumentar risco de quedas

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Doses mais altas de vitamina D podem ser prejudiciais às pessoas mais velhas propensas a quedas, revela estudo realizado na Suíça, e publicado recentemente na revista JAMA Internal Medicine. Os pesquisadores assinalam que as pessoas idosas devem seguir as diretrizes e consumirem as doses recomendadas da vitamina de forma natural.


A pesquisa, realizada com 200 pessoas acima de 70 anos de idade que tinham sofrido uma queda no ano anterior, sendo dois terços mulheres e quase 60% com níveis baixos de vitamina D, revela que doses mais elevadas da vitamina D não melhoram a mobilidade dos idosos, pelo contrário, poderiam até aumentar o risco de quedas em alguns deles.

Atualmente, muita gente, mas especialmente as pessoas idosas, recebem pouca vitamina D a partir da dieta alimentar como também não ficam muito tempo ao ar livre para obtê-la com a exposição ao sol, principalmente os idosos mais fragilizados.

Muitos profissionais recomendam os complementos de vitamina D com o objetivo de aumentar a força muscular e assim prevenir as quedas de pessoas idosas. Nos Estados Unidos, assim como no Brasil, os complementos de vitamina D estão disponíveis em diversos lugares.

Normalmente há um consenso popular de que tomar vitamina é bom, não trazendo risco à saúde. Mas não é bem assim, como adverte Steven Cummings, pesquisador do Instituto de Investigação do Centro Médico do Pacífico da Califórnia, em São Francisco. Ele é coautor, junto com Douglas Kiel, do relatório que acompanha o estudo. Kiel é o diretor da investigação musculoesquelética do Instituto de Investigação sobre o Envelhecimento de Hebrew SeniorLife, em Boston, e professor de medicina da Faculdade de Medicina da Universidade de Harvard.

A pesquisa

As 200 pessoas idosas participantes da pesquisa foram divididas em três grupos, e receberam uma forma da vitamina chamada D3, de fácil acesso à população, pois sua venda é livre. Um grupo recebeu o equivalente a 800 unidades internacionais (UI) ao dia. Outro grupo tomou essa dose mais um produto de vitamina D chamado calcidiol. O terceiro grupo consumiu o equivalente a 2,000 UI de vitamina D3 ao dia. Os três grupos foram estudados durante um ano.

Os pesquisadores esperavam observar menos quedas, porque estudos anteriores tinham mostrado que a vitamina D beneficia a mobilidade. No entanto, não foi o que encontraram.

De acordo com Heike Bischoff-Ferrari, coordenadora do estudo, da Universidade de Zurique, na Suíça, ao invés disso, dois terços dos que tomaram a dose mais alta de vitamina D, e a vitamina D mais o calcidiol, tiveram quedas, ante 48 % dos que tomaram a dose mais baixa. As pessoas do grupo com a dose mais baixa também foram as que experimentaram a maior melhora na mobilidade dos três grupos.

Para Bischoff-Ferrari, uma possível explicação para isso é que existe um ranking ideal de vitamina D nas pessoas idosas que tinham caído antes, e que uns níveis mais altos se traduzem possivelmente em mais quedas. Outra possibilidade, segundo ela, seria que as pessoas idosas se fazem mais fisicamente ativos quando tomam as doses mais altas de vitamina D, o que os coloca em maior risco de quedas.

Para Cummings, a teoria sobre o aumento da atividade parece pouco provável. Já para Kiel, outra possibilidade é que a dose alta de vitamina D poderia perturbar a atividade muscular, provocando dessa as quedas.

O estudo não estabelece uma relação causal direta entre umas doses mais altas de vitamina D e um maior número de quedas. Mas para Cummings, se a pessoa está sã e não está confinada a uma cama, não existe evidências de que se necessite ou se vai beneficiar de um complemento de vitamina D.

Cummings assinala que o Instituto de Medicina recomenda que pessoas idosas devem ingerir umas 800 UI ao dia, e a dieta e o sol são a melhor maneira de se conseguir isso. Segundo ele, ainda não existem evidências firmes que tomar inclusive 800 UI ao dia na forma de complementos reduza o risco de enfermidades nem prolongue a mobilidade nem a vida.

Kiel recomenda que enquanto não se estabeleça que uma dose mais alta de vitamina seja mais segura, é melhor obter suficiente vitamina D a partir da dieta ou tomando uma quantidade mais modesta de complementos caso exista uma deficiência

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Redação Portal do Envelhecimento

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