Visão versus Realidade

Compreendi que estou só e que terei que encontrar novos caminhos e fazer com que se tornem a minha fonte. Não importa a perda que a vida impõe, é preciso continuar. É a realidade.

Marie Claire Blatt (*)

 

Na vida pode haver momentos de clareza inimagináveis.  Num clarão de segundos ou milésimos de segundos podemos ter imagens sobre futuras paisagens da nossa vida. Normalmente estes segundos parecem tão insignificantes que sequer os registramos.

Foi assim que aconteceu comigo.

Não me recordo quando e onde foi. Quero apenas relatar esta estranha experiência. Uma imagem cujo significado nunca consegui entender, mas que hoje consigo traduzir.

Estou numa planície verde, enfeitada por pequenas margaridas e flores do campo onde o canto dos visitantes alados quebra o silêncio do vento.

Não muito distante ergue-se majestosamente uma montanha coberta de verde. De longe posso perceber uma trilha para se chegar ao topo ou passar para o outro lado.

Eu estou na planície, caminhando, segurando a mão de um menino moreno, lindo e sorridente, encantado com a natureza.

De repente, no sopé da montanha, ele para, solta minha mão e começa a subir a montanha.

Não quero permitir…  quero acompanhar… ir também…  mas…  ao invés, fico parada como uma estátua, sem entender o porque, sem conseguir seguir os seus passos.

Ele se afasta cada vez mais até sumir completamente da minha vista. E eu estou só na encosta da montanha, sem reação!

Hoje entendo esta visão.

O menino é meu filho, a minha estrelinha que hoje brilha no céu.  Ele largou a minha mão e subiu aquela montanha para entrar numa paisagem desconhecida e sem a minha proteção, sem se despedir.

Compreendi que estou só e que terei que encontrar novos caminhos e fazer com que se tornem a minha fonte, fonte esta que irei preencher com gestos de amor. Não importa a perda que a vida impõe, é preciso continuar.

 

(*) Marie Claire Blatt, 79 anos, natural de Paris, França, entusiasta da vida e eterna estudante. É contadora de suas próprias histórias e crônicas, musicadas, que apresenta para proporcionar lazer às pessoas da terceira idade. Pertence ao grupo de danças Israeli da Unibes que se apresenta no Festival Karmel do Clube Hebraica e em outros eventos. Também faz parte do Coral. Frequentou o Curso de Jornalismo, Repórter 60+ para se reciclar e melhorar a expressão verbal e escrita e, assim, poder ser útil. E-mail: mceshkenazy@yahoo.com.br

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