Violência psicológica em pessoas idosas

Entre os indivíduos mais velhos que sofreram pelo menos um ato de violência, cerca de 60% disseram ter sido ignorados e cerca de metade disse ter sido vítima de agressão verbal mais de dez vezes nos últimos 12 meses.

SNS (*)

 

Um estudo sobre violência psicológica contra pessoas idosas desenvolvido por Ana João Santos, bolseira de investigação no Departamento de Epidemiologia do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge, concluiu que 13% sofreram ameaças, agressões verbais ou insultos e humilhações, pelo menos uma vez, nos 12 meses anteriores à entrevista. Em termos dos fatores de risco, as vítimas de violência psicológica exercida mais frequentemente tendem a coabitar com um cônjuge ou com um cônjuge e filhos.

Desenvolvido no âmbito do Programa Doutoral em Gerontologia e Geriatria da Universidade do Porto (Instituto de Ciências Biomédicas de Abel Salazar) e da Universidade de Aveiro, os resultados deste trabalho indicam que os perpetradores indicados pelas vítimas de violência mais frequente são principalmente os cônjuges ou companheiros (54%). No entanto, 32% dos agressores esporádicos ou menos frequentes (uma a dez vezes nos últimos 12 meses) são filhos ou netos.

Quando a violência consiste em ignorar ou deixar de falar, surgem também outros membros da família na lista, como irmãos, cunhados, sobrinhos ou primos, assim como a rede social informal (vizinhos, por exemplo). Entre os indivíduos mais velhos que sofreram pelo menos um ato de violência, cerca de 60% disseram ter sido ignorados e cerca de metade disse ter sido vítima de agressão verbal mais de dez vezes nos últimos 12 meses.

Com o título “Violence against older adults: multidimensional perspective”, a tese de Ana João Santos é realizada a partir dos dados recolhidos pelo projeto “Envelhecimento e violência”, coordenado pelo Instituto Ricardo Jorge, entre 2011 e 2014, tendo em conta duas medidas: qualquer ato de violência psicológica praticado uma única vez contra uma pessoa idosa nos 12 meses anteriores à entrevista e qualquer ato de violência praticado mais de 10 vezes contra uma pessoa idosa nos 12 meses anteriores à entrevista. Este estudo tem como coautores Baltazar Nunes e Irina Kislaya, do Instituto Ricardo Jorge, e Ana Paula Gil (Universidade Nova de Lisboa).

Além de determinarem a prevalência de violência psicológica sobre os mais velhos, o estudo pretendeu também saber o perfil dos perpetradores e o perfil das próprias vítimas. Neste âmbito, conclui-se que as mulheres entre os 60 e os 69 anos de idade, com pouco suporte social e a residir nas próprias casas com o cônjuge ou companheiro e com os filhos são as que reportam violência psicológica de forma mais frequente (mais de dez vezes no último ano).

O trabalho analisou a violência psicológica contra as pessoas idosas num total de 1.123 adultos com mais de 60 anos de idade, residentes em Portugal, sendo que mais de metade (66,8%) eram mulheres, 48% tinham entre 60 e 69 anos e 60% tinham menos de cinco anos de escolaridade. A violência psicológica, que inclui insultos, ameaças, intimidação, humilhação, entre outros comportamentos abusivos, é considerada de mais difícil deteção porque pode não ser tangível, mas também devido a especificidades culturais, variações das próprias dinâmicas familiares e a diferentes formas de medir a violência.

(*)SNS – Serviço Nacional de Saúde. Texto publicado no Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge, Portugal.

 

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Redação Portal do Envelhecimento

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