Violência é recorrente na mídia portuguesa e desponta também no Brasil

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A violência contra os idosos é tema recorrente na mídia portuguesa. Chama atenção como o assunto é noticiado com frequência. Isso pode ser um sinal de que o problema tem grande impacto na sociedade portuguesa, merecendo sempre destaque nos jornais. É uma forma importante de denúncia e serve de alerta para a conscientização das pessoas.

 

 

A crise financeira que atinge alguns países europeus é o tema da vez nesta reportagem do Diário As Beiras, de 12 de agosto. Confiram o trecho a seguir:

“Agredidos, abandonados pelos próprios filhos, subornados, esquecidos pela sociedade. É esta a realidade de muitos idosos em Portugal. Uma realidade que não está, infelizmente, longe de cada um de nós: em Coimbra, só no ano passado, o gabinete de Coimbra da Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV) assinalou 24 processos de apoio a pessoas idosas vítimas de crime e de violência. A nível nacional foram registados 610 casos. Estes números escondem, no entanto, uma outra verdade: os casos de abandono nos hospitais ou em lares, que aumentam em períodos festivos – como é o caso do Natal ou das férias. Estes são os velhos de um país em que a crise parece justificar quase tudo.”

A reportagem entrevistou Manuel Teixeira Veríssimo, professor da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra, que disse que a causa para tal situação são “Relações familiares mais ausentes, fruto, também de uma sociedade cada vez mais individualizada. Segundo Veríssimo, “os idosos de hoje não foram preparados para serem idosos. Tão pouco, está preparada a sociedade para cuidar deles. Não nos preparámos para este aumento brusco do número de pessoas idosas”. Veríssimo reconhece também que o aumento da violência contra idosos se dá porque além de ter ocorrido mais queixas, também mais casos tem sido diagnosticados.

A reportagem termina chamando a atenção da sociedade para os valores que são privilegiados hoje, pois amanhã os idosos seremos nós. “E ninguém quererá ser uma pessoa velha abandonada, lançada perante o facto da sua morte irremediável”.

Rio de Janeiro

No Brasil, a questão também tem merecido mais atenção na imprensa em geral, embora ainda – como em várias outras situações de violência – a mídia poderia reservar mais espaço para o assunto.

No Rio de Janeiro, conforme notícia (Polícia Civil realiza operação para coibir crimes contra idosos no Rio) publicada no Jornal do Brasil em 8/8, policiais da Delegacia de Repressão aos Crimes contra a Saúde Pública, em parceria com agentes da Delegacia do Consumidor, desencadearam uma operação para vistoriar sete casas de idosos no Rio e na Baixada Fluminense.

Encontram alimentos e medicamentos vencidos, entre outras tantas irregularidades. A notícia informa ainda que a ação dos agentes também visa averiguar as condições dos profissionais como médicos, enfermeiros e farmacêuticos que atendem os idosos, higiene e limpeza nos locais, apropriação indevida ou furto de valores, maus tratos e torturas, entre outros crimes praticados contra idosos.

Paraná

Outra notícia, no Paraná, descreve que a Justiça obriga desocupação de casa de repouso que o
Ministério Público do Estado vinha acompanhando desde 2007. Notícias de irregularidades no lugar levaram o Juízo da 3ª Vara Cível de Guarapuava, na região Central do Estado, a determinar a suspensão das atividades da Casa de Apoio Nossa Senhora de Lurdes, bem como a transferência das pessoas abrigadas – idosos e portadores de deficiência, além de vítimas de transtorno mental. A decisão atende ação proposta pela 8.ª Promotoria de Justiça de Guarapuava, que trata da defesa da pessoa portadora de deficiência e da pessoa idosa. O Ministério Público já havia buscado de forma administrativa, com apoio do Município, a regularização dos problemas por parte dos proprietários da casa de repouso. Como nada foi feito, o MP-PR ingressou com ação civil pública.

A promotora de Justiça Michele Náder, responsável pelo caso, em entrevista à imprensa disse: “Gostaríamos de conscientizar a população a propósito da necessidade de efetivação dos direitos da pessoa idosa e a portadora de deficiência ou transtorno mental, inclusive o direito à convivência familiar e comunitária”. Comentou ainda que “É importante ressaltar que a família, a comunidade, e o Poder Público têm obrigação de assegurar a essas pessoas, com absoluta prioridade, a efetivação do direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, à cultura, ao esporte, ao lazer, ao trabalho, à cidadania, à liberdade, à dignidade”.

Sua ação assinala o seguinte: “Trata-se, em verdade, de residência particular, muito mal adaptada, na qual são amontoadas pessoas portadoras de distúrbios psiquiátricos e idosos, que ou foram relegados pelos seus familiares, ou sequer os possuem, sendo cobradas quantias para permanecerem lá morando, sem, contudo, contarem com locais adequados ou receberem tratamento condizente com suas necessidades especiais.”

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Redação Portal do Envelhecimento

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