A vida no cinema

Grupos de associados e visitantes participaram durante quatro semanas de debates sobre temas variados e pertinentes no cotidiano. Em parceria com a Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), a Associação dos Funcionários do Grupo Santander Banespa, Banesprev e Cabesp (Afubesp) promoveu os encontros de Cine Debate entre setembro e outubro e 2013 visando estimular o imaginário dos participantes. Os debates foram organizados e mediados por Olívia Araújo, Araci Coriolano e Graça Leal, do grupo de estudos da memória – GEM – vinculado ao Nepe (Núcleo de Estudos e Pesquisa do Envelhecimento), sob orientação da prof.ª Vera Brandão. Toda sexta-feira da semana, um curta-metragem de temática diferente foi exibido e, após o filme, o grupo se reuniu em círculo para a discussão em torno das cenas e de seus significados.

Letícia Cruz * Fotos: Camila de Oliveira

 

a-vida-no-cinemaNa primeira sexta-feira (13) do ciclo, o curta escolhido foi “Amigo Secreto” – estrelado pelos atores Tuca Andrada, Laura Cardoso e Bárbara Paz – que abordou a questão do envelhecimento e da relação dos jovens com os mais velhos. Para a associada Lídia Neves, o filme mostrou como pequenas ações podem mudar o rumo da vida das pessoas, principalmente as mais idosas. “Nós não fazemos isso, as coisas básicas, então temos de aprender a mudar o que está em volta. É uma boa reflexão”, pontuou. No curta, D. Olga (interpretada por Laura Cardoso) é uma senhora amargurada que se sente tocada após gestos de carinho, que há muito não recebia.

A produção “O Brilho dos Meus Olhos”, do diretor Allan Ribeiro, acendeu na tarde de 20/09 a discussão sobre a catarse necessária aos indivíduos que enfrentam duras rotinas todos os dias. Na definição do próprio diretor, é a história de um homem “em busca de um momento prodigioso, para que faça algum sentido continuar vivendo”. Os participantes perceberam sutilezas importantes para a percepção da história, como o preto e branco o qual a vida do personagem foi retratada e como tudo muda e se tornou colorida quando, finalmente, aproveitou um tempo de sua vida para fazer algo que realmente gosta – no caso, cantar num karaokê. “Viajei na história. Todos nós procuramos uma válvula de escape”, disse o associado Roberto. Outros relataram a tristeza que sentiram nos olhos do rapaz durante o filme, talvez pela solidão ou pela dura lida no cotidiano.

O tópico sobre o envelhecimento e o preconceito aos idosos retornou à pauta no dia 27/09, com o emocionante filme “Dona Carmela”, que retrata a vida de um idoso que decide mostrar um lado diferente ao seu neto como uma personagem de televisão e sofre preconceito por ser “velho demais” para o papel, substituído por uma jovem inexperiente de uma contadora de histórias infantis. Para o banespiano José Matias, é preciso um “equilíbrio” entre jovens e idosos. “Os mais novos precisam entender os mais velhos, e o contrário também”, disse. No filme, o senhor é substituído por uma jovem bonita, mas sem muito talento para o cargo. “Fica claro que, muitas vezes, é a beleza instantânea que conta e que tem valor, infelizmente, pontuou a colega Theresinha Eliane. Por outro lado, uma mensagem positiva é mandada no curta: a de se manter jovem e de bem com a criança interior, seja qual for a idade.

Para fechar o ciclo, o curta do último dia de debates (04/10) foi “Vaidade”, quando contamos com a presença da pesquisadora Maria Augusta Lóis Reis. De título autoexplicativo, o filme conta a história de mulheres que mesmo em meio à pobreza são vaidosas e também revendem cosméticos na vizinhança. O garimpo, principal atividade nas cidades do sul do Pará e Santarém, no Baixo Amazonas, é encarado como instrumento para mudança de imagem para muitos. Dona de dois dentes de ouro os quais ostenta com orgulho, uma das personagens principais do filme diz: “Toda pessoa me diz que minha beleza está nos dentes”. Destas afirmações, opiniões das mais variadas surgiram no grupo. Para Theresinha, a vaidade acaba sendo reflexo da vida sofrida que as pessoas naquela realidade vivem. “É o que eles têm para amenizar aquela tristeza. É isso.”

O projeto foi bem aceito pelos participantes que solicitaram continuidade, pelo menos uma vez por mês, da exibição de filmes seguidos de discussão.

Afubesp

A Afubesp é uma associação que luta em defesa dos empregos e direitos dos funcionários da ativa e aposentados do Grupo Santander Banespa, Banesprev e Cabesp.

A entidade possui uma história marcante na vida dos banespianos, pois foi uma das protagonistas na luta contra a privatização do Banespa.

Após o leilão que vendeu o banco paulista ao espanhol Santander, a Afubesp manteve-se na linha de frente das negociações, junto aos sindicatos, com o objetivo de evitar que ocorresse no Banespa a mesma política de terra arrasada verificada em outras empresas privatizadas.

A manutenção da Cabesp e do Banesprev, a construção e renovação de acordo aditivo, que permitiu que milhares de banespianos se aposentassem com todos os direitos, são alguns dos resultados obtidos graças a atuação dos sindicatos com a colaboração significativa da associação.

Além disso, a entidade busca, continuamente, oferecer serviços que promovam saúde e qualidade de vida aos associados e seus dependentes.

* Letícia Cruz é associada da Afubesp e membro do GEM

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