“Velhices”, documentário mostra imagens da velhice de jovens e adultos

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As vozes, os gestos e as palavras compõem as histórias do documentário em que seus realizadores se aproximaram para pensar a velhice. Quando começa? Quanto está presente o medo da solidão? Nos vimos como velhos? Essas e outras perguntas sobre a velhice foram respondidas por jovens e adultos.

Por Natalia Muñiz (*)


O documentário “Velhices” (Vejeces), recém lançado na Argentina, mostra pessoas entre 20 e 55 anos falando sobre o que pensam dessa etapa da vida, como a imaginam para si, quais medos são mais frequentes, seus preconceitos e suas expectativas. Trata-se de um documentário que investiga o que as gerações jovens e adultas pensam da velhice. Foi apresentado para um grande número de pessoas idosas no Auditório do AMIA Cultural, em Buenos Aires (Argentina) e logo após os idosos espectadores foram convidados a opinar e conversar com os realizadores da produção audiovisual: o psicogerontólogo Alejandro Burlando Páez e a cineasta Lucía Paz.

“A ideia era criar um material audiovisual para disseminar questões relacionadas ao envelhecimento, voltadas para outras gerações. O objetivo era investigar as visões que eles têm sobre a velhice”, afirmou Burlando Páez em declarações à imprensa. Ele também é o coordenador geral do Programa Gerontológico de Saúde (PROGESA).

O profissional afirmou que, nas entrevistas, houve comentários que variavam entre “Não consigo imaginar (minha própria velhice) ou imaginar de uma certa maneira”. Para Burlando Páez, o que é necessário promover é que a velhice não precisa ser um lugar igual, mas diverso; entender que pode haver muitas velhices porque há muitas maneiras de se viver. Nesse sentido, ele observou que “um é um, há muitas subjetividades, e é isso que deve ser resgatado: a característica singular” da velhice, a heterogeneidade dessa etapa do ciclo da vida. E ele apontou que uma das chaves é que “a arte serve para começar a gerar outras perspectivas sobre a velhice”.

Em relação à produção, o psicogerontólogo enfatizou que no final de 2017 eles começaram com a pré-produção. “Em março de 2018, as entrevistas foram gravadas e, em seguida, todo o longo período de edição ocorreu porque havia 15 horas de material bruto e transformá-lo em um material de 30 minutos levou muito tempo. Foram realizadas 23 entrevistas com pessoas entre 20 e 55 anos de idade, das quais ficaram de fora 18 delas”, afirmou.

Manter-se ativo

No documentário que apresenta entrevistas a jovens e adultos, houve quem dissesse que não imaginava a própria velhice, que começou a pensar quando seus pais chegaram a esse estágio, que recorreu à memória de seus avós, e outros disseram que a pessoa é a mesma ao longo da vida. Também apareceram questões sobre mudanças corporais, passagem do tempo, estereótipos, medos, solidão, sexualidade, meio ambiente.

Após a projeção, o público idoso deu a devolutiva: “Eu senti que eles estavam falando de mim, nem toda a velhice é a mesma”, “você tem que aproveitar o que tem nessa idade”, “você tem que viver o presente”, “há pessoas na faixa dos 80 que são percebidas como 50, ou 65 a partir dos 40”, “a coisa mais importante que tenho no dia a dia é que me olho no espelho e me reconheço como sou”.

Eles também expressaram a importância de permanecer ativos, fazer cursos, expandir redes e promover relacionamentos intergeracionais. “Os jovens têm dúvidas, temos respostas”, foi um dos comentários. Assim como derrubaram preconceitos em relação à sua sexualidade.

Ficha técnica
Título: Vejeces
Año: 2019
Género: Documental
Duración: 30 minutos
País: Argentina
Dirección: Lucía Paz
Producción: Alejandro Burlando Páez, Lucía Paz
Guión: Alejandro Burlando Páez, Lucía Paz, Franco Saffeni
Cámara: Ariadna Hereter
Dirección de sonido: Tomás Ramos
Montaje: Franco Saffeni
Edición de color: Francisco Iurcovich

(*) Natalia Muñiz – Jornalista do Diário Popular da Argentina. Matéria publicada em 15 de dezembro de 2019. Fotos: Diário Popular.


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