Vela para pandemia

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Abro a janela para respirar o frescor desta época do ano. Rua deserta e a pandemia se faz presente na paisagem fantasma. O medo brota e aflora em pensamentos que tentam paralisar o viver, mas a vida segue enquanto se atreve a nos ensinar tantas coisas. O que temos aprendido? Solidão? Em que momento você se trancou do lado de fora?


Todos os dias ao acordar uma vela é acesa para iluminar o planeta sem pretensão religiosa alguma já que a luz da vela desponta o desejo de sair da escuridão. Hoje, ao acendê-la resolvi dedicar meu pensamento a alguém que de tão especial, continua presente no amor e na eternidade.

Lídia foi a tia querida do meu pai e tive a honra de tê-la como madrinha. Quando pequena, lembro de olhar para ela e me encantar com sua capacidade de ser sorridente e positiva fazendo de sua velhice um espelho para meus dias futuros. Quando for velha quero ser assim, pensava ao perceber tanta vida naquele corpo longevo e repleto de ousadia. Lídia ousava viver, apesar dos pesares e dos infortúnios que ora ou outra aparecem para nos roubar a paz e bagunçar a vida.

Sorte tê-la em meu coração de forma tão real e tão certa de que seu amor cuidará de mim nestes dias pesados em que a pandemia da angústia amedronta o momento e nos rouba a vida socialmente compartilhada.

Nada de convívio social, nada de abraços e beijos. Estar isolado é a melhor opção para deter o colapso do sistema de saúde, salvar vidas e cuidar dos idosos. Em que momento me tranquei em casa e me deixei do lado de fora? Coloco-me então para dentro do meu lar e em minha própria companhia consigo finalmente olhar para mim mesma e perceber o amor dela em mim além de tantas outras características deixadas de lado pela correria da rotina insana que insistimos em viver.

Não estou sozinha neste isolamento, não estaremos sós se estivermos em nossa própria companhia.

Vela acesa, penso em Lídia e ouso viver apesar dos pesares.

Abro a janela para respirar o frescor desta época do ano. Rua deserta e a pandemia se faz presente na paisagem fantasma. O medo brota e aflora em pensamentos que tentam paralisar o viver. Respiro fundo e percebo a muda de violeta florindo enquanto o som dos pássaros insiste na cantoria.

A vida segue enquanto se atreve a nos ensinar tantas coisas. O que temos aprendido? Solidão? Em que momento você se trancou do lado de fora?


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Atividade 2 – Observando a Natureza (Debret)
Atividade 3 – Criando meu Jardim (Monet)
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Cristiane T. Pomeranz

Cristiane T. Pomeranz

Arteterapeuta, entusiasta da vida e da arte, e mestre em Gerontologia Social pela PUC-SP. Idealizadora do Faça Memórias em Casa que propõe o contato com a História da Arte para tornar digna as velhices com problemas de esquecimento. www.facamemoriasemcasa.com.br E-mail: crispomeranz@gmail.com.

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