Universidade Aberta à Terceira Idade e Velhice

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A emblemática frase de Pierre Vellas, presente no livro Le troisième soufflé, que descreve toda a história da trajetória de criação da primeira Universidade da Terceira Idade, em Toulouse na França, anuncia o que o seu criador, certamente, sequer sonhava…

Meire Cachioni *

 

universidade-aberta-a-terceira-idade-e-velhiceMil idosos em um único programa e na virada do século XX, mais de cinco mil programas espalhados por todo o mundo, em diferentes continentes, com milhares de pessoas idosas participando de atividades intelectuais e culturais, em busca de uma velhice bem-sucedida.

Contar a história da criação do primeiro programa nos remete às significativas mudanças ocorridas na França a partir dos anos 1960, com a nova política social para a velhice. O país passou, logo após a segunda guerra mundial, por um período em que as condições de vida da população idosa beirou à indigência social. A política de integração da velhice introduzida na França em 1962, que visou a reformas político- administrativas, modificou a imagem das pessoas envelhecidas. Os novos aposentados, com poder aquisitivo da camada média assalariada, tornaram-se sinônimos da arte do bem viver. Fez-se então necessário criar um novo vocábulo para designar mais respeitosamente a representação dos jovens aposentados – surge a terceira idade – sinônimo de envelhecimento ativo e independente.

O eufemismo não apenas tornou a velhice “nominável”, como contribuiu para a visibilidade das necessidades culturais, sociais e psicológicas desse novo grupo etário.

No caminho da invenção da terceira idade, no ano de 1968, foram criadas as Universidades do Tempo Livre, pensadas pelos políticos franceses da educação para proporcionar alfabetização, informações sobre saúde, educação religiosa e educação para o trabalho a adultos de alguma forma desfavorecidos pelo sistema educacional.

Diante de tal contexto, e de uma profunda preocupação de cunho social e humanista, Pierre Vellas, em 1973, criou na Universidade de Ciências Sociais de Toulouse, a “Universitè du Troisième Âge (U3A)”. O professor pesquisou sobre velhice em outros países, conheceu tudo o que pôde sobre políticas internacionais para os velhos. Visitou hospícios, asilos e pensões de aposentados. Verificou que as oportunidades oferecidas aos idosos eram quase inexistentes.

Tirar os idosos do isolamento, propiciar-lhes saúde, energia e interesse pela vida e modificar sua imagem perante a sociedade, foram os objetivos desse primeiro programa. As estratégias que embasaram a definição das atividades foi traçada a partir da história e dos dramas pessoais dos estudantes. Os problemas de alguns eram amostras de uma realidade generalizada: solidão, isolamento, depressão, problemas de saúde.

A grande ideia correu o mundo… vários países já viviam o fenômeno da mudança demográfica e da longevidade. A própria França, na década de 1970, já contava com 18.3% de pessoas com 60 anos ou mais. A expectativa de vida era de 70.3% anos.

A tremenda sede de aprender e conviver dos alunos idosos gerou uma série de desdobramentos na organização e princípios originais da Universidade da Terceira Idade. Em 1974, Vellas criou unidades-satélites da universidade em estações de verão (terapêuticas termais) e de inverno (esqui na neve). O início da década 1980 caracterizou-se pela elaboração de um programa educacional mais amplo, voltado a satisfazer uma população de aposentados cada vez mais nova e escolarizada. Nesse mesmo período, foi criado um centro de pesquisas gerontológicas, ligado ao programa. Já, no final da década de 1980, os idosos tornaram-se protagonistas, com maior participação, autonomia e integração. As pesquisas passaram a serem feitas para, com e pelos estudantes idosos.

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* Meire Cachioni – Editora do volume V. 15, N. 7 (2012) da Revista Kairós, intitulada Universidade Aberta à Terceira Idade e Velhice. Professora Associada do Curso de Bacharelado em Gerontologia da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo (EACH USP). Coordenadora da Universidade Aberta à Terceira Idade da EACH USP. Docente do Programa de Pós-Graduação em Gerontologia da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual de Campinas. E-mail: [email protected]

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