“Uma sociedade que exclui e isola seus idosos é uma sociedade doente”

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Eu tenho avós que também estão um pouco isolados, então isso me emociona bastante. Se respeitamos os mais velhos, respeitamos a nós mesmos e aos outros.


Logo após lançar o programa Top Chef na TV, a chef participante do Top Chef 2020 na França, Justine Piluso, apaixonada pela cozinha desde sua infância, está aproveitando sua crescente notoriedade para defender causas que lhe parecem justas, especialmente as de idosos isolados, a fim de melhorar a sociedade. Ao lado de Étoiles & Solidaires e Petits Frères des Pauvres, ela fará refeições para 80 idosos que vivem sozinhos. Ela contou em entrevista sobre seu compromisso para a Petits Frères des Pauvres em como ajudar a sociedade e os idosos.

Por que você decidiu participar desta ação com a Étoilés & Solidaires e a Petits Frères des Pauvres?

Eu amo essas Associações, sempre quis ser voluntária e nunca tive tempo até então. Como tenho mais tempo agora, aproveito a oportunidade porque me faz feliz e sinto que estou fazendo uma diferença  em pequena escala. Admito que, quando me ofereceram essa ação, eu disse sim imediatamente. Muitas vezes tendemos a esquecer as pessoas isoladas. Este é um assunto pouco comentado, no entanto, para mim, é um assunto muito importante. Eu tenho avós que também estão um pouco isolados, então isso me emociona bastante. Se respeitamos os mais velhos, respeitamos a nós mesmos e aos outros.

Como você se sente ao saber que suas refeições alimentarão pessoas isoladas e desfavorecidas, que não necessariamente têm a oportunidade de provar esse tipo de refeição com frequência?

É por isso que eu cozinho! Honestamente, é isso que me motiva, é dar prazer às pessoas, agradar seus estômagos e suas almas. Porque acho que cozinhar também é bom para a alma (ou para o espírito para os céticos). Acredito que a comida faz bem, é tão agradável quanto um buquê de flores ou um dia no spa. Estou certa de que uma refeição de boa qualidade, preparada com amor, fará bem a eles e talvez os faça querer cozinhar para si!

Você é a única chef que entrega refeições diretamente aos idosos: por que isso é importante para você?

Aceitei imediatamente a proposta da Étoiles & Solidaires de entregar refeições diretamente aos idosos. Minha força motriz é o sorriso e a proximidade das pessoas! É assim que mantenho minha risada e meu entusiasmo pela vida: quanto mais vejo sorrisos, mais sorrio para a vida! Também aproveitei a oportunidade e achei que era uma boa maneira de conhecer pessoas. Caso contrário, seria frustrante cozinhar e não ver os provadores. E por que não, eu também sorrio para os idosos. Eles me dão o sorriso, mas eu também tento transmitir isso!

O isolamento dos idosos é uma luta que te afeta?

Na verdade, eu já era sensível ao isolamento. É um flagelo terrível. Eu tinha avós – hoje resta apenas um – que estavam isolados na Itália e eu na França, foi bastante complicado. Acho que os idosos estão isolados, mesmo que estejam cercados. Eu acho que nós, como sociedade, os isolamos hoje, pela maneira como olhamos para eles … Eu acho que não é fácil ser uma pessoa idosa hoje e mesmo que estejamos cercados, nós podemos estar extremamente isolados. Pessoalmente, isso me toca e… me perturba também porque todos temos que fazer algo a respeito! Eu acho que uma sociedade que exclui e isola seus idosos é uma sociedade doente.

Com uma ação como Étoilés & Solidaires, isso talvez possa mudar a mentalidade dos jovens. Quando eu era jovem, participei de oficinas de culinária em uma moradia coletiva para idosos junto a uma creche: era magnífico, eu nunca tinha visto isso! Eu acho que é isso que deve ser feito, porque as crianças não têm preconceitos, não vêem as diferenças e os idosos também se sentiram valorizados. Existem muitos projetos como este que podem nos ajudar a progredir!

Hoje é importante para você usar sua reputação?

Quando essa reputação chegou, eu disse a mim mesma que seria ouvida e seria capaz de transmitir boas ideias. Eu tento fazer as pessoas consumirem melhor, incentivá-las a respeitar a natureza … Hoje, o que poderia ser melhor do que usar essa notoriedade para associações, causas humanitárias? Eu quero que minha notoriedade ainda cresça, apenas para ter uma voz que pese mais sobre assuntos sérios que podem ser resolvidos se todos começarem a agir.

Este texto, publicado em Petits Frères des Pauvres teve tradução livre de Sofia Lucena. Foto de destaque de omar alnahi no Pexels


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