Um passinho a frente por favor…

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O desconforto nos pés tem as mais variadas origens, entre elas o passar do tempo e as alterações nos sistemas ósseo, muscular e articular. E podem nos impedir de fazer exercícios, de dançar, de brincar com nossos netos, passear com nossos pets, roubando momentos de alegria em nossas vidas. Como cuidá-los?


Quem já não sentiu aquela dor aguda nos pés ao dar um passo, ou qual de nós, para diminuir o atrito do sapato nos pés, já não suportou “… a ponta de um torturante band-aid no calcanhar” como cantou lindamente Elis Regina, que atire a primeira pedra!

Os calos dorsais, interdigitais e plantares, calosidades, unhas encravadas, neuroma de Morton e até uma simples (mas nem tanto) frieira, também conhecida como pé de atleta, podem doer ao ponto de comprometer a marcha, fazendo-nos mancar, ou tornar proibitiva uma caminhada até o supermercado, logo ali na esquina, para fazer uma comprinha banal.  Melhor pegar o carro! E pior, estes incômodos nos impedem de fazer exercícios, de dançar, de brincar com nossos netos, passear com nossos pets, roubando momentos de alegria em nossas vidas.

O desconforto nos pés tem as mais variadas origens, entre elas o passar do tempo e as alterações nos sistemas ósseo, muscular e articular. O Podoterapeuta especializado em Podologia aprende a identificar sinais e sintomas que o capacitam a sugerir ao cliente que procure um profissional da área médica, para solucionar a origem do problema, sempre que esta correção exceda os limites do seu trabalho. Como consequência, o serviço oferecido pelo profissional de Podologia é frequentemente prestado de forma interdisciplinar com Dermatologistas, Ortopedistas, Endocrinologistas, Cirurgiões vasculares ou Geriatras conforme a podopatia encontrada.  Este trabalho em conjunto é determinante para manter os pés – pele e unhas – saudáveis.

Por outro lado, existem cuidados que podemos e devemos tomar para prevenir problemas como descolamento de unhas, micoses, pé de atleta e outros:

Um passinho a frente e vamos a eles:

Higiene

a) Lavar os pés diariamente e secá-los com especial atenção para o espaço entre os dedos. Os fungos procuram lugares quentes, úmidos e escuros para  proliferar;

b) Usar papel higiênico dobrado para secar os espaços entre os dedos, iniciando pelo espaço entre o hallux (dedão) e o segundo dedo e assim sucessivamente, alternando pedaços  do papel ou então partes alternadas da toalha de banho;

c) O uso do secador é permitido desde que esteja ajustado na temperatura FRIA;

d) Evitar os pés úmidos por muito tempo;

e) Cortar as unhas dos pés, respeitando a curva natural das mesmas;

f) Proteger os pés do contato com produtos químicos, ex. produtos de limpeza;

g) Fazer rotação de calçados.  O calçado utilizado em um dia,  deve ser higienizado, ventilado e poupado de uso por dois dias, antes de ser usado novamente. O mesmo se aplica aos tênis com a intenção de prevenir a proliferação  de fungos;

h) Usar meias de fibras naturais como algodão, bambu, lã e linho, de preferência sem punhos, para evitar compressão;

i) Trocar e lavar as meias diariamente;

j) Usar calçados em locais públicos para evitar infecções:  sandálias nos chuveiros de academias e hotéis; não andar com pés descalços nos quartos de hotéis.

Hidratação

a) Depois de lavar e secar muito bem os pés, hidratar as regióes dorsal e plantar.  É proibido hidratar entre os dedos para evitar que estes espaços fiquem úmidos. Cuidado com  fungos!

b) Hidratar as unhas;

c) Escolher hidratantes de toque seco, específicos para os pés, para evitar que eles deslizem dentro do sapato, o que pode causar tropeços e quedas. Os  produtos muito oleosos formam um filme impermeabilizante na camada superficial da pele, deixando de hidratá-la adequadamente. Caso seja necessário utilizar produto oleoso, melhor aplicá-lo a noite e usar meias.

d) Deixar o hidratante na mesinha de cabeceira facilita o trabalho;

Manter as solas dos pés hidratadas é questão de saúde! Esse cuidado diário previne o surgimento de fissuras que são portas de entrada para bactérias e fungos que podem levar a infecções. 

Calçados

a) Comprar sapatos no período da tarde porque os pés estarão levemente mais inchados do que são normalmente. Experimentá-los no fim do dia evita o sofrimento com calçados apertados, principalmente no verão. Esse cuidado evitará atritos que provocam descolamento de unhas, calos e calosidades entre outros desconfortos;

b) Quando o segundo dedo for maior que o dedão ele é quem manda na hora de verificar o tamanho da biqueira para escolher o  calçado mais adequado;

c) O tamanho dos pés costuma mudar com a idade, muitas vezes ficam maiores e mais largos. Se um pé for maior que o outro, comprar calçado do tamanho que caiba no pé maior e o pé menor será acomodado no calçado com a ajuda de uma palmilha;

d) Atentar para a largura do sapato que deve acomodar os pés sem deformá-los. Uma dica é colocar o calcanhar sobre a parte de trás do calçado (isso mesmo, amassando-o levemente) para verificar se o antepé está acomodado, sem superposição de dedos;

e) Para diabéticos, sapato sem costuras internas para evitar fricção, bico arredondado e parte de trás reforçado são indispensáveis;  

f) Para as mulheres, saltos de ate 3cm no dia a dia. Saltos mais altos somente em ocasiões especiais, que não exijam caminhadas ou ficar em pé por muito tempo;

g) Proteger os pés do calor e do frio extremos especialmente quando tiver neuropatia periférica que afeta a sensibilidade. Diabetes pode causar neuropatia periférica.          

Para finalizar                                                          

a) Inspecionar diariamente  as unhas e  a pele no peito, na sola e entre os dedos do pé.  Um espelho ajuda a enxergar melhor a face plantar.

b) Evitar ficar sentado por longos períodos. Mexer os dedos dos pés e flexioná-los várias vezes ao dia.

c) Nas visitas ao médico, comentar sobre qualquer alteração ou desconforto nos pés, principalmente os portadores de diabetes.

Agora vamos cantar?


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Maria Eliza Henriques Silva

Bacharel em Direito, pela Faculdade de Direito de Curitiba. Técnica em Podologia pelo SENAC. Bacharel em Podologia pela International University of the Health Sciences – School of Medicine de St. Christopher and Nevis, em associação com NASP - North American School of Podology. Certificada como Master Pedicure pelo NASP – North American School of Podology (USA). Certificada para atendimento de pés em risco (At Risk podology) pelo NASP – North American School of Podology (Canadá). Curso de educação continuada Fragilidades na Velhice: Gerontologia Social e atendimento, PUC SP . Voluntária de atendimento Podológico na ILPI Recanto das Vovós em Cotia, SP e na ILPI Pró Vida S. Sebastião em São Paulo, SP. E-mail: [email protected]

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