Um homem, uma mulher: diferença de idade, importa?

Não importa, passe o tempo que for, a questão da diferença de idade em um relacionamento afetivo é sempre tema muito discutido e controverso. Desde que o mundo é mundo, é frequente encontrar mulheres maduras com homens, digamos, bem jovens, homens sessentões com meninas bem mais jovens que suas próprias filhas. Sim, esta parece ser a tendência e, atores e atrizes, parecem confirmar um tipo de relação que veio para ficar, e por que não?

 

 

um-homem-uma-mulher-diferenca-de-idade-importaFalando no mundo das estrelas, podemos lembrar Marília Pera, Suzana Vieira, Madonna, Marília Gabriela, Demi Moore e tantas outras mulheres que ousam novas possibilidades e pouco se importam com a opinião e julgamento alheios. Entre os homens o cenário não é diferente. A questão é que somos um tanto moralistas: para eles, tudo ou quase tudo é permitido, afinal são homens. Mas para as mulheres, aquelas que temos registrado como “santas e mães eternas”, para essas não, situação não permitida, com certeza. Essas, se não forem artistas, receberão a “letra escarlate” no peito.

Bem, Maia, em sua reportagem “Diferença de idade é um problema?”, questionando se este tipo de relação pode dar certo, segue em busca de respostas e acaba iniciando sua reflexão pelas pesquisas científicas.

Ela relata que em 2010, o Instituto de Pesquisa Demográfica Max Planck, na Alemanha, desenvolveu um estudo e a recomendação era clara: ‘mulheres devem se casar com homens da mesma idade se quiserem manter, em alta, sua expectativa de vida’. Segundo o estudo, o mesmo não se dá com os homens, que têm sua expectativa de vida aumentada quando se relacionam com mulheres mais jovens.

A pesquisa teve como base mulheres casadas, e concluiu que mulheres casadas com homens 7 a 9 anos mais jovens têm o risco de diminuir a expectativa de vida aumentado em 20%. Se elas forem casadas com homens 7 a 9 anos mais velhos, o risco é de 11%. O estudo não consegue apontar as causas de mortalidade, que permanecem desconhecidas. Para o estudo foram pesquisados 2 milhões de casais dinamarqueses.

Como muitos trabalhos, este nos leva a muitas dúvidas. Qual a razão desta terrível e preconceituosa constatação? Poderíamos levantar inúmeras hipóteses relacionadas a fragilidade e tantas outras inquietações femininas, mas creio que nenhuma delas conseguirá, na verdade, chegar na essência do que realmente acontece numa relação a dois sempre tão complicada, resultante da própria dinâmica e química da “dupla”. Isto sem contar com os fatores externos que sempre influenciam, já que não vivemos numa ilha, isolados do mundo.

Maia pergunta: “O que leva a mulher madura a se envolver com jovens?” A pergunta, por si só, já direciona, porque cada um se relaciona com quem bem entende. Descobrir o que faz duas pessoas com uma diferença de idade significativa se amarem ou simplesmente desejarem estar juntas é um daqueles mistérios que não nos cabe desvendar, prefiro as pesquisas que trabalham grupos definidos e fazem recortes precisos de determinadas situações.

Segundo Maia, “o que atrai é a liberdade de poder escolher e fazer tudo. Jovens têm certezas, não têm marcas, não têm medos. São tensos por natureza. Seu senso de urgência é urgentíssimo. Eles possuem uma sede de vida, de amor, de experiências que encanta. Não tem amarras. São intensos, tensos, vida ou morte. São antenados, modernos e possuem aquele aspecto natural da idade, de beleza física, do sexo, do que não tem limites. E por isso nos apaixonamos por seu olhar atento, sua vontade de tudo aprender, tudo tentar. Admiramos a forma como lidam com seus problemas, suas questões internas, seus amigos.”

Ela continua: “Enfim, mais do que tudo isso, eu acredito que esteja aí o maior ganho, gostamos mais e mais de resgatar em nós essa mesma sensação. Queremos eternizar nossa jovialidade, queremos ser garotas outra vez. E, então, tão inconsequentes quanto, nos entregamos a essa aventura que nos enche de loucura, paixão, calor e, por que não, aprendizado.”

Maia finaliza sua reflexão com o angustiante “O que vai ser depois” e derrapa numa afirmação de que “esse tipo de relação tem começo, meio e fim”. Na verdade, todas as relações seguem este caminho, não como há evitar um fim, seja com o término daquilo que já não é mais possível (amor, às vezes, ódio), seja com a morte. Não há como evitar, tudo nesta vida é finito. Insisto, independente da idade, as diferenças sempre vão existir, gritantes ou encantadoras, tudo vai depender da maneira como lidamos, acariciamos uma relação sempre especial, que se desenvolve e algumas vezes termina com o passar dos anos.

Penso que as nossas escolhas não são eternas, elas acontecem num flash que nos leva a caminhos surpreendentes e ao mesmo tempo arrasadores, em muitos sentidos, para o bem ou para o mal. As relações não se dão de forma tão planejada ou racional como gostaríamos. Elas simplesmente acontecem. Se há uma troca e aprendizado do mais novo para o mais velho e vice-versa, bobagem. Quando é amor mesmo, não se pensa em nada, apenas no outro que está diante de você. E o desejo é desfrutar cada instante, em todos os detalhes, varrendo toda geografia, permitida ou não.

Melhor mesmo é terminar com o encantador Frejat com seu “Por você”. Diferença de idade? Quem se importa… “Por você”… vale tudo!

“Por você eu dançaria tango no teto, eu limparia os trilhos do metrô, eu iria a pé do Rio à Salvador. Eu aceitaria a vida como ela é. Viajaria a prazo pro inferno, eu tomaria banho gelado no inverno. Por você! Eu deixaria de beber. Por você! Eu ficaria rico num mês. Eu dormiria de meia pra virar burguês. Eu mudaria até o meu nome, eu viveria em greve de fome. Desejaria todo o dia, a mesma mulher. Por você! Por você!”

Referências

FREJAT, R. (2008). Por você. Disponível Aqui. Acesso em 15/11/2011.

MAIA, S. (2011). Diferença de idade é um problema? Disponível Aqui. Acesso em 06/11/2011.

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Redação Portal do Envelhecimento

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