Trabalhando pequenos aspectos do cotidiano dos residentes

O Asilo V. V. é uma entidade pública fundada em 01 de março de 1940. É uma instituição civil de direito privado beneficente sem fins lucrativos. Mantêm convênio com universidades locais que desenvolvem trabalhos com os residentes através de projetos de extensão e estágios regulares nas mais diversas áreas.

Maria Amélia Ximenes

 

Apresenta capacidade para 100 idosos, sendo 20 vagas destinadas a um programa chamado centro de convivência e 80 para internos. Hoje abriga 82 idosos, sendo 47 homens e 35 mulheres dos quais 16 estão acamados e 2 pertencem ao centro de convivência.

Trabalham na instituição um total de 42 funcionários divididos entre: telemarketing, enfermagem, cozinha, assistência social, serviços gerais, auxiliares de escritório, recreacionista e psicóloga.

A arquitetura do local é formada por 4 pavilhões que abrigam os internos (2 masculinos e 2 femininos) e onde se localizam os banheiros, o ambulatório, a sala de fisioterapia, o consultório odontológico, a sala de terapia ocupacional e a de telemarketing. Na entrada principal à direita fica a capela, à esquerda a administração e a residência das irmãs, à frente o salão onde ficam situados a sala de jogos, o refeitório coletivo, a cozinha e o dispensário. Por trás fica a lavanderia, a marcenaria, a enfermaria, a sala para velórios e poço artesiano, sendo o mesmo responsável pelo abastecimento de água do local.

A Universidade do Sagrado Coração, através do Curso de Terapia Ocupacional durante a disciplina Terapia Ocupacional Aplicada à Gerontologia e Geriatria desenvolve pequenos projetos de intervenções, com o objetivo de promover ao aluno a oportunidade de vivenciar em sua prática profissional o atendimento em instituição asilar, fazer uma avaliação institucional, detectar situações interventivas, planejar, elaborar e executar projeto de intervenção asilar que dê conta dos objetivos propostos por este.

Um dos projetos elaborados pelas alunas se preocupou com o corpo envelhecido e o estímulo ao auto cuidado permanente. Segue um resumo.

Projeto Cuidando do Corpo

Autoras: Aline Azenha, Daiúcha Camargo, Juliana Cruz, Roberta Francisco e Simone Siqueira.

Supervisão: Profa. Maria Amélia Ximenes

Introdução

O envelhecimento pode ser caracterizado como sendo um processo dinâmico e progressivo com diversas e significativas modificações tanto morfológicas como funcionais, bioquímicas e psicológicas. Tais modificações podem acarretar uma perda da capacidade de adaptação do indivíduo ao meio ambiente, ocasionando uma maior vulnerabilidade e uma incidência maior de processos patológicos que terminam por levá-lo à morte.

Amâncio e Cavalcanti (1975) comentam que o envelhecimento representa um processo individual, cuja característica principal é a acentuada perda da capacidade de adaptação e uma menor expectativa de vida. Isso significa excessiva vulnerabilidade e reduzida viabilidade diante das forças normais da mortalidade. Pode ser caracterizado como algo singular, de cada pessoa. O idoso vai vivenciar sua velhice de acordo com sua experiência de vida.

Portanto trata-se de um processo que acompanha o indivíduo desde o momento de seu nascimento. É no transcorrer de nossa vida que nos deparamos com as várias etapas referentes a esse envelhecer e estas nos levam ao processo final da vida que é a velhice, etapa muitas vezes caracterizada por perdas, principalmente no que se refere ao corpo, nos deixando um pouco mais vulneráveis as doenças.

Objetivos

Diante de uma realidade asilar de isolamento social, falta de estímulo para continuar a viver, despersonalização do indivíduo asilado e conseqüentemente uma baixa de sua auto-estima; fica claro a necessidade de se trabalhar aspectos relativos ao corpo e seu envelhecer através de atividades de auto cuidado.

O projeto teve como objetivo aumentar a auto-estima das idosas residentes, melhorar aspectos relacionados à higiene corporal, proporcionar estímulos sensoriais promovendo uma melhor irrigação da pele e o estímulo ao auto cuidado permanente, visando uma melhora na qualidade de vida das residentes.

As atividades escolhidas foram:

Utilização de hidratante;
Com o envelhecimento, algumas alterações vão se apresentando na pele, de forma variada, no homem e na mulher após os 40 anos. Dentre estas se destaca: pele mais seca e fina com menor elasticidade e as glândulas sudoríparas, responsáveis pelo suor, diminuem em atividade e número. (Rodrigues e Diogo, 2002 p. 25)

Pentear os cabelos fazendo uso de pente ou escova adaptado e espelhos;
No envelhecimento, normalmente ocorre uma diminuição do cabelo, mas, mesmo assim, os cabelos devem ser escovados diariamente para estimular a circulação sanguínea do couro cabeludo e para auxiliar na manutenção da higiene e na distribuição de óleo ao longo de cada fio de cabelo. (Rodrigues e Diogo, 2002 p.39)

Ao engrossar os cabos dos pentes e escovas proporcionamos as idosas uma melhor preensão, firmeza no pegar, otimizando a atividade.

Passar batom;
A boa aparência influi na auto-estima, portanto, o uso de outros produtos de maquiagem, como batom, sombra, blush, podem ser utilizados conforme os hábitos da idosa, tendo – se o cuidado de não expô-la ao ridículo, quando usados em exagero. (Rodrigues e Diogo 2002 p.41)

Procedimento

Foram realizadas 7 (sete) visitas semanais à instituição no período de 20/09/2004 a 08/11/2004 durante 2 horas.

Inicialmente foi feito um contato no qual as alunas visitaram quarto por quarto, apresentaram-se e apresentando a proposta a cada uma das idosas, explicando os objetivos da atividade e verificando interesses.

Na semana seguinte as alunas ofereceram o hidratante as residentes escolhidas (aquelas que não apresentavam problemas graves de pele ou alergia e que podiam desempenhar a tarefa), em seus devidos quartos. Este contato fez o grupo repensar as atividades propostas anteriormente e concluíram que seria melhor dar continuidade somente a esta atividade, nos próximos cinco encontros, por esta levar um tempo considerável para o seu desempenho, pela riqueza de aspectos a serem trabalhados e por ser bem aceita pelas idosas. Assim as outras atividades antes propostas foram descartadas.

Resultados

O grupo teve oportunidade de trabalhar aspectos até então esquecidos pelos idosos como o toque no próprio corpo, perceber-se então como um corpo que necessita de cuidados e como pessoa viva. Falas como: “minha pele está melhor, estava mais grossa, é bom passar creme”, “quando eu era nova, era vaidosa… não tinha essa pele”, “tenho essa pele assim porque eu trabalhava na roça, pegava sol”, comprovam o fato. Foi possível ainda vivenciar movimentos corporais (gostam de permanecer deitadas, na maioria das vezes): a idosa ao passar o creme no próprio corpo experimentou uma diversidade de posturas, movimentando-se conforme o seu ritmo e estado físico. Resgataram suas histórias de vida, trocaram experiências com as alunas, riram, choraram, enfim experimentaram um momento diferente do habitual, saindo um pouco da “mesmice” asilar, melhorando suas auto-estimas.

Conclusão

Para que os residentes em instituições asilares possam vir a ter uma vida com mais significado, mantendo sua autonomia e independência, não há necessidade de grandes projetos assistenciais, basta que seja trabalhado pelo menos o básico pelos seus profissionais.

Este projeto elaborado pelas alunas fez-nos perceber que, se os profissionais responsáveis pelo cuidado dos residentes fizessem um trabalho diário, no qual tivesse por meta estimular e incentivar as atividades de auto-cuidado, ficando atentos ao corpo que está sendo estimulado a fazer essas atividades, chamando sempre a atenção desse idoso para esse fazer e o resultado deste, haveria asilos mais “humanos” e asilados com uma melhora em sua qualidade de vida.

Referências

AMÂNCIO, A.; CAVALCANTI, P. C. U. Clínica Geriátrica. Rio de Janeiro: Atheneu, 1975.

RODRIGUES, R. A. P.; DIOGO, M. J. D.(Orgs.). Como cuidar dos idosos. Campinas: Papirus, 1996. Coleção Vivaidade.

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Redação Portal do Envelhecimento

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