Todo sentimento… por você

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Então, deixemos os medos e as dores um pouquinho de lado – questões tão tristes do momento – para devanearmos sobre o amor; claro, tudo ao longo de um processo delirante, sacramentado com a benção daquele que comanda o nosso Tempo: Ele, o soberano de todas as coisas, que movimenta as “peças” com a destreza de um ilusionista e a sabedoria de um hermitão.


Pois não me venham mais dizer que é o movimento dos corpos celestes que constitui o tempo… É em ti, meu espírito, que eu mensuro o tempo.” (Santo Agostinho)


Chico Buarque e Cristóvão Bastos, compositores, músicos, poetas, gênios, homens que, com toda simplicidade das palavras, sabem fazer das emoções a mais pura expressão do que realmente significa amar alguém. E é tomando “Todo Sentimento” e recortes do amor de Dolores Duram e seu eterno Antonio Maria – nós e eles na esteira do tempo – que traduzo aqui meu mundo interno… por você e para você. Então, deixemos os medos e as dores um pouquinho de lado – questões tão tristes do momento – para devanearmos sobre o amor; claro, tudo ao longo de um processo delirante, sacramentado com a benção daquele que comanda o nosso Tempo: Ele, o soberano de todas as coisas, que movimenta as “peças” com a destreza de um ilusionista e a sabedoria de um hermitão.

Se a apaixonada Dolores estivesse aqui, diria: “me dê a mão e vamos sair por aí pra ver o sol”… Na ausência dela, quem sabe um carinho te faça seguir ao meu lado, nesse breve encontro que é a vida.

E se a vida for assim tão generosa que me faça encontrar você pelo caminho, terei em meu coração aflito que “preciso não dormir até se consumar o tempo da gente”.

Porque se fechar os olhos naquele terrível segundo que sempre escorre pelos dedos, já não o terei. E amanhã? Quem sabe dizer…

“Preciso conduzir um tempo de te amar, te amando devagar e urgentemente”. Porque aqueles que amam, sentem tudo na lentidão do tempo amigo, do companheiro e parceiro de todas as horas, o grande Kairós, o tempo vivido, o tempo da gente.

E digo quantos vezes for, NÃO ao vilão Cronos, o maldito senhor implacável que comando o 1, 2, 3… e acabou. Como grita a rainha louca dos nossos contos de fada: que cortem as cabeças, que torçam todos os ponteiros com seus segundos impiedosos, seus minutos cruéis e suas temidas horas que carregam a desesperança de, com otimismo, um pouco mais.

E se a vida me obrigar a partir, terei comigo que “pretendo descobrir no último momento um tempo que refaz o que desfez, que recolhe todo o sentimento e bota no corpo uma outra vez”.

Imagem do filme Cartas a Julieta em que o “e se” esteve presente o tempo todo

Porque se tudo é o que realmente foi, uma palavra sempre haverá, como antes, um toque sempre a postos que reorganiza as sensações na pele, dando movimento, aquele interno sabe, na mente e na alma onde tudo se desfez. É o trabalho do tempo, o tempo dos amantes que corre como louco em busca dos instantes. É o tempo que segue seu próprio curso, sem lamentos ou arrependimentos.

E se para você, um dia, tudo não fizer mais sentido, terei comigo que “prometo te querer até  o amor cair, doente, doente. Prefiro então partir a tempo de poder, a gente se desvencilhar da gente”.

Porque a via do amor tem sempre duas mãos e as duas devem seguir na mesma intensidade dos sentimentos, das sensações, das conexões. É como se fosse uma mesma velocidade do pensar e do sentir, talvez em ritmos e cores diferentes, mas cada qual alucinante no desejo e na compreensão mútua.

Finalizando: não existem todos esses “e se…” porque quem ama de forma visceral, ardente nos gestos e nas palavras, sempre há de negar os ponteiros do relógio, bolas para todos eles, que venha sim todo esplendor do Nosso Tempo, o Tempo Kairós que nos faz melhores a cada dia, a cada encontro, a cada olhar. E não haverá idade orquestrada por Cronos que nos afaste… talvez a eternidade, mas a resposta nunca saberemos.

Quem terá a chave dos mistérios da existência?

Assim, hei de dizer: “Depois de te perder [por alguns ou muitos dias ou meses], te encontro com certeza, talvez num tempo da delicadeza, onde não diremos nada, nada aconteceu, apenas seguirei, como encantada [sempre] ao lado teu”.

Então meu amor, “quero que você me dê a mão vamos sair por aí sem pensar no que foi que sonhei, que chorei, que sofri, pois a nova manhã já me fez esquecer. Me dê a mão vamos sair pra ver o sol…”

Dedicado aquele que me faz melhor, todos os dias e todas as horas.


Foto destaque: Nikki Bernadez

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Luciana Helena Mussi

Luciana Helena Mussi

Engenheira, psicóloga, mestre em Gerontologia pela PUC-SP e doutora em Psicologia Social PUC-SP. Editora-executiva da revista Kairós Gerontologia. Coordenadora da Coluna Filmografia do Portal do Envelhecimento. Professora do Curso de Especialização em Gerontologia (Cogeae-PUCSP). E-mail: lucianahelena@terra.com.br.

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