Tempo de Renovação e Esperança

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E hoje, domingo 4 de abril de 2021, no pior momento da pandemia de Covid-19, celebramos um evento que simboliza, para os cristãos, renascimento, renovação e esperança!


Vivemos tempos sombrios! Doença, Fome e Morte são as assombrosas companhias diárias! O medo, a desesperança e a tristeza são os sentimentos que prevalecem no Brasil e no mundo. Mas, pelos números de 330 mil mortos e o crescimento dos famintos no país, nos vemos em uma situação mais grave!

E, hoje, domingo 4 de abril de 2021, no pior momento da pandemia de Covid-19, celebramos um evento que simboliza, para os cristãos, renascimento, renovação e esperança! Os mesmos sentimentos com os quais se comemorou, há poucos dias, a Páscoa Judaica – Pessach – que significa “passagem”, ou travessia, fazendo referência ao episódio da libertação do povo hebreu do cativeiro egípcio. Na tradição cristã a Páscoa celebra a ressureição de Cristo, após sua crucificação e morte!

Nas duas tradições celebra-se a vitória da Vida sobre a Morte.

Metaforicamente, representa-se a passagem do exílio da desesperança para a Terra Prometida ou Novos Tempos! Recomeço. Esperança! Vida Nova!

Devemos neste domingo refletir sobre este embate real entre a Morte, a Desesperança e o Medo versus a Força da Esperança e Fé na Vida. Na tradição cristã esta é a mensagem mais significativa porque a Ressureição significa o triunfo da Vida Sobre a Morte. Neste cenário contraditório celebramos renovação das Esperanças.

Lembramos aqui a afirmação do filósofo francês Edgar Morin, em entrevista ao jornal francês Le Monde (2010), que “a verdadeira esperança sabe que não tem certeza. É a esperança não no melhor dos mundos, mas em um mundo melhor”.

Talvez seja esta possibilidade que possamos vislumbrar neste momento. Que o sofrimento, a dor e o medo possam se transformar em espaço privilegiado de aprendizado e regeneração de sentidos, que nos encaminhem para a renovação e esperança por um mundo mais solidário.

Voltamos a Morin (2020) que afirma:

A crise deveria, sobretudo, abrir nossas mentes, há bastante tempo reduzidas ao imediato, ao secundário e ao frívolo, para o essencial: a importância do amor e da amizade para nosso florescimento pessoal, para a comunidade e para a solidariedade de nossos “eus” nos “nossos”, para o destino da Humanidade, dentro da qual cada um de nós é uma mera partícula. Em suma, o confinamento físico deveria favorecer o desconfinamento mental.

A pós-epidemia será uma aventura incerta na qual se desenvolverão as forças do pior e do melhor, estas últimas estando ainda debilitadas e dispersas. Saibamos enfim que o pior não é certo, que o improvável pode irromper, e que, no titânico e inextinguível combate entre inimigos inseparáveis Eros e Tânatos, é sensato e revigorante tomar parte de Eros.

Desejamos que hoje se inicie o Tempo da Renovação baseada no Amor, na Ciência, na Solidariedade e Esperança de tempos e espaços de vida plena.

Referências
Morin, E. Um festival de incerteza. Instituto Morin. Junho de 2020. Unisinos. Disponível em: http://www.ihu.unisinos.br/78-noticias/599773-um-festival-de-incerteza-artigo-de-edgar-morin

Foto de Wendy Routman no Pexels


Vera Brandão

Pedagoga (USP); Mestre e Doutora em Ciências Sociais (PUCSP); com Pós.doc em Gerontologia Social pela PUCSP. Docente. Pesquisadora do Núcleo de Estudo e Pesquisa do Envelhecimento (NEPE-PUC/SP). Editora da Revista Longeviver (https://revistalongeviver.com.br) e Coordenadora Pedagógica do Espaço Longeviver. E-mail: [email protected]

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