Suplementos vitamínicos nos idosos

Rever a literatura científica dos últimos dez anos sobre o uso de suplementos vitamínicos na população idosa consistiu no tema de pesquisa de mestrado.

João Nuno Gamito Lopes (*)

 

O consumo de suplementos vitamínicos pela sociedade atual tem sofrido um aumento bastante significativo nesta última década. Para este aumento de consumo, a população acima dos 50 anos bastante tem contribuído. Tratando-se, a população idosa, de indivíduos com várias patologias e polimedicados, a possível existência de interações medicamentosas e sobredosagem tornam pertinente o estudo da relação destes indivíduos com o uso de suplementos vitamínicos.

Para além disso, a dispersão da literatura científica, e principalmente das conclusões dos muitos estudos nesta área, leva a um desconhecimento da realidade da parte do médico, mas também do utilizador deste tipo de produto.

Daí nosso objetivo: rever a literatura científica dos últimos dez anos e atualmente disponível sobre o uso de suplementos vitamínicos na população idosa.

Para isso utilizamos como métodos a revisão da literatura médica internacional sobre o tema, quer revisões quer estudos originais, através da pesquisa na base de dados PubMed com os termos MESH “aged” e “vitamin supplements”, definindo como intervalo de tempo entre 2003 e 2013.

Verificamos que a relação entre o uso de suplementos vitamínicos e a população idosa abrange vários temas. A caracterização do consumidor-tipo deste gênero de produtos encontra-se documentada na maior parte da literatura, quer por diferentes características, quer por hábitos ou estilos de vida, assim como os suplementos mais utilizados por estes.

Outros temas de relevante importância são a sobredosagem, as interações com os medicamentos, a função cognitiva, assim como a relação da incidência de doença cardiovascular, cancro e mortalidade com o consumo de suplementos vitamínicos.

As limitações existentes à análise dos diferentes estudos, assim como a sua comparação, são apresentadas por diferentes artigos. O problema da definição de suplemento vitamínico, assim como a sua forma, dose e tempo de consumo são as limitações que mais vezes são focadas, dificultando a extrapolação para a população que a amostra representa.

O enriquecimento alimentar, medida adotada por alguns países, é também motivo de análise por interferir em alguns estudos.

Em relação à relação das patologias e o consumo de suplementos vitamínicos, sublinha-se o grande período de latência da doença oncológica e o curto acompanhamento da população em estudo.

Concluímos que a variedade de limitações torna difícil a generalização da informação avançada por diferentes estudos. A regulamentação deste gênero de produtos é um primeiro passo para ultrapassar estas limitações.

Para além disso, a partilha de informação referente ao uso de suplementos vitamínicos deve ser fomentada entre o médico e o seu doente.

De futuro, no que refere a estudos científicos, salienta-se a importância de identificar indivíduos vulneráveis a determinados suplementos, assim como avaliar a possibilidade de combinação de nutrientes no risco da doença.

Serviço
Dissertação de mestrado: Suplementos vitamínicos nos idosos
Pesquisador: João Nuno Gamito Lopes
Instituição: Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra
Data de defesa: 22/01/2019
Orientador: Manuel Teixeira Veríssimo.

(*)João Nuno Gamito Lopes – Mestre pela Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra, Portugal. E-mail: joaongl@gmail.com

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A Rede de Programas Interdisciplinares em Envelhecimento - REPRINTE, consolidada oficialmente em outubro de 2017, integra os programas de pós-graduação que têm como problema de pesquisa o envelhecimento, objetivando intercâmbios, compartilhamentos e fortalecimento de objetivos e/ou temáticas comuns.

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