Skype, neto e avó: um encontro que deu certo!

No ritmo que escolhi para viver o tempo que vivo, calmo e sem pressa, ando, apenas ando atrás da tecnologia. Esta sim, avança sôfrega em direção a um futuro de espécie que nem imagino. Mas um pedido de neto super-ultra-maxi eletronicizado, de onze anos, eu não deixaria de atender!

Mauisa Annunziata *

 

skype-neto-e-avo-um-encontro-que-deu-certo– Vovó, você está aí em S.Chico, minha mãe foi trabalhar em Vitória e amanhã tenho prova de Português, vovó. Vou ficar de recuperação…

Nessa emergência crucial, na vontade de atender meu neto querido, antes de pensar, ouvi minha voz apelar para a modernidade:

– Ah! Querido, podemos estudar juntos pelo Skype!!!

– Cê consegue, vó?

– Ah!, acho que sim! Você me ajuda?

– Vó, às duas horas eu te ligo, vc. fica com o Skype ligado e aí vc. me atende e…

Às duas horas eu estava a postos, diante do computador esperando a chamada. Eu não podia falhar, ó santo protetor dos humores da eletrônica. Ele me protegeu. Meu neto me disse onde encontrar a tal câmera e… lá estava sua imagem, cabelo diferente recém cortado, um corte de rapazinho, já!

– Viu meu cabelo? Gostou? Perguntou penteando-se diante da própria imagem, pequena, à esquerda da sua tela.

– Nossa, você parece o Justin Biber (ator e cantor adolescente americano)

– Ah vó, num brinca, ele riu.

E começamos. Durante uma hora expliquei pronomes. Tentei mostrar o significado dessas palavras, combinando-as com a função. (Ele não parava de se olhar e ver sua nova figura no canto da tela). Fica no lugar do nome de alguém, ou do nome de algum objeto. Amo você, para não repetir sempre amo o Carlos, amo o Carlos.

Passamos para os advérbios. (Ele se penteava de novo) Expliquei como a intensidade do sentir, muda o sentir: amar muito, meu querido, é diferente de simplesmente amar.

Conjugamos verbos. (Ele passou a mão no cabelo) Pretérito Perfeito é ação realizada no passado (nem disse a ele que muitas vezes o passado não foi nada perfeito mas que para alguns pode ter sido mais-que-perfeito). Na verdade, aos onze anos, só se devia estudar o futuro do presente. (Ele fez uma careta para si mesmo). Mas ele aos onze anos tinha de saber conjugar todos os tempos, em todas as pessoas.

Nós seguimos, vós seguistes… Não, meu amor, preferi seguir a linha que meu coração apontava, sempre… (Ele se olhava bocejando).

Perguntou-me sobre metáfora, paradoxo e antítese. Para mim, foi como ter de apresentar o esqueleto colorido de um poeta a um menino; treinar um gato a nadar; pensar num modo de ensinar diferente do que se faz. Ele ria e ria dos exemplos.

Como está bonito esse meu neto! Senti-me recuperada de algum modo.

A nota da prova foi 8,5.

* Mauisa Annunziata é pedagoga, especializada em Criatividade, com formação em Fenomenologia na Coordenação de Grupos. Poeta e cronista. E-mail: mauisa@uol.com.br

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