Sexualidade na terceira idade… as coisas estão mudando

A sexualidade na terceira idade pode ser vivenciada das mais diversas maneiras possíveis, muitas vezes como uma forma de expressão e de carinho, e esses sentimentos dificilmente se perdem no tempo.

Vanessa Fonseca Dos Santos (*)

 

Em qualquer idade sempre será tempo de novas experiências, tempo de expressar a singularidade que permeia cada ser humano, e que para cada um, há um começo, meio e fim próprio. Afeto, intimidade e amor, são elementos de fundamental importância na vida.

A sexualidade envolve aspectos que ampliam a percepção do contato íntimo, em especial na velhice, como carícias, toques e beijos, mas também um boa parceria de vida.

O prolongamento da vida traz também a formação de novos vínculos afetivos, casamentos, dentre outras formas de união, especialmente para os homens. Essas uniões tendem a perdurarem, uma vez que nessa altura da vida cada membro já constituiu suas próprias famílias e os idosos têm somente um ao outro para dividir suas angústias, inseguranças e transtornos físicos e emocionais que teimam em aparecer dia após dia. Muitos se tornam cúmplices, ficando juntos até o fim de suas vidas.

O sexo na terceira idade, mesmo envolto em preconceitos e frustrações não é, e nem pode ser, uma barreira para uma vida sexual ativa. Embora muitos homens e muitas mulheres envelhescentes tenham consciência das mudanças que ocorrem em seus corpos, e que essas alterações podem causar várias dificuldades na vida sexual, nem todos têm consciência ainda disso.

Fatores de interferência relacionados a condição física são frequentes, mas encontramos outras barreiras a serem ultrapassadas. Entre elas a questão do preconceito entre o próprio grupo de idosos, preconceito entre outros membros da família e entre pessoas da sociedade em geral, sem falar na autocrítica que os fazem acreditar que não possuem mais direito em se deixar amar, em se permitir e a ter prazer. Tão pouco em tentar construir novos laços e vínculos. Portanto, se auto sabotam para serem vistos com respeito ante as pessoas de seu convívio familiar… mas as coisas estão mudando.

A sexualidade na terceira idade, assim como nas demais faixas etárias, não se refere somente ao ato sexual, mas a troca de carícias, afeto, companheirismo, carinho, vaidade e o cuidado consigo mesmo e com o parceiro. Mais até que nas outras fases, como na juventude. A pessoa idosa necessita ter com seu parceiro um grau ainda maior de intimidade. O amor não pode faltar, nem o sexo.

A sexualidade pode ser vivenciada pelos idosos das mais diversas maneiras possíveis, muitas vezes como uma forma de expressão e de carinho, e esses sentimentos dificilmente se perdem no tempo, pelo contrário, expressam afeto, admiração e amor. Afirmação do corpo e seu funcionamento, o sexo ativo, é uma prova de que seus corpos são capazes de causar prazer, uma forte percepção de si mesmos e do impacto que provocam nas outras pessoas. Pois sentir-se feminina ou viril está ligado a sensações muito valorizadas na nossa sociedade.

Vivemos em um país onde para muitos falar sobre sexo ainda é um tabu muito grande, sexualidade feminina mais ainda. Mas percebemos também que falar de sexo, expor a sua necessidade e suas dificuldades tornou-se algo menos constrangedor e mais bem aceito pelas gerações mais novas. Programas de televisão, inclusive novelas, discutem abertamente sexo no horário do chá da tarde, discutem qualidade de vida na terceira idade, fazem documentários sobre longevidade, trabalho e formas de lazer na terceira idade.

Enfim, o assunto encontra-se inserido dentro de nossos lares e acredito que as novas gerações terão outros olhos para tal questão, saberão lidar melhor com esses conflitos pessoais inerentes a natureza humana, como insegurança, fragilidade, carência, solidão entre tantas outras questões.

Quando pensamos em idosos contemporâneos, o que podemos perceber é um idoso preocupado com seu estilo de vida, com uma boa saúde e com uma vida mais ativa, muitos respeitando mais seu corpo, tendo mais acesso a informação e demonstrando vontade de viver.

Assim, mostram que a velhice não significa um fim. Ao contrário, é uma etapa da vida com uma série de significados e recomeços, que muitas vezes não foram possíveis em um outro momento da vida. Para muitos há a consciência de que não há tempo para perder com coisas não prazerosas e insalubres, e ao mesmo tempo forças para agarrar com unhas e dentes coisas que antes nos fariam pensar por dias se valeriam a pena ou não, por causa da insegurança. A velhice pode ser sim um tempo para saborear novos prazeres. Há várias formas de se viver depois dos 60 anos.

Mas envelhecer assusta. Por a velhice ser a última fase da vida, a associação com a chegada da morte angustia muita gente. Como lidar com esta condição de finitude?

Apesar de o envelhecimento ser uma sequência da vida e não uma decadência como os discursos biomédicos o representam, muitas pessoas não conseguem aceitar esta etapa da vida, deprimindo-se com facilidade e se desestimulando ante a vida e o prazer que ela proporciona.

Ninguém pode estar na flor da idade, mas cada um pode estar na flor da sua própria idade”. (Mário Quintana)

Referências
Revista virtual Textos & Contextos, nº 4, dez 2005
Revista Brasileira de Geriatria e Gerontologia, Vol.10, núm. 1. 2007, pp 101-113, Rio de Janeiro.
Textos didáticos; Desafios do cuidado: Gênero, Velhice e Deficiência, n°66 / Junho 2017

(*)Vanessa Fonseca Dos Santos – Graduada em Enfermagem pela Universidade Nove de Julho 2013. Pós graduada em Urgência e Emergência e Auditoria em serviços de saúde pela Universidade Nove de Julho. Texto escrito para o curso de extensão do COGEAE/PUCSP, intitulado “Fragilidades na Velhice: Gerontologia Social e Atendimento”, no segundo semestre de 2018. E-mail: vanessaebel@hotmail.com

 

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