Seja duro na queda! A epidemia das fraturas nos 60+

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Recentemente, uma senhora que frequenta o grupo de atividade física da Unidade em que eu trabalho estava preocupada e angustiada. Ela sempre muito falante e alegre, ao final do grupo, contou a todas as colegas que sua vizinha, uma senhora de 67 anos, caiu em casa, o que ela chamou de “queda boba”, mas teve que fazer uma cirurgia de quadril e passará por um bom tempo de reabilitação.

Gabriela Correia de A. Goldstein(*)


Por que que depois dos 60 anos as tais “quedas bobas” se tornam mais frequentes e causam danos maiores, muitas vezes fraturando os ossos? E não só isso…. ela poderia ter feito alguma coisa para deixar os ossos mais fortes? Isso poderia ter sido evitado? Como fortalecemos os ossos? Se ela fizesse exercícios desde jovem, poderia ter ossos mais fortes agora e evitado esta queda?

Acreditamos que essas sejam dúvidas de várias pessoas e tentaremos ajudar para mudar este cenário importante na nossa saúde.

Na terceira década de vida (a famosa fase balzaquiana) atingimos o nosso pico de maturação óssea. Ela fica estável até mais ou menos os 45 anos (envelhescentes) e a partir daí a densidade mineral óssea começa a diminuir progressivamente. A mulher na fase da menopausa tem uma perda maior da densidade do osso devido à diminuição de hormônios e estes são importantes na fixação do cálcio no tecido ósseo, por isso, as mulheres que estão nessa fase precisam de atenção especial e consultas anuais com ginecologista.

O osso está em constante renovação e para isso necessita de equilíbrio de seus componentes minerais na formação e reabsorção para que ele tenha uma boa massa óssea. Se isso não ocorre e a densidade fica mais baixa, o osso fica mais fraco e mais suscetível a fraturar. Em casos onde a densidade está baixa temos o quadro de osteopenia e quando a densidade está baixa de forma mais acentuada, o osso já está poroso e leve, daí a chamada osteoporose.

A densitometria óssea é o exame solicitado pelo médico para investigar esta Densidade Mineral Osseal (DMO) e este exame indica como está a formação do osso, ou seja, no geral, ossos fracos tem a DMO baixa e ossos fortes estão com a DMO alta. A densitometria também é solicitada para acompanhar o tratamento e, geralmente, costuma ser pedida às mulheres no período da menopausa e aos homens na casa dos 65 ou 70 anos.

Como manter a DMO alta e os ossos fortes?

Muitas pesquisas indicam que atividade física, além daquelas que o individuo está acostumado a fazer, estimulam o osso a produzir massa óssea. Então, não vale dizer que você já caminha quando vai ao mercado, arruma a casa, leva a criança na escola (eu escuto muito isso, não vale gente!).

É necessário estimular o osso para que ele “entenda” que precisa de mais massa óssea. Não pode deixá-lo se acomodar. As atividades rotineiras não são suficientes para que ele se remodele, ele precisa de mais estímulo, uma caminhada mais longa e frequente, exercícios resistidos que geram sobrecarga ao osso (musculação, pilates, yoga) e que tenham impacto (caminhada, corrida e jogos). Quanto mais forte é o músculo, mais forte é o osso. Mas é fundamental que estes exercícios sejam acompanhados por um profissional da Educação Física ou fisioterapeuta, caso contrário, o tiro sai pela culatra e você pode arrumar uma lesão.

Além da atividade física, fique atento ao que está ingerindo. Com esse fervor todo em volta de dietas da moda, as pessoas estão deixando de consumir leite e seus derivados, os quais possuem o cálcio que é fundamental para a nossa DMO. Alguns alimentos combinados também desfavorecem a reabsorção de cálcio pelo organismo, por exemplo, a cafeína. Se você toma muito café ou refrigerantes, bebida alcoólica, eles podem atrapalhar a absorção de cálcio pelo osso. Sem falar do cigarro que acelera a “morte programada” das células ósseas. Outra prática deixada de lado é a exposição ao sol: estamos no escritório, no shopping, e na maioria das vezes em lugares fechados, ou então, vamos a piscina ou praia e nos torramos no sol por 5 horas seguidas. “Nem 8, nem 88”, o correto é se expor ao sol, por uns 15 minutos, diariamente e, já valem os braços e pernas. Essa atitude já estimula a vitamina D que ajuda o osso a absorver o cálcio, e nos horários indicados: até as 10h da manhã e após as 15h.

A prevenção é fundamental e começa na juventude com hábitos de vida mais saudáveis.
Seja duro na queda e cuide bem de seus ossos! Este assunto é muito sério e afeta diretamente a qualidade de vida das pessoas, podendo levar até a morte. Lembre- se sempre, nenhuma queda é boba!

(*)Gabriela Correia de A. Goldstein – Fisioterapeuta- Mestre em Ciências e Especialista em aparelho Locomotor (USP). Pós-graduanda em Gerontologia Social (PUC). Membro da Rede de Colaboradores do Portal. Foto: Osso fraturado: Disponível Aqui. Currículo Lattes: Disponível Aqui. Blog Longeviver:
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