Se você tem 60+, não cair deve estar na sua lista de “metas”

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A queda já é a terceira principal razão de mortalidade de causa externa. Ser menos resistente e mais resiliente pode nos ajudar a aceitar as mudanças que a velhice nos traz. Se enxergar como vulnerável a eventos que não podemos controlar, pode nos salvar. Isso não tem a ver com a idade.    


Tenho trabalhado isso nos meus atendimentos de Fisioterapia. Pergunto à meus pacientes sobre as metas para 2020 e sugiro delicadamente que seja um ano sem quedas.Parece bobo, tantas metas gigantes… tantas metas subjetivas. Tantas pessoas que dizem “só querer saúde”. Sugiro essa… sobre a queda.

Sim, se você tem mais de 60 anos, não cair deve estar na sua lista de “Metas”. Se você é um caidor crônico, espero que não esteja acostumado a ela (a queda) ou esteja achando que isso é “coisa de velho” e que não tem mais jeito.

A divulgação de uma notícia baseada em uma pesquisa no ano passado me assombrou e acredito que isso tenha chegado até você, leitor que se interessa por assuntos da velhice: “Morte por queda quadruplicam e se aproximam do número de homicídios em SP”.

Esses dados, segundo a Uol Notícias, foram publicados pelo BEPA- Boletim epidemiológico Paulista e divulgados pela Secretaria do Estado da Saúde. A notícia diz que a queda já é a terceira principal razão de mortalidade de causa externa e está na categoria “óbitos no trânsito, homicídios, suicídios e quedas fatais”. A gente se preocupa tanto com o cinto de segurança, em evitar circular por locais escuros e ermos na ânsia de evitar um assalto e possível violência, até mesmo morte… nos assombramos com notícias de suicídios… Mas a queda, ah a queda… ainda escuto de muitos idosos “eu nunca caí”, como se estivessem imunes. 

O assunto está ficando cada vez mais sério e os dados são alarmantes. Acho que merece mesmo, um pouco mais de atenção e um pouco mais de cuidado. Principalmente para os turrões que me dizem “eu nunca caí” porque esses são os que muitas vezes assumem posturas arriscadas e que colocam na mão de Deus a sua proteção para não cair.

Ser menos resistente e mais resiliente pode nos ajudar a aceitar as mudanças que a velhice nos traz e isso também pode ser acrescentado à lista de metas. Se enxergar como vulnerável a eventos que não podemos controlar, pode nos salvar. Isso não tem a ver com a idade.    

Se você conseguir inserir na sua lista (ou na lista de algum familiar querido) essa meta,  busque formas efetivas de alcançá-la. São muitas… já amplamente divulgadas em todos os meios: adaptação domiciliar, calçado adequado, exercícios físicos, manter a saúde em dia etc etc. Reconhecer como algo realmente importante já ajuda no caminho da prevenção e pequenas mudanças na rotina podem nos ajudar a alcançar um longeviver com melhor qualidade.

Referências
SOBRINHO, Wanderley Preite. Mortes por queda quadruplicam e se aproximam do número de homicídios em SP. UOL, em São Paulo, acesso em 07/07/2019.


Curso dará uma visão sobre quais são as grandes síndromes geriátricas e sua repercussão para a vida do idoso, seus familiares e grupo social. Será ministrado por Maria Elisa Gonzalez Manso, que é graduada em Medicina e bacharel em Direito, com pós-doc em Gerontologia social, e professora titular do Curso de Medicina do Centro Universitário São Camilo.
Inscrições abertas: https://edicoes.portaldoenvelhecimento.com.br/produto/curso-sindromes/

Gabriela C. de A. Goldstein

Gabriela C. de A. Goldstein

Fisioterapeuta da Unidade de Referência em Saúde do Idoso PMSP - OS ACSC. Mestre em Ciências pela USP, especialista em Fisiologia e Biomecânica do Aparelho Locomotor pelo IOT- FMUSP e especialista em Gerontologia Social pela PUC-SP. E-mail: gabriela.correia@gmail.com

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