Saúde enquanto educação, ambiente externo e modo de vida

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Em sua coluna, no site “advivo”, Luis Nassif aborda os problemas da saúde no Brasil ressaltando, inicialmente, que nas últimas décadas, houve notáveis avanços na noção de saúde pública.


Como exemplo ele cita “a redução da ideia da hospitalização como elemento central de políticas públicas. Valem mais as políticas de prevenção. Hospitalização só em último caso”. O que, de fato, se mostrou uma medida apropriada, tanto para o sistema médico/econômico quanto para os pacientes e familiares.

Em seguida vem o avanço do conceito de médicos responsáveis por um número determinado de cidadãos. Segundo Nassif, copiado do modelo inglês e adaptado às condições brasileiras na forma do Programa de Saúde da Família, com o médico de família acompanhando determinadas regiões e encaminhando para hospitais os casos mais graves.

Finalmente se chega à “ideia de que a saúde está muito mais ligada a outros fatores – como educação, ambiente externo, modo de vida – do que propriamente na saúde”.

Pensar em saúde implicada diretamente com desenvolvimento educacional, estímulos externos e experiências que afetam o indivíduo até suas formas e modos de viver a vida, rompe definitivamente com todos os paradigmas existentes sobre saúde. Possibilita um olhar sobre um indivíduo visto como um todo, inteiro (corpo, mente e alma) que sente e se ressente com tudo que se passa a sua volta e que se torna agente ativo, nunca passivo diante dos acontecimentos.

Nassif relata que meses atrás o governo chinês convidou uma comissão de alto nível para pensar um sistema público de saúde na China. A única exigência é que não poderia ser ninguém vinculado a nenhum organismo bilateral. Foram convidados um professor da Tailândia, um especialista da Austrália, dois ingleses e o ex-Ministro da Saúde José Gomes Temporão.

Temporão costuma dizer que, em todas as viagens, o SUS (Sistema Único de Saúde) brasileiro é sucesso de público e de crítica. Menos por aqui.

É interessante analisar as razões que fazem com que os cidadãos não reconheçam o SUS como um sistema competente e eficaz. Será pelo caráter mercantilizado da medicina e extremamente técnico e distante daquele que adoece e espera, pelo menos, uma palavra, um aceno de atenção por parte de quem detém o conhecimento?

Questões difíceis que se ramificam em diversas frentes. Em primeiro lugar, falando de interesses econômicos e privados das grandes corporações, podemos mencionar a ampliação dos planos de saúde que ataca e fere a frágil bandeira do SUS, da saúde como direito universal, suas concepções e valores, uma saúde acessível a todos.

Em seguida chegamos nos elevados custos da medicina, puxados especialmente por novas tecnologias que “julgamos” necessárias. Mas a que preço? Existe controle adequado? As verbas do governo federal chegam para os devidos fins ou se perdem nas burocracias e “bolsos alheios”?

Se analisarmos os estudos recentes, Nassif explica que o envelhecimento da população é responsável por apenas 2% da chamada inflação da saúde; a demanda induzida, por 10%; e a tecnologia incorporada por 40 a 50%.

Mas, para Nassif, o ponto central é que efetivamente os recursos para saúde são insuficientes. E não precisa ser nenhum expert em economia para perceber a miséria num setor tão importante para a população. No momento, o Congresso prepara-se para votar a Emenda 29, que destina 10% das receitas líquidas para a saúde, a partir do quarto ano da entrada da lei.

Assim Nassif, lança sua costumeira, mas sutil flechada nos setores em geral e, em especial, na presidente Dilma Rousseff e sua ilusão particular de que basta gastar melhor os recursos para resolver as carências.

O economista afirma: “Gestão é fundamental – e há anos empunho essa bandeira -, mas não faz milagres. Como lembra Temporão, apesar do sucesso do SUS, o Brasil é um país em construção, ao contrário da Inglaterra, Canadá e outros países que já resolveram o problema da miséria e da saúde”.

E como tudo que está em desenvolvimento exige trabalhos detalhados de avaliação dos processos, este, particularmente, pede uma verdadeira reengenharia no sistema, prevendo novos investimentos, a possibilidade de se definir novos critérios e consolidar novos conceitos no setor. Tudo isto sem perder o foco: recursos aplicados, preferencialmente, em programas de prevenção.

Para Nassif as novas tecnologias precisam ser avaliadas não apenas por sua eficácia em si, mas em comparação com as tecnologias que pretendem substituir.

Ele lembra as palavras de José Miguel do Nascimento, Diretor do Departamento de Assistência Farmacêutica da Secretaria de Ciência e Tecnologia do Ministério da Saúde, quando o mesmo afirma que é necessário avaliar a relação custo x benefício – isto é, se os custos maiores de novas tecnologias compensam os ganhos efetivos em relação às tecnologias em vigor.

Referências
NASSIF, L. (2011). Os novos paradigmas da saúde. Disponível Aqui. Acesso em 03/12/2011.

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Redação Portal do Envelhecimento

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