São Paulo cria sua Associação de Cuidadores de Idosos

Em clima de festa e com aprovação unânime, foi realizada no último dia 5 de maio, em assembleia geral, a eleição, por chapa única, dos seis membros do primeiro Conselho Diretor da Associação de Cuidadores de Idosos da Região Metropolitana de São Paulo (Acirmesp). Composta por Lídia Nadir Giorge, presidente; Marilene Gerônimo da Silva Maciel, vice-presidente; Alice Kiyomi Tomita, primeira-tesoureira; Gersonita Correia Bargallo, primeira-tesoureira; Daize Rosa, primeira-secretária e Rita de Cassia Vilas Boas, segunda-secretária, a diretoria da Acirmesp tomará posse no dia 16 de junho. Todos os participantes da assembleia geral — realizada em sala cedida pela Associação dos Bancários Aposentados do Estado de São Paulo (Abaesp), na sede localizada no centro da capital paulista — serão nomeados sócios-fundadores da Acirmesp. A maioria dos presentes era da cidade de São Paulo, seguida por boa representação do ABC Paulista, com cuidadores dos municípios de São Caetano do Sul e Santo André, além de Guarulhos, Carapicuíba e Cotia.

 

 

sao-paulo-cria-associacao-de-cuidadores-de-idososNo registro histórico, aparecem na foto, da esquerda para a direita, Simone Garcia, coordenadora de Políticas Públicas para Mulheres da Prefeitura do Município de São Caetano do Sul e coordenadora pedagógica do Curso de Cuidadores de Idosos da Universidade Municipal de S.C. do Sul, Ingrid Mazeto, fisioterapeuta e presidente da ONG Observatório da Longevidade Humana e Envelhecimento (Olhe), Lídia Nadir Giorge, presidente, Marilene Gerônimo da Silva Maciel, vice-presidente, Alice Kiyomi Tomita, 1.a Tesoureira Gersonita Correia Bargallo, 2.a Tesoureira, Daize Rosa, 1.a Secretária Rita de Cassia Vilas Boas, 2.a Secretária, Marília Viana Berzins, primeira-secretária da ONG OLHE

A ideia da associação surgiu há exatos seis meses, durante seminário com profissionais da área realizado pela ONG OLHE. De lá para cá, a ONG participou de várias reuniões realizadas pela categoria, dando toda a assessoria técnica necessária para a criação da Acirmesp, da formação do estatuto à realização da eleição, que contou com a presença de suas dirigentes. “O Brasil tem 21 milhões de idosos e cerca de 20% deles têm algum grau de dependência”, informa a fisioterapeuta e presidente do OLHE, Ingrid Mazeto. “Já tramita no Senado projeto de lei para regulamentar a profissão, que abrange não só questões de saúde, mas também questões sociais.”

Para Ingrid, com a criação da associação, essa regulamentação ganha força, pois poderá ter a voz de seus principais atores, os cuidadores, que por sua vez são os porta-vozes dos idosos, pois conhecem suas necessidades e direitos. “Cada vez mais torna-se necessária a contratação de pessoas com habilidade, formação e ética no cuidado com idosos”, enfatiza a presidente do OLHE.

Diretoria

sao-paulo-cria-associacao-de-cuidadores-de-idososNa foto, a primeira diretoria eleita da Acirmesp: Lídia Nadir Giorge, presidente, Marilene Gerônimo da Silva Maciel, vice-presidente, Alice Kiyomi Tomita, 1.a Tesoureira, Gersonita Correia Bargallo, 2.a Tesoureira, Daize Rosa, 1.a Secretária, Rita de Cassia Vilas Boas, 2.a Secretária. O Portal do Envelhecimento parabeniza a todas essas mulheres pela iniciativa e responsabilidade assumida quanto ao cuidado que um dia todos nós talvez necessitaremos.

Dona de uma história de superação, a presidente eleita do Conselho Diretor da Acirmesp, Lídia Nadir Giorge, tem no amor incondicional pelos idosos a sua maior “arma” de trabalho. “Acho importante fazer com que a vida deles seja melhor. Muitos acabam esquecidos pela própria família, que tem de trabalhar para prover o seu sustento”, diz ela, acompanhante de idosos da Bom Par, na Vila Bertioga.“Quando saio com eles pelo bairro, percebo a necessidade que têm de atenção. Vou de braços dados, e eles conversam com a gente ao pé do ouvido, fazem confidências”, conta Lídia, que há 28 anos sofreu fratura craniana durante um acidente. “Tinha esquecimentos frequentes e tudo o que consegui em termos de recuperação foi pelo esforço que minha mãe fez para eu melhorar”, diz Lídia, cujos filhos, na época, tinham 9, 8 e 1 ano. “Hoje, sou separada, todos os filhos moram fora, um nos EUA, um no Rio e o outro em Campinas, por isso posso me dedicar aos idosos”, revela.

De cuidadora por necessidade a profissional da área, a vice-presidente eleita, Marilene, sabe que a eleição foi “apenas um passo”. “Agora, é hora de nos estruturarmos, fazer os projetos se concretizarem, de termos uma conversa uniforme”, diz ela. Marilene cuidou por cinco anos da avó, que sofria da doença de Alzheimer, e, por dois anos da sogra, ocasião em que tomou conhecimento do Programa de Amparo ao Idoso (PAI). Sua experiência prática motivou o interesse pela função e a aprovação de seu currículo para atuar na Associação Saúde da Família. “Agora, estou me graduando em Serviço Social, e quero fazer pós e doutorado voltados para o idoso.”

Orgulhosa da profissão e de sua função na associação, Daize Rosa, primeira-secretária, agradece pela chance de ter sido uma das alunas do curso de Formação de Cuidadores oferecido em sua cidade, São Caetano do Sul, por iniciativa da Sociedade Espanhola do ABC, em cooperação com a Prefeitura do Município e o Ministério de Trabalho e Imigração do Governo da Espanha, e com o apoio da Espanhóis em Brasil Sociedade Beneficente e Cultural – São Paulo. “Fui aluna da primeira turma”, ressalta. Coordenadora pedagógica do curso, que é realizado na Universidade Municipal de S.C. do Sul, e apoiadora da nova associação, Simone Garcia explica que podem se candidatar a essa formação mulheres sozinhas, com mais de 35 anos, que residam em São Caetano. “A única exigência é que 40% da turma seja de mulheres espanholas, ou com essa ascendência, ou que tenham sido casadas com espanhóis”, informa Simone, também coordenadora de Políticas Públicas para Mulheres da Prefeitura do Município de SCS. “São 200 horas de curso, com aulas nas clínicas de feridas e de reabilitação e nos laboratórios da universidade. Formamos profissionais capacitadas para atuar no Sistema de Atendimento Domiciliar do SUS.”

Cuidador há três anos e há um na Associação Saúde da Família, Orivaldo Silva Oliveira faz parte do time masculino, minoria na assembleia e na própria classe, mas é um entusiasta da função. “Como eu defino a profissão de cuidador? Com uma única palavra: gratificante”, enfatiza ele. Radiante e engajado, participou de todas as reuniões que deram origem à Acirmesp, cuja criação ele define como “um marco histórico”.

“Estou muito emocionada, porque ter esses cuidadores organizados era um sonho antigo”, não se cansava de repetir Marília Viana Berzins, assistente social, doutora em Saúde Pública, mestre em Gerontologia pela PUC-SP, primeira-secretária da ONG OLHE e, nas palavras dos próprios associados, que fizeram questão de aplaudi-la, a maior incentivadora da Acirmesp. “A luta da gente do envelhecimento é uma luta que tem base na necessidade que as pessoas idosas têm de seremcuidadas por um pessoal competente, habilidoso”, atesta Marília. “Com a associação, ganham o cuidador, que terá assessoria jurídica para defender seus direitos e lutar pela regulamentação da profissão, cursos para melhoria da qualidade dos seus serviços, entre outros benefícios, e o idoso, que terá a atenção de um profissional com certificação.”

sao-paulo-cria-associacao-de-cuidadores-de-idososAlém da homologação do Conselho Diretor, na assembleia geral (foto) foram aprovados o valor da primeira anuidade a ser paga pelos associados, de R$ 120; além das quatro coordenadorias — Atendimento à Saúde; Assistência Social e Pedagógica, Comunicação e Redes e Jurídica, – e do Conselho Fiscal, com três membros, que vão compor a Acirmesp. Também foi anunciada a adesão do advogado Antonio Rodrigues de Oliveira Neto, que prestará assessoria jurídica gratuita à associação por um ano.

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