Rompendo com os Mitos do Envelhecimento: A Qualidade do Sono Melhora com a Idade

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Um estudo publicado na revista especializada Sleep e divulgado no site da BBC “sugere que qualidade do sono melhora com a idade”. A pesquisa realizada no Centro para Sono e Neurobiologia Circadiana da Universidade de Pennsylvania, nos Estados Unidos, ouviu por telefone 150 mil adultos.


Com certeza você deve estar pensando que este, como muitos estudos, apresenta aspectos duvidosos, estranhos para os conceitos que temos, até então, sobre o sono com o avançar da idade. Mas creia, a pesquisa é interessante exatamente porque se propõe a romper com os mitos do envelhecimento, a fazer pensar e romper com os muitos paradigmas estabelecidos sobre o tema.

A matéria conta que segundo os depoimentos, “a não ser por um período por volta dos 40 anos, a qualidade do sono aumenta com o passar do tempo. Os entrevistados na faixa dos 80 anos relataram a melhor qualidade de sono”.

Michael Grandner, um dos cientistas que liderou a pesquisa, afirmou que a razão do estudo era levar as pessoas a repensarem o conceito sobre idade e baixa qualidade do sono. Ele diz: “Estes resultados nos obrigam a repensar o que sabemos sobre sono entre pessoas mais velhas – homens e mulheres”.

No mínimo é um estudo que provoca, na medida em que obriga o indivíduo a refletir sobre causa e consequência, perguntas e respostas imediatas sobre algo que não se conhece efetivamente. E são tantas as variantes que podem influir na qualidade do sono. Por exemplo: quando se analisa o sono de um indivíduo de 40 anos, é natural que seu sono possa ser conturbado. Os inúmeros estímulos no decorrer do dia, a pressão pelo sucesso ou pela produção ou pelo sustento, são coisas que enlouquecem e desequilibram qualquer processo mental.

O pesquisador não nega que as pessoas mais velhas estejam dormindo mal, mas elas simplesmente se sentem bem a respeito do próprio sono, uma diferença sutil, mas que representa muito na qualidade de vida.

Ele afirma: “Mesmo se o sono entre os americanos mais velhos é, na verdade, pior do que em adultos jovens, a sensação em relação a isto melhora com a idade”.

Essas pesquisas normalmente suscitam muitas dúvidas justamente pela metodologia utilizada, ou seja, pelo trajeto, caminho e instrumentos escolhidos para adequada condução do processo. Neste caso específico fica a pergunta: equipamentos ou perguntas, qual seria a opção ideal?

Metodologia: equipamentos ou perguntas
Grandner esclarece a questão: “geralmente, universidades contam com equipamentos que podem avaliar a duração e o nível de perturbação do sono para estudos com voluntários. E os resultados obtidos com estes equipamentos nem sempre combinam com a opinião dos voluntários sobre a qualidade do sono”.

Optando pelo caminho do “humano”, a pesquisa da Universidade da Pennsylvania se concentrou em perguntas para pessoas selecionadas aleatoriamente. Além de perguntas sobre a qualidade do sono, os entrevistados também tiveram que responder sobre o estado geral de saúde, renda, nível educacional e raça.

Resultados

Durante as entrevistas, os pesquisadores notaram que estar deprimido ou ter problemas de saúde são fatores ligados a um sono de baixa qualidade. No entanto, quando os cientistas ajustaram os resultados para compensar estes fatores, um padrão diferente surgiu.

As reclamações sobre sono ruim caíram à medida que a idade dos entrevistados avançava e o menor número de reclamações vinha de pessoas com mais de 70 anos.

A única exceção ocorreu entre pessoas na meia idade, quando foi registrada uma queda na qualidade do sono dos entrevistados. Será a pressão dos dias tumultuados que se impõe no momento do descanso?

O professor de Sono e Fisiologia e diretor do Centro de Pesquisa do Sono de Surrey, na Grã-Bretanha, Derk-Jan Dijk, disse que “Temos que nos afastar de todos aqueles mitos sobre envelhecimento. Muitas pessoas estão satisfeitas com o sono”.

Ele argumenta que perguntas subjetivas sobre sono podem resultar em respostas que dependem do humor do entrevistado. Como exemplo ele brinca: “Se você está com raiva por não ter recebido um aumento de salário do seu chefe, por exemplo, sua percepção de qualidade do sono pode ser muito diferente de alguém que está satisfeito naquele momento”.

Referências
BBC (2012). Estudo sugere que qualidade do sono melhora com a idade. Disponível Aqui. Acesso em 05/03/2012.

Portal do Envelhecimento

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Redação Portal do Envelhecimento

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