Robôs sociais: cuidadores do futuro para idosos solitários?

Os primeiros estudos já mostram que os robôs sociais realmente poderiam abordar questões de cuidado de idosos e interação social.

 

A solidão e o isolamento social são problemas para muitos idosos, mas estudos mostram que a ajuda pode vir de robôs sociais, ou seja, robôs autônomos treinados para interagir e se comunicar com humanos. É o que escreve Alessandro Di Nuovo, no artigo intitulado “How robot carers could be the future for lonely elderly people”, publicado recentemente pelo jornal Independent.

Di Nuovo aponta que os robôs podem ser uma forma de atender à demanda avassaladora de acordo com o que os pesquisadores acreditam já que um número crescente de pessoas idosas necessitam de cuidados. Mas, embora os robôs possam fornecer cuidados e, em alguns casos, interação social, muitos se perguntam se eles realmente são a solução certa para essa questão.

O artigo menciona uma pesquisa recente que descobriu que, enquanto 68% das pessoas concordam que os robôs são benéficos porque podem ajudar as pessoas, apenas 26% dos entrevistados disseram que ficariam confortáveis ​​com um robô que fornecesse ajuda e companhia para eles se estivessem no hospital ou precisassem de cuidados.

A solidão e o isolamento social já são problemas para muitos idosos e estão até ligados ao declínio cognitivo e a uma taxa de mortalidade mais alta. Com a expectativa de aumento da população de idosos, muitos temem que as experiências de solidão aumentem, especialmente se o acesso aos cuidados de saúde for ainda mais limitado.

Mas, apesar das preocupações, os primeiros estudos de acordo com o artigo já mostram que os robôs sociais realmente poderiam abordar questões de cuidado e interação social. A maioria dos pesquisadores de robótica é em grande parte a favor da introdução da tecnologia robótica em uma escala mais ampla e acreditam que os robôs poderiam reduzir a solidão e aumentar a independência em pacientes idosos. O governo japonês até apoia a introdução de robôs em instituições de longa permanência para resolver o problema da população idosa do país. No entanto, muitos recomendam enfaticamente o equilíbrio entre os benefícios do tratamento e os custos éticos.

Uma classe de robôs sociais – sistemas de telepresença robótica móvel (MRT) – já demonstrou gerar interações sociais positivas com pacientes idosos. Di Nuovo assinala que os MRTs são essencialmente telas de vídeo sobre rodas levantadas até a altura da cabeça que podem ser controladas remotamente usando um aplicativo de smartphone simples. Eles permitem que parentes e assistentes sociais “visitem” os idosos com mais frequência, mesmo que morem em áreas rurais ou distantes. O paciente idoso não precisa operar o dispositivo, deixando-o livre para interagir com a assistente social ou a família.

A comunicação ainda acontece através de uma tela de computador, mas a presença física do robô imita interação face a face para pessoas idosas. A pesquisa mostrou que as pessoas reagiram mais positivamente quando conversavam com alguém por meio de um MRT do que por meio de uma videochamada comum ou avatar de computador – especialmente pessoas solitárias. No entanto, os MRTs ainda exigem um operador humano, o que limita a quantidade de interação social que os idosos podem ter diariamente.

Cuidadores do futuro?

Para resolver isso, os desenvolvedores de todo o mundo começaram a criar companheiros de robô programados com inteligência artificial avançada (IA), que podem interagir com as pessoas por conta própria. Alguns exemplos incluem robôs de estimação, como o Aibo e o Paro, fabricados por desenvolvedores japoneses, e o MiRo, fabricado no Reino Unido. Outros robôs humanóides, como o Care-O-bot e o Pepper, são capazes de fornecer cuidados mais complexos e abrangentes.

Embora os robôs “de estimação” ofereçam uma interação limitada, eles se mostraram tão eficazes – ou até mais – do que animais de verdade na redução da solidão para pessoas idosas em casas de repouso. Cães robóticos introduzidos em uma casa de repouso do Reino Unido neste ano, de acordo com relatos, trouxeram felicidade e conforto para os moradores.

Por outro lado, os robôs humanóides já são avançados o suficiente para fornecer cuidados muito necessários aos idosos. Esses robôs podem pegar coisas e se mover de forma independente, e têm uma maneira humana mais natural de interagir (por exemplo, usando gestos com braço e mão).

Versões mais avançadas possuem sensores e dispositivos adicionais, incluindo telas sensíveis ao toque. Muitos idosos, achando as telas sensíveis ao toque difíceis de usar, preferiam dar comandos falados ao robô e ler sua resposta fora da tela. Mas para aqueles com perda auditiva relacionada à idade ou deficiência visual, ter a opção de usar a tela sensível ao toque era indispensável.

Robôs humanóides ainda estão sendo desenvolvidos, então suas capacidades ainda são limitadas. E os estudos de robôs humanóides se concentraram principalmente em avaliar o quanto a tecnologia funciona sem realmente considerar o impacto social. Há também uma suposição geral de que esses robôs naturalmente reduzirão a solidão.

Embora a pesquisa sobre robôs sociais esteja apenas começando, sabemos que eles podem fornecer algumas soluções para os desafios impostos pelo envelhecimento das populações e podem até ajudar a reduzir o isolamento social e a solidão. Neste ponto, os seres humanos ainda são melhores em fornecer cuidados e contato social com os idosos, mas os robôs podem ser capazes de preencher quaisquer lacunas, especialmente à medida que as tecnologias continuam a melhorar.

No entanto, antes que os robôs sociais possam ser totalmente integrados às instituições de longa permanência, os pesquisadores e prestadores de serviços devem abordar a ansiedade do público e deixar claro que os robôs são projetados para auxiliar assistentes sociais, não para substituí-los.

 

(*)O artigo de Alessandro Di Nuovo pode ser acessado em: https://www.independent.co.uk/life-style/gadgets-and-tech/features/robot-carer-elderly-people-loneliness-ageing-population-care-homes-a8659801.html. Tradução livre de Carolina Lucena.

Carolina Lucena

Carolina Lucena

Graduada em Relações Internacionais pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Colabora com artigos sobre o envelhecimento populacional mundial e traduções.

carolinalucena escreveu 8 postsVeja todos os posts de carolinalucena