Robôs que possam ser úteis aos humanos e que falem português

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Diz o professor Marcos Pereira-Barretto: “Assim como o carro nos ajuda na locomoção e uma máquina de café na preparação de uma bebida saborosa, a ideia é desenvolver seres que possam ser significativamente úteis aos humanos”. Segundo ele, o trabalho dos centros de pesquisa brasileiros “se concentra no português do Brasil e constrói, tijolo por tijolo, as bases para que no futuro, quando a tecnologia alcançar maturidade necessária, nossa língua não fique de fora.”

 

 

robos-que-possam-ser-uteis-aos-humanos-e-que-falem-portuguesAo ler uma matéria sobre duas dissertações de mestrado do Laboratório de Robôs Sociáveis da USP que apresentaram os mais recentes esforços dos cientistas em impregnar nas máquinas nuances de relações autenticamente humanas, automaticamente nos lembramos do filme “Frank e o Robô”, em que um homem idoso, rabugento, começa a apresentar sintomas da doença de Alzheimer. Ele vive sozinho, pois é separado e seus filhos moram longe. A solução encontrada por seu filho foi de um robô cuidador com a função de fazer companhia e cuidar de Frank, que passa a ver naquela criatura não humana um amigo.

robos-que-possam-ser-uteis-aos-humanos-e-que-falem-portuguesSerá que um dia chegaremos a isso?

Desde a década de 1980 que cientistas tentam criar robôs e replicar o comportamento humano em máquinas. Mas todos os descobrimentos realizados até o momento serve para a língua inglesa. As pesquisas brasileiras assinalam que a ideia é criar uma nova geração de máquinas capazes de auxiliar os seres humanos em suas tarefas diárias, como se lembrar dos aniversários ou mesmo de fazer uma ligação importante, indo além dos assistentes de voz que já existem para celulares e computadores. O trabalho dos centros de pesquisa brasileiros se concentram no português do Brasil para que no futuro a língua portuguesa não fique de fora.

Certamente os maiores beneficiados desses inventos serão as pessoas idosas, especialmente aquelas que moram sós, afinal, observa-se que cada vez mais os entes queridos de países como o Japão, por exemplo, estão aos cuidados de robôs. Assim como no filme, perguntamos: até onde é mais cruel deixar um ente querido com um robô que sabe o que está fazendo ao invés de deixá-lo só?

Não há como não se vincular os robôs aos cuidados que todos precisaremos amanhã, como já mostrou outro filme, “O Homem Bicentenário”, em que Robbin Williams vivia um robô semelhante. Filmes que contam também histórias de solidão, afinal os robôs acabam se tornando verdadeiros companheiros.

Os pesquisadores brasileiros, engenheiros Diego Cueva e Rafael Gonçalves, orientados pelo professor Fabio Gagliardi Cozman, do Departamento de Engenharia Mecatrônica, fazem parte da chamada Computação Afetiva, braço da Engenharia que estuda a representação da emoção humana em robôs. A pesquisa deles envolveu um algoritmo capaz de reconhecer a emoção de seres humanos em diferentes meios, como vídeo, áudio e até redes sociais. Tarefa nada fácil, pois estudos recentes mostram que a frase “Eu sou um homem”, pode ter 140 significados diferentes, dependendo do contexto, momento e entonação.

De acordo com a matéria, o objetivo é fazer parte da coalisão brasileira no esforço mundial em criar robôs capazes de compreender os humanos e agir de acordo. “Não queremos criar extraterrestres ou seres que vão dominar o mundo”, assinala Barretto que acrescenta: “Assim como o carro nos ajuda na locomoção e uma máquina de café na preparação de uma bebida saborosa, a ideia é desenvolver seres que possam ser significativamente úteis aos humanos”.

De acordo com resultados preliminares, os pesquisadores já conseguiram identificar com 90% de acerto quatro tipos de emoção em seres humanos: alegria, tristeza, raiva e medo. Segundo Barreto, “a palavra ‘viagem’, por exemplo, possui uma conotação mais positiva”, já a palavra morte, por exemplo, é associada a coisas negativas.

Para Barreto, esses trabalhos representam passos iniciais de uma área que tem muito a crescer. “Não tenho expectativa de ver esses robôs funcionando no meu tempo de vida”, diz o professor. Para ele, “Simular o comportamento humano, mesmo em situações ridiculamente simples é estupidamente difícil”.

Referências

Agência de Comunicação. Robôs para auxiliar os humanos nas tarefas diárias. Disponível Aqui

Vídeo: Frank e o Robô – trailer oficial: Disponível Aqui

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Redação Portal do Envelhecimento

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