Reposição hormonal para homens? Talvez

As mulheres estão muito à frente dos homens no conhecimento dos benefícios e riscos da reposição hormonal. Ainda não existe um grande estudo, de vários anos, comparável à Iniciativa de Saúde da Mulher, sobre a segurança e eficácia da terapia hormonal para homens mais velhos que têm sinais e sintomas de deficiência de testosterona.

 

 

Apesar de crenças baseadas em evidências observadas de que a terapia com estrógeno aumentou a saúde e o bem-estar de mulheres na menopausa, quando um estudo definitivo foi finalmente realizado, os médicos e pesquisadores ficaram chocados ao descobrir que os riscos da reposição hormonal a longo prazo podem superar seus benefícios.

Pode um estudo semelhante da terapia com testosterona para homens que experimentam a “andropausa” também revelar mais perigos que auxílio? A resposta seria bem recebida por um número estimado de 4 milhões de homens nos Estados Unidos que apresentam níveis subnormais desse importante hormônio, um resultado comum quando a idade avança.

Mas esses homens, bem como aqueles que já receberam a terapia com testosterona e os que em breve poderão desenvolver sintomas de baixos níveis do hormônio, poderão jamais saber se a reposição hormonal irá melhorar ou prejudicar a qualidade e a duração de suas vidas. Em vez disso, terão de se basear em provas confusas e contraditórias.

No final do ano passado, por exemplo, um estudo de seis meses, financiado pelo governo federal, sobre um gel de testosterona trouxe uma surpreendente dificuldade nos esforços para melhorar a vida de homens idosos que sofrem com queda de energia, humor, vitalidade e sexualidade como consequência dos baixos níveis de hormônio. O estudo, com a participação de 209 homens com mais de 65 anos que tinham dificuldade para andar, foi interrompido quando contatou-se que entre os que recebiam o tratamento houve um inesperado aumento das taxas de problemas cardíacos.

Os pesquisadores, que publicaram o estudo no New England Journal of Medicine, observaram que os participantes, especialmente o grupo que recebeu testosterona, tinham altos índices de pressão alta, diabetes, obesidade e lipídios elevados no sangue.

Um estudo de 45 milhões de dólares financiado pelo Instituto Nacional de Envelhecimento está em andamento em doze centros médicos para avaliar se um ano de tratamento com testosterona pode ajudar 800 homens com mais de 65 anos com baixo nível de hormônio e problemas físicos, de fadiga, sexuais e cognitivos. O estudo, em que os homens foram distribuídos aleatoriamente para receber o hormônio ou um placebo, também irá avaliar os efeitos do hormônio sobre fatores de risco cardíaco.

Ainda assim, o estudo não irá responder à questão sobre se é seguro usar o hormônio durante anos, ou décadas, algo necessário para manter determinados benefícios. Uma grande preocupação é saber se o uso a longo prazo poderia contribuir para o aumento do câncer de próstata, presente, mas escondido, em algo como metade dos homens mais velhos.

“Não existem muitos bons estudos de testosterona em homens mais velhos”, disse William Bremner, urologista da Universidade de Washington, em Seattle. “Os estudos são pequenos e o mais longo deles abrange apenas três anos. Precisamos de estudos para testosterona equivalentes ao da Iniciativa da Saúde da Mulher – milhares de homens seguidos por talvez dez anos. Atualmente, estamos no limbo sobre como orientar os pacientes.”

Ele reconhece que a exigência de tal estudo para homens é “menos atraente”, porque, ao contrário das mulheres, que experimentam uma queda abrupta de estrógeno na menopausa, geralmente com sintomas perturbadores, o declínio hormonal em homens mais velhos é muito mais gradual e os sintomas, quando ocorrem, são geralmente vistos como sinais normais de envelhecimento, e não de deficiência hormonal.

Um grande estudo europeu, publicado na mesma edição da revista, buscou determinar quem, entre homens de meia-idade e idosos, poderia se candidatar à reposição de testosterona. Em uma amostra de 3 369 homens entre 40 e 79 anos, pesquisadores de oito centros médicos europeus descobriram que o “vigor físico limitado” e três sintomas sexuais – diminuição de pensamentos sexuais, ereção matinal e disfunção erétil – foram mais estritamente ligadas a baixos níveis de testosterona.

Embora baixos níveis de hormônio estejam associados ao aumento do risco de depressão, os pesquisadores descobriram que os “sintomas psicológicos tinham pouca ou nenhuma associação com o nível de testosterona”.

Há quatro abordagens principais para as terapias com testosterona disponíveis nos Estados Unidos: injeções intramusculares a cada uma a três semanas, aplicações na pele por meio de gel ou patch, e implantes subcutâneos que duram meses. O patch pode causar irritação na pele, e o gel pode se transferir para outras pessoas por contato, a menos que se tenha o cuidado de cobrir a área onde é aplicado. A administração oral raramente é utilizada por causa dos efeitos tóxicos no fígado.

A razão mais comum para homens procurarem a terapia com testosterona é a diminuição do desejo ou desempenho sexual, embora a capacidade do hormônio para aliviar os sintomas seja imprevisível. Mais de um quarto dos homens com níveis normais de testosterona têm os sintomas e muitos homens com níveis subnormais, não.

Fonte: The New York Times, reproduzido pela revista Veja em 12/10/2010. Disponível Aqui

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Redação Portal do Envelhecimento

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