A redução da mortalidade infantil e o envelhecimento na América Latina

a-reducao-da-mortalidade-infantil-e-envelhecimento-na-america-latinaDo ponto de vista da sobrevivência, as taxas médias dos indicadores vitais da ALC apontam para um processo de convergência com os níveis médios do grupo de países mais avançados do mundo. Mas a convergência só se tornará realidade se as condições econômicas e ambientais apresentarem melhoras compatíveis a sobrevivência de todos. Uma vida saudável e longa pode ser um grande estímulo para as pessoas investirem mais em educação e em uma inserção produtiva voltada para o desenvolvimento social, a solidariedade intergeracional e a preservação dos ecossistemas, base de toda a vida na Terra.

José Eustáquio Diniz Alves *

Morria-se muito e vivia-se pouco na América Latina e Caribe (ALC), em meados do século passado. No quinquênio 1950-55, o número médio de óbitos era de 126 crianças de 0 a 1 ano de idade para cada mil nascimentos e a esperança de vida (para ambos os sexos) estava em 51 anos, segundo dados da Divisão de População da ONU. No mesmo período, os Estados Unidos tinham esperança de vida de 69 anos. Diferença de 18 anos.

Mas a ALC avançou em termos demográfico acelerando o processo de transição da mortalidade e de transição epidemiológica. As taxas brutas de mortalidade cairam com o aumento da urbanização, dos níveis educacionais, da melhoria do sistema de saúde, da higiene e do saneamento, das condições de moradia mais adequadas, do aumento da cobertura da previdência social, etc.

Porém, a América Latina é conhecida como a região mais desigual do mundo, com parcelas da população apresentando indicadores sociais excelentes e outras parcelas com péssimos indicadores. Mesmo assim, no atual quinquênio, 2010-15, as estimativas apotam para uma mortalidade infantil de 18 por mil e uma esperança de vida de 74,7 anos. Não é o melhor cenário, mas a situação demográfica tem convergido na direção dos países mais desenvolvidos economicamente, como os Estados Unidos, que possuem, atualmente, esperança de vida de 79 anos. Diferença de 4,3 anos.

Para meados do século XXI, no quinquênio 2045-50 estima-se uma mortalidade infantil de 6,6 por mil e uma esperança de vida de 81,8 anos. No quinquênio, 2095-2100, as projeções da ONU apontam uma mortalidade infantil muito baixa, de somente 2,9 por mil (ou 0,29%) e uma elevada esperança de vida, de 87,9 anos.

Portanto, a despeito das desigualdades regionais e nacionais, do ponto de vista da sobrevivência, as taxas médias dos indicadores vitais da ALC apontam para um processo de convergência com os níveis médios do grupo de países mais avançados do mundo. Mas a convergência só se tornará realidade se as condições econômicas e ambientais apresentarem melhoras compatíveis a sobrevivência de todos.

A população de 60 anos e mais que era 5,6% da população da América Latina e Caribe em 1950, passou para 9,8% em 2010 e deve alcançar 36,3% em 2100. A idade mediana era de 20 anos em 1950, caiu para pouco menos de 19 anos em 1970, chegou a 24 anos no ano 2000, 27 anos em 2010 e deve atingir 48 anos no ano 2100. Portanto, o envelhecimento foi e continuará sendo um processo bem significativo na região.

Uma vida saudável e longa pode ser um grande estímulo para as pessoas investirem mais em educação e em uma inserção produtiva voltada para o desenvolvimento social, a solidariedade intergeracional e a preservação dos ecossistemas, base de toda a vida na Terra.

Contudo, desde 2014 a América Latina passa por uma desaceleração do ritmo de crescimento econômico, sem perspectivas de grandes melhoras no restante da década. A região pode assistir ao fim do bônus demográfico e envelhecer antes de resolver os problemas básicos de uma sociedade subdesenvolvida. Evitar a estagnação econômica, a armadilha da renda média e garantir os direitos dos idosos – juntamente com o avanço social das demais gerações – é o grande desafio da ALC no século XXI.

Referências

WONG, L.R., ALVES, JED, RODRÍGUEZ, JV, TURRA, CM (Orgs). “Cairo+20: perspectivas de la agenda de población y desarrollo sostenible después de 2014”, Rio de Janeiro, ALAP, abril de 2014. Acesse Aqui

* José Eustáquio Diniz Alves – Doutor em demografia e professor titular do mestrado e doutorado em População, Território e Estatísticas Públicas da Escola Nacional de Ciências Estatísticas – ENCE/IBGE. Apresenta seus pontos de vista em caráter pessoal. E-mail: jed_alves@yahoo.com.br

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