Rachel, 72 anos

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Minha mãe chamava-se Vicentina, e meu pai Austrakiliano. Não sei de onde veio esse nome estranho; não veio do meu avô, porque ele chamava-se Leonardo. Ninguém tratava meu pai pelo nome porque era difícil de pronunciar. Ele assinava: A.B.Cavalcanti.

Marisa Feriancic

 

Quando minha mãe se casou, meu pai era viúvo e tinha um filho do primeiro casamento: o Rubens. Quando eu nasci, Rubens já tinha 15 anos. Fui a única filha do segundo casamento. Era muito mimada pelo meu pai e pelo meu irmão. Minha mãe era mais rígida, medrosa, eu era mais apegada ao meu pai, ele era mais legal.

A escola

Morei na Bela Vista e depois em Santana, em São Paulo. Estudei na Escola Passalaqua na Bela Vista, onde completei o antigo curso primário. Cursei o Normal no Colégio São José e em 1956, formei-me professora. Quando casei, vim morar no Campo Belo, onde estou até hoje.

Fiz curso de especialização em alfabetização. Sempre gostei de lecionar, principalmente na primeira série. Naquela época, estava começando o ensino municipal. Para lecionar no ensino municipal, era necessário fazer a lista de alunos, a inscrição na prefeitura, alugar uma sala e aguardar a nomeação.

Meu pai alugou uma garagem por 2 meses, fez os bancos para os alunos e improvisamos uma sala de aula. Eu e uma amiga começamos a lecionar em Janeiro, e em fevereiro de 1957 saiu a nossa nomeação na Prefeitura de São Paulo. Essa amiga mora nos Estados Unidos, mas temos amizade até hoje. Usamos uma sala de aula emprestada do Estado. Mais tarde começaram a construir escolas municipais.

Trabalhei no Jardim São Paulo, na região de Santana e, em 1982, aposentei-me numa escola na Vila Olímpia. Foi bom me aposentar, aproveitei bastante a aposentadoria. Queria que meu marido também estivesse aposentado naquela época. Ele me ligava do banco e eu dizia que estava fazendo tricô e vendo televisão na cama. Ele falava que também iria se aposentar logo, mas não deu tempo.

O namoro

A primeira esposa de meu pai era tia do meu marido, Murilo. Mas eu não o conhecia. Quando meu pai ficou viúvo, as famílias se distanciaram.

Fui a um casamento com meu irmão Rubens, e lá eu conheci meu marido. Ele se dirigiu a mim muito galanteador e disse que não sabia que seu tio tinha um broto (naquela época falava-se assim). Quando começamos a namorar, meu sogro chamou o Murilo e disse que ele poderia brincar com muitas meninas, mas com a filha do Cavalcanti não. E ele respondeu: eu a amo!

Mamãe era muito preocupada, medrosa, não me deixava sair, nada podia, e quando saía, tinha que chegar em casa antes das 19 horas.

1957- Os pais de Raquel, sentados à frente, Raquel e Murilo à esquerda. O irmão Rubens e esposa à direita e os filhos de Rubens nas laterais

Quando conheci o Murilo ele já era bancário. Tinha tentado o curso de medicina, mas desistiu. Ele foi meu primeiro namorado. Eu era muito tímida, só depois de um ano demos o primeiro beijo, e foi uma amiga que me convenceu.

Quando comecei a namorar minha mãe dizia para não deixar o Murilo me beijar. Um dia meu pai ouviu e disse a ela: como não a deixa beijar? Você me dava beijos de desentupir pia. Ela ficou sem graça, disse que eu não deveria acreditar no que meu pai estava dizendo. Não adiantava, não tinha muita conversa com ela. Meu pai era mais acessível, mais liberal.

Murilo tinha carro, mas eu não podia nem entrar no carro dele. Namorávamos no portão e o carro ficava na rua.

O nosso primeiro encontro foi na Praça da República, levei minha sobrinha comigo. Ele parou o carro e pediu que subíssemos, porque ele precisava estacionar. Eu coloquei minha sobrinha sentada no meio de nós. Fiquei quase grudada na porta do carro. Ele dizia que talvez fosse necessário instalar um telefone no carro, para falar comigo.

Na época do casamento, fomos entregar os convites e cheguei em casa às 11 horas da noite. Minha mãe fez um escândalo. Uma vez fomos a um casamento com os pais do Murilo e como minha sogra estava mal, com gripe, levamos primeiro ela para casa. Cheguei em casa, à meia noite, sozinha com o Murilo e minha mãe estava esperando. Meu pai não abria a boca. O Murilo chegou e ela recebeu-o toda risonha, ele explicou para ela que a mãe tinha passado mal, mas quando ele saiu, só faltou ela me bater.

Quando eu saía, minha mãe ficava muito aflita. Certa vez, eu tinha saído e minha cunhada estava em casa com minha mãe. Ela me contou que eram 19 horas e minha mãe estava desesperada com meu atraso. Chegou a acender uma vela na frente da minha cunhada e dos tios dela. Num determinado momento, disse para meu pai que se eu não chegasse no próximo ônibus ela iria se atirar em baixo de um carro. Ainda bem que meu pai era muito calmo, tinha muita paciência. Minha mãe dava trabalho, era difícil. Era tanto amor, que me sufocava.

Casamento

Entre namoro e noivado foram 3 anos. Casamos no dia 28 de junho de 1958, na Igreja Nossa Senhora do Carmo. No dia do casamento civil teve um jantar na casa de meus pais e após o casamento no religioso uma recepção no Clube Alepo. Foi uma festa muito bonita.

Viajamos em Lua de Mel para o Rio de janeiro e Belo Horizonte.

Minha mãe, sempre preocupada, queria saber quando chegaríamos de viagem. Minha sogra, calma, tranqüila, disse a ela que não se preocupasse, que quando acabasse o dinheiro, nós voltaríamos. E foi verdade.

Raquel e Murilo – Igreja Nossa Senhora do Carmo – 1958

Os noivos com os pais de Raquel à esquerda e os pais de Murilo à direita – 1958

Engravidei na Lua de Mel. Apos 9 meses nasceu minha primeira filha. Passava bem a gravidez, não tinha enjôo, não tinha nada. Depois de 1 ano e 7 meses tive a segunda filha. Dei uma pausa de 5 anos e tive a terceira filha. Depois nasceu meu filho, que recebeu o mesmo nome do pai.

Eu trabalhava só meio período, então dava para coordenar a casa e as crianças. Dava conta de tudo.

Minha primeira perda foi a morte do meu pai. Ele faleceu em 1960. Meu marido e minha filha recém-nascida me deram muita força. Tinha família, tinha suporte. O Murilo teve muita paciência comigo. Minha mãe faleceu bem mais tarde, com 95 anos. Quando ela ficou viúva, foi uma fase muito difícil, ela morou um tempo comigo e interferia muito na minha vida.

Meu marido comprou um apartamento para ela ficar próxima a nós. Ela adoeceu, veio morar comigo e quando melhorou, voltou para o apartamento dela outra vez. Meu relacionamento com minha mãe sempre foi difícil. Se eu falasse algo, ela nunca acreditava, se o Murilo falasse tudo bem. Quando eu saía com meus filhos para passear, ela dizia para meu marido: Murilo olha as crianças.

Uma vez, eu e ele compramos um carpete que escolhemos juntos. Ela perguntou quem escolheu e respondi que fui eu. Ela disse que era horrível. Quando Murilo chegou, perguntou o que ela tinha achado do carpete, e ela respondeu: É lindo!

Ela me provocava o tempo todo. Minha personalidade é bem diferente da personalidade da minha mãe, mas eu entendo que era muito amor.

Fiquei pouco tempo sozinha com meu marido. Ele dizia que eu precisava ter paciência porque era minha mãe. Ela gostava muito do Murilo. Era Murilo na Terra e Deus no céu. Ela queria fazer com meus filhos o mesmo que fez comigo e eu não admitia. Minhas filhas sabem o que passei.

Quando meu marido faleceu, ela disse: agora vou tomar conta das crianças. E eu respondi a ela: não vai não, pode deixar que eu vou ser pai e mãe. Eduquei meus filhos bem diferente. Meus filhos são amigos, são unidos e eu me dou bem com todos. Inclusive com meus genros e minha nora. Estamos sempre em contato e juntos em todas as datas importantes.

Murilo e Raquel – Bodas de Prata – 1983

Eu era filha única, me sentia muito sozinha, por isso sempre quis uma família grande. Sentia falta de companhia quando era criança. Natal era sem graça; só eu, meu pai, minha mãe e meu irmão.

Quando meu irmão Rubens casou-se, eu era pequena ainda, tinha 12 anos. Chorei muito. Senti muita falta dele. Eu era tão apegada a ele, que tive febre e não fui ao casamento religioso. Depois que melhorei me levou à festa. Meu sogro, que não era meu sogro ainda, foi ao casamento e levou o Murilo com ele. Meu sogro brincando comigo, mostrou-me o Murilo e disse: olha meu filho, olha os olhos verdes dele, você não quer casar com meu filho? Nem imaginava que um dia casaríamos mesmo.

O eterno amor

É muito difícil para Raquel falar sobre a viuvez. Paramos algumas vezes a entrevista, para Raquel se recuperar da emoção. Seu amor pelo Murilo é algo ainda muito vivo, sua dor também. Diz que nunca o esqueceu, que melhorou, mas ainda chora quando fala dele.

Fiquei viúva em 1984. Essa parte é muito triste. Foi difícil, eu tinha somente 47 anos.

Murilo teve um enfarte. O primeiro enfarte tinha acontecido aos 44 anos, e desde então ele fazia tratamento com medicamentos e exercícios físicos especiais 3 vezes por semana num instituto que era especializado para cardíacos.

No dia 26 de março de 1984 me ligaram do hospital dizendo que Murilo estava internado, com pressão alta. Ele passou mal fazendo ginástica no instituto. Teve 4 paradas cardíacas e foi levado para o Hospital da BeneficênciaPortuguesa. Fiquei desesperada. Ele ficou uma semana na Unidade de Terapia Intensiva. Não achei que era tão grave, a gente nunca quer acreditar. O médico comunicou-me que se ele saísse da crise, iriam tentar uma cirurgia, mas que talvez ele não pudesse exercer mais nenhuma atividade. Todos os 6 irmãos dele morreram de infarto e com pouca idade. Meus cunhados já faleceram, mas ainda tenho 3 cunhadas vivas e a gente ainda se encontra ,continuo com amizade delas.

Quando Murilo faleceu, fiquei 4 meses sem vontade de nada. Não queria saber de ninguém, só chorava. Emagreci 10 quilos. Sabia que não poderia continuar assim. Meus 4 filhos eram grandes, todos estudando, mas ainda precisavam de mim. Pensava que a família poderia se perder se eu não reagisse. Precisava voltar à vida, mas era difícil. À noite, depois do jantar, ia dormir e chorava bem baixinho, para eles não ouvirem. Fui empurrando a vida, não podia cair. Os filhos me davam bronca, diziam que eu precisava reagir, sofriam de me ver assim. À noite eu pegava o carro e ia para a casa da minha cunhada, para não chorar em casa.

Nós éramos muito agarrados, éramos grudados. Não saíamos um sem o outro. Para mim ele estava sempre em primeiro lugar, depois os filhos. E ele também era assim comigo.

Em 1977 compramos um sitio, curtimos muito esse sitio, íamos para lá todas as semanas. Hoje, eu vou a cada 15 dias. No inverno levo tricô para fazer, me distraio com as plantas, mexo na terra, me sinto bem, tenho bons caseiros, mas não é mais como antes.

Minha cunhada e a sogra da minha filha, antigamente me faziam companhia. Viajavam comigo para o sitio. Mas as duas já faleceram.

Quando estou em São Paulo, os filhos me chamam para ir a casa deles, mas nem sempre aceito. Acho que eles precisam ficar sossegados no final de semana, trabalham a semana inteira, precisam descansar também.

Eu gosto da minha casa. Tem dias que me dá tristeza. Se começo a ficar com vontade de chorar, eu saio. Vou para casa de uma amiga, para o super mercado ou para a chocolateria.

Sou bastante independente e gosto muito de dirigir, principalmente em estrada. Dá-me sensação de liberdade. Recentemente, fui buscar minha carteira de habilitação que foi renovada. Agora vale 3 anos. Comecei a dirigir depois de casada. Depois de casada fiz tudo: conheci boates, tirei carteira de habilitação e tive filhos. Meu marido era muito legal. Agradeço a minha sogra que teve um filho maravilhoso. Ele era um marido exemplar: amoroso, carinhoso e companheiro.

É tudo diferente depois da morte do Murilo. Tem dias que estou mais triste. Não sei, não tem mais graça. O verde já não é mais o mesmo. O céu não é tão azul como era. Falta alguém do meu lado. As filhas foram casando e depois que meu filho saiu de casa foi mais difícil, porque aí fiquei sozinha mesmo.

Até hoje é muito difícil. Tenho a sensação que é tudo muito recente. Tem épocas que estou melhor, que me ocupo muito, mas a tristeza faz parte da minha vida. Eu era diferente antes da morte do Murilo. Eu era alegre, curtia mais as coisas, ia muito às festas, tinha mais entusiasmo pela vida. As pessoas falavam que eu tinha a felicidade estampada no rosto. Eu me esforço muito, mas não tenho mais aquela força de viver.

Minha casa era mais enfeitada, hoje não ligo mais. Quebrou alguma coisa, não faz mal. Tanta coisa se foi, não sou apegada a mais nada. Meu marido se foi, acabou a graça. Às vezes sinto solidão. Mas não é solidão de estar sozinha. Posso estar até junto com outras pessoas. Às vezes me sinto deslocada em alguns ambientes. Uma vez fui a um jantar, e começou a tocar umas músicas que me lembravam o Murilo. Comecei a chorar, foi um lugar que eu tinha ido com ele. Acabou-se a festa, acabou-se a noite. Vivo no básico. Tudo está bom.

Raquel me mostra orgulhosa alguns cartões com dizeres carinhosos que Murilo escrevia a ela.

O preferido de Raquel é este:

“Raquel”

Deus fez os prados, fez o céu, fez as estrelas e outras tantas belezas que a gente vê. Mas só foi sublimemente esplendoroso quando de um pôr de sol maravilhoso lembrou-se de fazer você.

Assinado: Murilo

Minha filha me diz que eu choro o ano inteiro: no aniversário dele, no dia do infarto, no dia da morte, no dia das mães, no dia dos namorados e no aniversário de casamento.

Às vezes acordo triste pela manhã e quando percebo é alguma data especial. Já melhorei bastante. Há uns 3 anos, me sinto melhor, consigo comemorar com alegria o Natal. O primeiro Natal foi terrível. Fiz a ceia, mas foi uma choradeira só. Ainda faço o Natal aqui em casa todos os anos. A casa fica cheia. Vêm as filhas, genros, o filho, a nora, e as netas.

O que ajudou muito a superar a dor foram os filhos, os amigos, meu irmão e minha cunhada. Ela me dava umas broncas, às vezes sinto até falta das broncas dela. Também tive apoio da religião. A religião é muito importante, seja qual for. Ter atividades, se ocupar, também ajuda. E dar muito amor, se a gente der amor, a gente também recebe.

CHOCOQUEL…Os famosos chocolates da Raquel

Raquel faz biscoitinhos de araruta, pão de mel, ovos de chocolate e bombons recheados para a Páscoa da família e também sob encomendas (CHOCOQUEL). As filhas ficam disputando quem ganha mais biscoitinhos da mãe. Raquel diz que elas são ciumentas.

Raquel me mostra seus dotes artísticos: os biscoitinhos, os bombons recheados e o pão de mel. Ela me conta que nesta última Páscoa comprou 40 quilos de chocolate, mas diz que já chegou a fazer 80 quilos. Experimentei todos, estavam uma delícia.

Eu que faço os bolos de aniversário da família.

Não gosto de ficar parada, sempre tive muitas atividades. Gosto de fazer tricô, tapeçaria, fazer doces e salgados. Atualmente o que mais gosto de fazer é chocolate. Passo horas fazendo meus chocolates e não penso em mais nada, só na criatividade e nos cursos que ainda vou fazer. Sempre tem novidades e eu gosto de aprender.

Antigamente eu não parava em casa, agora fico um pouco mais. Os filhos se preocupam quando eu saio. Não queria celular, mas agora eu uso assim eles ficam mais tranqüilos. Eles me ligam para saber onde estou. Hoje as 3 filhas já me ligaram. Às vezes não liga ninguém, mas é raro. Meus filhos e minhas netas são minhas riquezas.Eu amo muito meus filhos e hoje eles são a razão do meu viver. Meus genros e minha nora também são pessoas maravilhosas.

Saúde

Tenho uma saúde boa. Cuido da alimentação, como um pouquinho de tudo. Houve uma época em que eu dizia: infelizmente tenho boa saúde. Porque queria morrer. Hoje não. Deus me ajudou muito. Às vezes, olhava para a avenida e pensava; será que eu faço alguma besteira? Logo vinha a idéia que não podia fazer isso. Durante muitos anos, passou na minha cabeça, a vontade de morrer. As filhas ficavam muito chateadas comigo. Há alguns anos atrás, no Dia de Natal, eu disse a elas que estava contente, que a família era muito importante para mim e que eu não tinha mais vontade de morrer. Elas ficaram felizes, disseram que foi o melhor presente que eu poderia dar. Fiz um tratamento homeopático que me ajudou muito. Faço também acupuntura e hidroginástica. Vou à academia todos os dias.

Envelhecer

Acho que o envelhecimento traz limitações. Eu sou muito independente. Quando fico esperando alguém fazer alguma coisa, fico aflita. Não gostaria de depender de ninguém, na velhice acho que é um pouco isso.

Quando estou bem, esqueço minha idade e faço coisas que até Deus duvida. Outro dia eu e a minha vizinha pegamos um saco de cal de 50 quilos e colocamos no carro. No dia seguinte veio a dor lombar e a dor ciática. Gosto de arrastar móveis e acabo fazendo esforço exagerado. Acho que posso fazer tudo o que fazia antes, mas não é verdade. Agora estou mais cuidadosa. Tem conseqüências com a idade. Às vezes esqueço que tenho 72 anos.

A finitude

Não tenho medo de morrer. Digo que estou pronta. Estar pronta é estar preparada, com missão comprida. Já criei os filhos e vi as netas nascerem. A mais velha tem 22 anos e a mais nova 5 anos.

Gostaria de ir embora e deixar saudade. É bom ir embora com saúde, não ficar presa, doente numa cama. Fazer o quê no final da vida? É muita vida viver até 95 anos.

A religião

Eu me apego muito a Deus e acho importantíssima a religião para agüentar os baques da vida. Sinto-me bem indo à igreja, me dá força. Vou todos os domingos à missa. Não é obrigação, sinto falta.

Quando estou muito triste, vou à igreja, choro e me conforto. Sempre fui muito religiosa. Na época que era moça, ia comungar todos os dias.

Não importa a religião. A gente tem que se apegar a alguma coisa. Acho que conforme vamos envelhecendo a religião torna-se mais importante. Tenho um grupo de oração e isso me faz bem.

Raquel se despede de mim:

Foi bom falar, dá saudade, mas é bom.

Ainda tenho sonhos sim. Quero fazer uma viagem para Jerusalém e ainda vou fazer.

Antes de encerrar a entrevista Raquel deixa uma mensagem de amor bem humorada para Murilo

Murilo, eu te amo… eu te amo.

Te amo… até o fim da minha vida . Espere-me hein? Se arrumar outra “lá em cima” vai ter que se haver comigo. Se eu morrer e ele vier aqui pra baixo vai ser uma confusão. Vai ter desencontro. Não, isso não pode acontecer.

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Redação Portal do Envelhecimento

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