Quem vai cuidar dos nossos idosos no século XXI?

Estudo, visando pensar em um modelo de atenção ao idoso, teve início há 20 anos, no Abrigo Cristo Redentor, Rio de Janeiro, com a participação de 500 idosos, na maioria mulheres. hoje, no país, existe uma tendência mundial do envelhecimento populacional, e a sociedade brasileira passa por intensa transformação.

Irlan Peçanha * Imagens: Fiocruz

 

quem-vai-cuidar-dos-nossos-idosos-no-seculo-xxiA estruturação de redes de atenção à pessoa idosa é urgente, abrangendo cuidados primários e cuidados com a moradia.

A humanização dos asilos de idosos do Brasil foi tema de estudo, iniciado há 20 anos (1995-1997), apresentado recentemente (23 de junho), pela pesquisadora do Centro de Referência Prof. Hélio Fraga, da Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP/Fiocruz), Luísa Regina Pessoa. Segundo a pesquisa, hoje, no país, existe uma tendência mundial do envelhecimento populacional, e a sociedade brasileira passa por intenso processo de transformação, no qual adultos jovens aparecem cada vez em menor número, cabendo a reflexão: quem vai cuidar dos nossos idosos no século XXI? “A estruturação de redes de atenção à pessoa idosa é urgente, abrangendo cuidados primários e cuidados com a moradia. Também deve-se contemplar habitações saudáveis, que garantam acesso aos níveis secundário e terciário de cuidados, proporcionando diagnóstico precoce e de rápido acesso ao tratamento”, afirmou a pesquisadora.

O trabalho apresentado relata a reestruturação de um abrigo de idosos indigentes, com 500 internos no Rio de Janeiro, onde foi realizado um amplo processo de humanização, com forte componente de reestruturação física das edificações existentes desde 1930.

Segundo Luísa, o estudo foi fruto de um convenio entre o Ministério da Previdência (MPAS) e a UERJ visando pensar em um modelo de atenção ao idoso. Teve início no Abrigo Cristo Redentor, localizado em Bonsucesso, no Rio de Janeiro, com a participação de 500 idosos, na maioria mulheres. “A missão, na época, era discutir a humanização do espaço interno e adequa-lo às necessidades do idoso, remodulando-o com base nas normas do Ministério da Saúde e da legislação para pessoas portadoras de deficiência”, explicou a pesquisadora.

Em 1995, uma equipe multidisciplinar de profissionais começou a pensar em soluções inovadoras e humanizadas para assistência social, saúde, moradia e lazer, tendo como diretriz a integração da instituição à cidade. O Plano Diretor Físico-Funcional para o abrigo foi elaborado levando em conta o grau de dependência da população interna e a perspectiva de atrair para instituição idosos, crianças e moradores do bairro para atividades no Centro de Convivência e para a Creche Comunitária. No ano de 1997, o trabalho foi encerrado, com algumas inovações concretizadas.

Publicações e desdobramentos

Após essa ação, alguns artigos foram publicados: em 2008, a experiência foi apresentada em um colóquio em Marseille, na França. “Com boa aceitação dos participantes, fomos os únicos brasileiros no colóquio sobre inovações em envelhecimento e dependência”, disse Luísa. Em 2010, outro artigo relatando a experiência do Abrigo e as iniciativas de organização da Linha de Cuidado do idoso no Grupo Hospitalar Conceição (GHC), em Porto Alegre, foi publicado no Cadernos de Saúde Pública.

quem-vai-cuidar-dos-nossos-idosos-no-seculoA partir de 2011, a convite do GHC, a pesquisadora passou a ministrar a disciplina “Aspectos Econômicos, Sociais e Culturais do Envelhecimento”, no Curso de especialização em Gestão da Atenção à Pessoa Idosa, ministrado pela Escola do GHC. Em 2015, o artigo novamente ganhou folego, em versão reduzida, com foco no Plano diretor de Arquitetura, e foi publicado no Jornal Improving Healthcare Quality to Elderly by Organizing of Attention Networks.

“Depois de 20 anos de tentativas, esperamos que as autoridades e a sociedade se interessem pelo tema, sobretudo para que possamos dar continuidade ao trabalho, em especial, pela implantação nos bairros cariocas das Vivendas Protegidas, parceria intersetorial entre os Ministérios das Cidades, Assistencial Social e Saúde”, almejou.

* Irlan Peçanha escreve para o Informe ENSP/Fiocruz. Texto publicado no dia 26/6/2015. Acesse Aqui

 

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