Quem está aí? As memórias do Alzheimer

Em meu trabalho três idosas com Alzheimer contam suas trajetórias de vida, as quais as colocam no centro do tratamento da doença. Como a perda da capacidade de recordar acontece no sentido do presente para o passado, os doentes se esquecem de fatos atuais, mas se lembram com riqueza de detalhes de suas juventude e infância.

Pedro Prata (*)


Qual a importância que a história de vida pode ter no tratamento de idosos com Alzheimer? Essa pergunta me intrigou no primeiro semestre de 2018, quando precisei escolher um tema para meu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) em Jornalismo.

Eu sabia que gostaria de contar histórias de vida em minha dissertação. Para mim, o momento crucial do jornalismo ocorre quando o profissional se encontra com sua fonte para ouvi-la. É o que chamo de momento do encontro com o outro. A entrevista possibilita o contato entre dois mundos diversos.

Tendo isso em mente, me voltei para o Alzheimer por motivos pessoais. Meu avô paterno, Nelson Prata, conviveu com a doença por muitos anos. Por mais que eu visse como todas as complicações afetavam sua saúde, para mim sempre prevaleceu a perda de memória.

Esse aspecto é o lado mais curioso da doença. Como a perda da capacidade de recordar acontece no sentido do presente para o passado, os doentes se esquecem de fatos atuais, mas se lembram com riqueza de detalhes de suas juventude e infância.

Assim, por mais que meu avô já não se lembrasse de quem eu era, minhas férias foram marcadas por tardes quentes do interior paulista. Sentados na varanda, ele falava horas e horas sobre as cidades por onde passou e as aventuras que viveu ao praticar seus hobbies preferidos: a pesca e a caça.

Idosos são fontes de ricas histórias. Isso é natural, afinal eles já percorreram um trajeto de vida muito maior do que os jovens e, assim, acumularam uma bagagem de experiências maior. Por isso, considerei que contar suas histórias de vida seria um exercício de entrevista muito interessante.

No entanto, considerava que só contar as histórias de vida dessas pessoas não era suficiente. Ainda faltava algo que pudesse validar a necessidade de se fazer um trabalho como este. Sendo assim, fiz uma pesquisa para saber se este projeto teria alguma utilidade prática para os idosos com Alzheimer.

O resultado não poderia ser mais animador. Havia uma terapia voltada para a manutenção das habilidades cognitivas cujo objeto de trabalho era justamente as histórias de vida. Pesquisando mais, me deparei com especialistas que criaram projetos voltados para a melhora da qualidade de vida dos enfermos a partir de suas histórias de vida.

Dessa forma, meu ponto de partida foram as entrevistas, isto é, um ponto central no exercício do jornalismo. Mas, por outro lado, consegui demonstrar como o jornalismo pode ampliar suas fronteiras e dialogar com outras áreas, seja a saúde, seja a social.

No primeiro capítulo de meu trabalho, três idosas com Alzheimer contam suas trajetórias de vida. Na segunda parte, especialistas e profissionais da área da saúde e da gerontologia falam da importância de colocar o sujeito no centro do tratamento da doença. Por fim, o terceiro capítulo faz uma abordagem didática sobre o Alzheimer com informações para ajudar os familiares de pessoas com a doença, desde o reconhecimento dos sintomas e o diagnóstico, até a forma mais apropriada de cuidar desses idosos.

Confira o trabalho na íntegra clicando neste link ou abaixo.

(*) Pedro de Souza Prata é formado em Jornalismo pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Participou do Curso Estado de Jornalismo, no Estadão, onde atualmente trabalha como repórter. E-mail: pedrosouzaprata197@gmail.com epedro.prata@estadao.com


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