Que países têm visão mais positiva do envelhecimento?

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Pesquisa revela que o ageísmo não está relacionado ao número de idosos na população ou à velocidade de crescimento da população idosa. O ageísmo pode ser maior em sociedades mais masculinas porque favorecem a força e a competição, características que geralmente não estão associadas aos idosos.

Dugan O’Connor (*)


As culturas ao redor do mundo diferem na forma como se referem aos idosos, mas isso se deve à proporção de idosos na população ou a outros traços culturais específicos? Para responder a esta questão os pesquisadores Reuben e Weizhong (2020), da Universidade Nacional de Singapura, identificaram os países com maior e menor preconceito contra idosos.

Eles utilizaram um banco de dados de mais de 7.000 fontes de notícias baseadas na web de 20 países ao redor do mundo onde o inglês é amplamente utilizado. Eles usaram 1,75 bilhão de palavras em um único ano para compilar as 300 palavras principais que co-ocorreram com os termos “aged”, “elderly” ou “old people”. Dependendo do número de palavras simultâneas relacionadas a estereótipos de idade positivos ou negativos, um país pode ser considerado mais ou menos preconceituoso.

Os únicos três países que apresentaram estereótipos de idade mais positivos foram Sri Lanka, seguido por Gana e Tanzânia. Os outros 17 países tenderam a ter atitudes mais negativas quanto à idade, com o Reino Unido como o mais negativo, seguido por Índia, Bangladesh, Canadá, Estados Unidos e Quênia.

Os pesquisadores então compararam essas pontuações de ageísmo com dados de dimensão demográfica e cultural de cada país.

Eles descobriram que o ageísmo não estava relacionado à proporção de idosos na população ou à velocidade de crescimento da população idosa. No entanto, maior perspectiva de orientação de longo prazo e maiores dimensões culturais de masculinidade foram associadas a maior ageísmo. Gana teve a pontuação de orientação de longo prazo mais baixa e Sri Lanka teve a pontuação de masculinidade mais baixa – esses também foram os dois países com menos ageísmo.

Os pesquisadores explicam que orientação de longo prazo se refere à extensão em que uma sociedade apoia o adiamento da gratificação dos objetivos de vida. Teoricamente, as sociedades com maior orientação de longo prazo investiriam mais em indivíduos mais jovens, pois eles têm potencial para fornecer mais retorno no longo prazo.

Em sociedades altamente masculinas, espera-se que homens e mulheres desempenhem papéis emocionais muito diferentes, enquanto em sociedades menos masculinas / mais femininas, esses papéis são mais semelhantes. O ageísmo pode ser maior nessas sociedades porque favorecem a força e a competição, características que geralmente não estão associadas aos idosos.

Ao contrário de pesquisas anteriores, este estudo não encontrou uma conexão entre individualismo – a expectativa dos indivíduos de confiarem em si mesmos e menos na família – e ageísmo.

Saiba mais
Ng R and Lim W. Ageism linked to culture, not demographics: Evidence from an 8-billion-word corpus across 20 countries. Journals of Gerontology: Series B (2020); Ahead of print.

(*) Dugan O’Connor – Escreve para o Mather Institute. Matéria publicada em 16 de janeiro de 2021. Tradução livre por Sofia Lucena.

Foto de Andrea Piacquadio/Pexels


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Redação Portal do Envelhecimento

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