Quais são os desafios para morar bem e com segurança na velhice?

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Os desafios para morar bem envolvem reconhecer que a moradia é o lugar para desempenhar direitos e deveres, e pode ser como cada morador deseja.


Como dito anteriormente, a moradia é a unidade habitacional, seja individual ou coletiva, mas também é o contexto geográfico, considerando o bairro e a cidade onde está inserida. Portanto, é o suporte para uma vida saudável, desde que haja efetivo empenho em buscar essa meta, relacionada às condições biológicas, psicológicas e sociais do processo de envelhecimento.

O jornalista André Bernardo reuniu opiniões de especialistas sobre esses desafios. A matéria parte da polêmica gerada pela decisão da OMS em classificar a velhice como doença, decisão revertida a partir das muitas manifestações contrárias em todo o mundo:

A Organização Mundial da Saúde (OMS) decidiu incluir a velhice na Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde (CID) no dia 28 de maio de 2019, durante a 72ª Assembleia Mundial de Saúde. O encontro aconteceu em Genebra, na Suíça, e reuniu representantes de 194 países, incluindo o Brasil. 

As profundas críticas levaram a organização a propor uma nova nomenclatura, definida como “envelhecimento associado à capacidade intrínseca em declínio” (ageing associated decline in intrinsic capacity). Considerando o aumento visível da longevidade, a busca por uma velhice mais ativa caracterizou uma mudança de comportamento que envolve a apropriação de todos os recursos da moradia, tanto nas áreas privativas quanto nos espaços públicos.  

O conceito de “amigável” também pode ser aplicado a bairros, comunidades ou municípios. Atualmente, 1,1 mil cidades de 44 países já foram certificadas pela OMS como amigas das pessoas idosas. Só no Brasil, são 18. A primeira delas foi Porto Alegre, em 2015.  

A estratégia mundial Cidade Amiga do Idoso tem sido um movimento que ouve os cidadãos mais velhos para captar suas percepções sobre a vida na cidade, enfatizando os comportamentos adotados a partir de oito áreas: espaços exteriores e edifícios, transportes, habitação, participação social, respeito e inclusão social, participação cívica e emprego, comunicação e informação e apoio comunitário e serviços de saúde. Ou seja, a tônica das discussões é abordar a vida privada e a comunitária com conforto e segurança.

Ter onde morar, praticar atividade física e estar sempre aprendendo podem parecer regalias, mas são direitos. Direitos nem sempre respeitados. 

Os desafios para morar bem envolvem reconhecer que a moradia é o lugar para desempenhar direitos e deveres, e pode ser como cada morador deseja. Onde há compartilhamento haverá regras de convivência que permitam a coabitação produtiva, mas sempre será fundamental que haja flexibilidade para mudanças e adequações que proporcionem o bem-estar de todos. Utilizar a tecnologia para aumentar o conforto e a praticidade, assim como organizar os espaços para que a manutenção seja facilitada, são meios importantes para alcançar uma velhice tranquila e bem aproveitada.

Foto destaque de Ron Lach/Pexels


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Maria Luisa Trindade Bestetti

Arquiteta e professora na graduação e no mestrado da Gerontologia da USP, tem mestrado e doutorado pela FAU USP, com pós-doutorado pela Universidade de Lisboa. Pesquisa sobre alternativas de moradia na velhice e acredita que novos modelos surgirão pelas mãos de profissionais que estudam a fundo as questões da Gerontologia Ambiental. https://sermodular.com.br/. E-mal: [email protected]

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