Psicogerontologia na formação de profissionais e de familiares ao cuidado da velhice

O Brasil que envelhece está ainda despreparado para atender o aumento da geração de idosos e de muito idosos e necessita de formação em Psicogerontologia.

 

Tenho 89 anos, sou viúva há 20 anos e tenho quatro filhos que são muito ocupados. Pouco nos vemos e me sinto um peso na vida deles. Apenas me ligam no celular, ou pior, me mandam mensagem para não perder tempo comigo conversando. Vivo triste e solitária, minhas amigas estão doentes ou morreram, meus familiares têm sua vida e eu não tenho um compromisso e nenhum sentido de vida!”

O século XXI e o crescimento da expectativa de vida na população idosa trouxe mudanças na qualidade de vida devido a fragilidade física, mental, emocional e vulnerabilidade social que são realidades na velhice.

A psicogerontologia constituiu um trabalho de compreensão do processo de envelhecimento único e singular e se fundamenta no conhecimento das mudanças existenciais e dos mecanismos psíquicos para a adoção de intervenções preventivas e curativas (Araujo & Lopes & Miranda, 2009).

A velhice não deve estar associada à espera do fim, mas a um envelhecimento ativo e participante, pois na posse de nosso agir formamos ideias adequadas que confirmam afetos de alegria e de satisfação na construção de uma vida ativa e prazerosa, independente da idade cronológica (Tótora, 2006).

As mudanças advindas da vivência dos muito idosos, ou seja, acima dos 85 anos e os centenários, merecem atenção de profissionais qualificados em gerontologia social para não somente cuidarem mas também orientarem as famílias e aos profissionais multidisciplinares que estão despreparados para cuidar dessa população emergente.

O primeiro curso de formação profissional em gerontologia social aqui no Brasil foi do Instituto Sedes Sapientae em 1976, que cursei após minha formação em psicologia clínica na PUC-SP nos anos 80.

Esse conhecimento adquirido no curso me possibilitou desenvolver um trabalho psicogerontológico de atendimento em uma instituição de longa permanência e em seu centro dia. Atualmente sou docente há alguns anos desse mesmo curso e acredito na importância dessa formação em gerontologia para os novos profissionais atuarem com a população idosa emergente e para o auto conhecimento sobre a velhice.

O curso de gerontologia social é interdisciplinar e proporciona uma atuação qualificada e também de conhecimento de ações preventivas e programas inovadores na área do envelhecimento.

O Brasil que envelhece está ainda despreparado para atender o aumento da nova geração de idosos e de muito idosos e necessita de formação de novos profissionais atualizados aos aspectos biopsicossociais e culturais do processo de envelhecimento.

Através do estudo do processo de envelhecimento, da velhice e dos idosos, a ser adquirido no curso, consegue-se apreender sobre temas e postulados fundamentais em gerontologia e adquirir subsídios teóricos e práticos para a atuação no campo gerontológico e melhor atender essa nova demanda do envelhecimento brasileiro.

Vamos aprender a cuidar bem dos idosos em um Brasil que envelhece!

Referências

Araujo, E. N. P., & Lopes, R. G. C., & Miranda, R. D. (2009). Orientação terapêutica de idosos e de seus familiares em um residencial do tipo “assisted living” In 19th IAGG World Congress of Gerontology and Geriatrics (Vol. 13, pp.s 334-s335).

Tótora, S. (2006). Ética da Vida e o Envelhecimento. In Côrte, B., & Mercadante, E.F.& Arcuri, I.G. (Orgs.). Envelhecimento e Velhice: um guia para a Vida. São Paulo: Vetor.

 

Eliana Novaes Procopio de Araujo

Eliana Novaes Procopio de Araujo

Psicóloga, mestre em Gerontologia pela PUC-SP, especialista em Gerontologia pela SBGG e doutoranda em Ciências da Saúde na Faculdade de Saúde Pública da USP. E-mail: eliananovaespa@hotmail.com

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