Professor comemora seus 70 anos viajando sozinho, de moto, para Ushuaia

Pablo Zunino, comerciante e professor de ciências políticas de ensino médio, aposentado, comprou uma motocicleta e viajou sozinho para Ushuaia, só dirigindo à luz do dia.


Pablo Zunino completou 70 anos, brindado, e logo ao amanhecer partiu para uma jornada inicial à Ushuaia, uma cidade turística na Argentina que fica no arquipélago da Terra do Fogo, no extremo sul da América do Sul, conhecido como “fim do mundo”, por estar localizada em uma colina íngreme e sujeita a ventos muito fortes, servindo como base para cruzeiros e passeios pela Antártida que passam pela ilha Yécapasela (mais conhecida como “Ilha do Pinguim” por conta de suas colônias de pinguins).

Foi a bordo de sua motocicleta, sua companheira há apenas quatro anos, mas conseguiu entrar no mundo daqueles que amam a sensação de liberdade que nenhum outro veículo lhe dá, por exemplo, na montanha. Foi sozinho, percorrendo cerca de 500 quilômetros por dia, pois queria saber se sua paixão por desafios está intacta. Consultou rotas e mapas de motocicletas, preparou cuidadosamente seu equipamento e imaginou uma e mil vezes o vento, o céu e a vastidão. Lá, ele diz que procurará respostas, que às vezes são feitas no meio da vida.

Isso decorre da necessidade de saber como eu estou, psicologicamente, fisicamente, se consigo resolver os desafios que surgem e é também uma jornada para dentro, que é feita dentro das pessoas, para saber como sou e como posso resolver meus problemas, questões mais elementares”

Na véspera da travessia, os vizinhos e amigos queriam ver os preparativos, a começar pelo Honda 250, o traje especial de chuva, sapatos de corda, o peso das malas, a barraca e outras coisas. Nada que chamou a atenção dos transeuntes no pôr do sol de Rosário, ninguém percebeu que por um ano um sonho foi tomando forma em sua cabeça e coração.

Comerciante e professor de ciências políticas de ensino médio, uma vez aposentado, Zunino comprou uma motocicleta e replanejou seus dias. No ano passado, em duas semanas, ele foi e voltou da Bolívia, também sozinho, e com a primeira parada em San Marcos Sierra (Córdoba), para cumprimentar seu amigo Quique Pessoa. Durante a travessia, ele aprendeu com um erro que quase lhe custou a vida, e agora só dirige à luz do dia.

“Conhecendo Spinoza”

A partir dessa viagem, ele se lembra da noite em que compartilhou a comida, em volta de uma fogueira, com um grupo de moradores das Salinas Grandes (entre Salta e Jujuy). “Eles eram de uma cooperativa de povos nativos e eu senti que compartilhava sua visão de mundo, estou preparado para essa inter-relação, esses encontros também são outra razão para minhas viagens”, explicou Zunino.

Assim, ele evocou aquele momento único, de silêncios e olhares, como se o tempo tivesse congelado para quatro mil metros e sem outro flash à vista, ele esfregou os ombros com algo semelhante à imensidão.

Por isso essa viagem foi nomeada “Conhecendo Spinoza”, em alusão ao filósofo holandês do século XVII, para quem em tudo o que cerca o homem é Deus. “É nessa natureza que vou procurar, nas montanhas que quero viajar, vento, cascalho, lugares que nunca viajei, em um veículo vulnerável como a motocicleta, mas confio em minhas forças”, enfatizou, formatando o desafio que o espera durante um mês.

A escolha

O que levou Zunino a escolher o sul para viajar? Ele diz que a paisagem o impressionou em uma viagem que ele fez de avião. Ao retornar, um mapa do local estava em seu escritório, até a viagem terminar. Com o conselho de motociclistas experientes do grupo Kamikazes de la Ruta, ele avaliou as estradas a serem percorridas, até decidir que a primeira etapa seria pela rota número 3 e o retorno pela 40.

“A biblioteca de mídia me aconselhou uma rota e a outra metade, outra diferente”, explica e diz que, no final, era uma explicação racional sobre o significado das rajadas de vento naquele lugar, o argumento que o convenceu. Além de mapas com roteiros em potencial já marcados, carregue GPS, barraca, esteira e saco de dormir “porque se a motocicleta quebrar no meio da solidão, vou precisar de um abrigo”.

Ele também carrega ferramentas e peças de reposição, além do traje de chuva e outras roupas especiais. E, claro, um kit de primeiros socorros. Ele também carregou, por precaução, o cartão de aposentadoria, quase um paradoxo para quem parte em uma aventura confiante em sua força.

Fonte: matéria publicada no jornal argentino La Capital, em 24 de fevereiro de 2019. Tradução livre. Foto: divulgação.


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