Problemas de tireoide são mais comuns entre as brasileiras

Desde que o anatomista flamengo Andreas Vesalius (1514-1564) fez a primeira descrição científica da tireóide, ainda no século 16, a glândula foi alvo de estudos e pesquisas. É pequena, em forma de borboleta ou de escudo, localizada logo abaixo do Pomo de Adão, bem na parte anterior do pescoço.

 

 

Produz os hormônios T3 E T4 para manter o equilíbrio funcional e regular de órgãos como coração, rins, cérebro e fígado; atua diretamente no desenvolvimento das crianças e adolescentes; influi no humor, formato das unhas, quantidade de cabelos do couro cabeludo, qualidade dos fios, reprodução, ciclos menstruais. O mau funcionamento deste órgão pode causar problemas cardíacos, mentais, déficit na inteligência e glaucoma.

Os desvios no metabolismo tireóide são diversos, e basicamente têm como conseqüência o hipertireoidismo e o hipotireoidosmo. Para diagnosticá-los, é preciso ter provas como a dosagem TSH e T4 colhidos no sangue, segundo Roberta Villas Boas, Hospital Nove de Julho. As doenças são remediáveis. Para órgão mais lento, reposição T4 diariamente em jejum, para excesso na atividade a aplicação de Iodo radioativo é imprescindível porque a medicação tem efeitos colaterais severos.

No entanto, muito antes de essa ameaça despontar, serão outras as queixas que conduzirão uma tireóide em pane ao endocrinologista. Cansaço crônico, depressão, arritmia. Com base nessas pistas, o médico investigará se o culpado pelos descompassos é, de fato, a glândula. As suspeitas são sempre maiores entre as mulheres entre 20 e 45 anos. “As disfunções são cerca de cinco vezes mais comuns nas mulheres”, estima Mário Vaisman. Segundo o professor Geraldo Medeiros, além dos genes, alterações hormonais durante a gestação são responsáveis por essa desvantagem.

O bócio endêmico foi uma disfunção muito comum, causada pela falta de Iodo na alimentação para o corpo produzir de T3 e T4, e como conseqüência o baixo funcionamento do órgão. Na década de 40 houve a inclusão do elemento no sal de cozinha, e com o tempo as taxas tolerância para Iodo foram subindo e chegando a 100 mg por quilo em 1998. Quando comprovado quão nocivo é tanto Iodo na tireóide, a dose máxima permitida voltou de 20 a 40mg/Kg em 2003.

Nesses tempos deparamos com um aumento nos casos hipotireoidismo pelo consumo exagerado de sal Iodado. Chama-se tireóide de Hashimoto, doença autoimune. O problema é que até hoje ainda vamos ver conseqüências dessa taxa alta de Iodo no sal de comida entre 1998 e 2003, e mesmo a dose atual do sendo baixa, precisamos também prestar atenção ao consumo exagerado de sal de cozinha na tireóide de Hashimoto.

A presidente do Departamento de Tireoide da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, Edna Kimura, lembra que regiões do país sem acesso à versão iodada do sal ainda sofrem com o bócio. Consequentemente, há uma necessidade moderada no consumo de sal.

Outras hipóteses buscam justificar diferenças no metabolismo, como agentes químicos presentes em alimentos e em produtos de limpeza. Fatores como maior facilidade no diagnóstico, exposição a ondas eletromagnéticas e envelhecimento populacional também determinam aumento na incidência de casos.

Taxas do PFOA, ácido perfluorooctano, no sangue estão estreitamente relacionados a diferenças metabólicas glandulares, inclusive a esta em estudo. O componente está presente nas frigideiras antiaderentes e coberturas de carpetes a prova de manchas. A equipe Universidade Britânica de Exeter analisou exames sanguíneos de 4.000 pacientes nos EUA entre 1999 e 2006, e identificou mais de 16% das mulheres e 3% dos homens com problemas tiróide. A associação é evidente com a taxa PFOA no sangue acima de 5.7ng/mL, segundo Dr Magnus Dias da Silva.

Excesso de peso propicia alterações tanto no trabalho da glândula quanto no desenvolvimento de tumores benignos e malignos. Estudo italiano prova que as crianças mais gordas têm maior predisposição para a tireoidite de Hashimoto. O estado de inflamação típico do excesso de peso propicia alterações na glândula segundo Giorgio Radetti, o autor da pesquisa. Caso voltem à estrutura normal os pequenos perdem os sintomas, e caso contrário desenvolverão, problemas metabólicos para toda a vida.

Há relação entre má funcionamento na tireóide e o desenvolvimento de glaucoma, aumento da pressão intra-ocular que pode levar à cegueira. Christopher Girkin, MD, professor de oftalmologia e diretor do Serviço Glaucoma da Universidade do Alabama em Birmingham, analisou dados administrativos de um hospital veterano local em 5000 a 6000 pacientes masculinos. O estudo mostrou maior risco de glaucoma para os que já eram portadores de hipotireoidismo ou hipertireoidismo em comparação ao grupo controle.

Em pesquisa mais recente e publicada em 2008, 12.376 participantes do National Health Interview 2002 foram perguntados se já houve comunicação a respeito de problemas em suas tireóides. A prevalência de glaucoma foi de 40% maior naqueles que relataram alterações no seu metabolismo. O resultado foi uma proporção de 11.9% dos que não possuíam eutireoidismo tinham glaucoma, um aumento de 4.6 percentuais da seqüela no olho.

Uma grande pesquisa envolveu Estados Unidos, Austrália, Japão e Europa para investigar disfunções cárdiometabólicas consequente das alterações T3 ou T4. Foi publicada em edições on-line, impressa na revista Journal of the Americal Medical Association (JAMA). A parte brasileira do estudo foi apresentada no congresso em Paris com artigo publicado no European Journal of Endocrinology por José Augusto Sgarbi, Maciel, Tereza Sayokokasamatsu, Luisa Matsumura , Sandra Roberta Gouvea Ferreira, da Universidade Federal de Marília, Unifesp e USP com grande repercussão principalmente por já haver estudos controversos a respeito, mas nunca realizados em larga escala. Mais de 1110 brasileiros – japoneses acima de 30 anos e livres da doença tireóide e sem tomar medicação foram investigados pelo metabolismo doença tireóide subclínica e sua relação com problemas cardiovasculares. Em sete anos de pesquisas, houve estreita ligação entre a mortalidade por doenças cardiovasculares e o hipertireoidismo subclínico.

Tumores também acometem essa glândula, como indica levantamento Instituto Nacional de Câncer dos Estados Unidos. O tipo mais comum de tumor de tireóide também é cada vez mais prevalente no Brasil, os nódulos benignos. Há um aumento na incidência nos tumores de tiróide, e chega a 63% da população e com acometimento predominante entre as mulheres; 90% dos nódulos são benignos.

E como diagnosticar os cânceres e as alterações, sabendo que já existem casos específicos para quem tem disfunção tireóide? A baixa dosagem TSH sérico colhido no sangue indica presença de nódulo funcionante. Os especialistas devem prestar atenção aos tumores maiores que 1 cm, ou àqueles menores cujos pacientes apresentam histórico de irradiação cabeça e pescoço ou de câncer tiróide na família. A identificação do nódulo com sua forma, tamanho, etc. pode ser realizado pelo ultrassom ou pelas tireoglobulinas, presentres no mercado diagnóstico e cada vez mais sensíveis. Exames importantes para o diagnóstico diferencial destacam-se a punção biópsia com agulha fina, segundo Ana Luiza Maia, Mario Vaisman, Lea Z. Maciel e Laura S. Ward.

As mulheres estão na mira quando se fala de tiróide porque são mais propensas às alterações. Existem também as disfunções tireóide gestacionais, que são transmitidas ao feto e causam anomalias no desenvolvimento do bebê.

Leia mais o que saiu nas pesquisas:

Fontes: Disponível Aqui

diariodocohatrac. Disponível Aqui 

cataractoutsourcing. Disponível Aqui

tireoide. Disponível Aqui 

tireoide. Disponível Aqui

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clicrbs. Disponível Aqui

correiobraziliense. Disponível Aqui

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Redação Portal do Envelhecimento

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