A prestação de cuidados pelos avós na Europa

O estudo A prestação de cuidados pelos avós na Europa faz uma análise comparativa sobre as políticas familiares e a sua influência no papel dos avós enquanto prestadores de cuidados infantis, em vários países europeus. Revela que, em toda a Europa, os avós – as avós em particular – desempenham um papel fundamental na prestação de cuidados intensivos e ocasionais aos seus netos.

 

 

a-prestacao-de-cuidados-pelos-avos-na-europaMais de 40% dos avós dos 11 países europeus estudados prestam cuidados aos netos sem a presença dos pais da criança.

O estudo A prestação de cuidados pelos avós na Europa faz uma análise comparativa sobre as políticas familiares e a sua influência no papel dos avós enquanto prestadores de cuidados infantis, em vários países europeus. Foi baseado no SHARE (Survey of Health, Ageing and Retirement in Europe – inquérito sobre saúde, envelhecimento e reforma na Europa), no ELSA (the English Longitudinal Study of Ageing – inquérito sobre o envelhecimento da população na Inglaterra), em censos e outras fontes de informação. Dados que são acrescentados a informações mapeadas referentes às políticas para pais e avós em matéria de licenças e trabalho flexível, ao apoio prestado às famílias pelo Estado na forma de acolhimento de crianças e de prestações familiares, às políticas em matéria de aposentadorias e de cuidados prestados a adultos e às culturas e estruturas ao nível do mercado de trabalho, do acolhimento de crianças e familiares.

Financiado integralmente pela Fundação Calouste Gulbenkian, o estudo foi realizado na Áustria, Bélgica, Dinamarca, França, Alemanha, Grécia, Itália, Holanda, Espanha, Suécia, Suíça, Portugal, Espanha Itália e Roménia e abordou as seguintes questões:

a) Quais as variações nas formas de vida dos avós ao nível de cada país, e entre vários países europeus, e que alterações sofreram ao longo do tempo?

b) De que forma as características dos avós variam em toda a Europa em termos de idade, formas de vida, estatuto socioeconómico, grau de instrução, estado civil, participação a nível de empregos remunerados, estatuto de aposentação e de saúde?

c) Como é que o nível de envolvimento dos avós com os seus netos varia em toda a Europa em termos de contacto, auxílio e prestação de cuidados? Que características dos avós ajudam a explicar a diversidade de contextos?

d) Em que é que as políticas familiares variam e de que forma estas variações nas políticas estão relacionadas com a diversidade observada nos níveis de envolvimento dos avós com os seus netos?

O estudo revela que mais de 40% dos avós dos países europeus analisados prestam cuidados aos netos sem a presença dos pais, sendo que os países do sul da Europa – Portugal, Espanha, Itália e Roménia – são os que apresentam uma maior percentagem de avós cuidando de netos em tempo integral. Os autores concluem que esta tendência se relaciona com a falta de creches e berçários a preços acessíveis, as limitadas prestações sociais pagas aos pais, e as poucas oportunidades que as mães têm para trabalhar em tempo parcial.

a-prestacao-de-cuidados-pelos-avos-na-europaO documento síntese deste estudo, relata que “As avós mais jovens, que se encontram em boa forma física, são saudáveis e têm netos mais novos, são as que apresentam maiores probabilidades de prestar cuidados aos seus netos; contudo, são simultaneamente as mesmas mulheres que os Governos de toda a Europa pretendem incentivar a manter empregos remunerados durante mais tempo, de forma a desenvolver as economias nacionais e fundos de pensões, assistência social e outros serviços de segurança social numa fase posterior da vida”.

O estudo constata ainda que o papel vital dos avós é, no entanto,“invisível, na prestação de cuidados infantis, seja de forma intensiva, regular ou ocasional”. Assinala que esse trabalho “pode colidir com as suas capacidades de autofinanciamento da sua velhice, sobretudo porque as prestações de viuvez, tanto ao nível dos regimes de pensões estatais como das entidades patronais, estão em declínio. O risco é uma lacuna emergente na prestação de cuidados à medida que as mulheres de mais idade se mantêm profissionais por mais tempo e se tornam menos disponíveis para prestar cuidados infantis, o que afeta adversamente a participação das mães no mercado de trabalho.”

O estudo também assinalou que, em toda a Europa, “as avós são mais pobres do que os avôs o que reflete, em parte, o facto de as avós terem tendencialmente mais idade e de apresentarem maiores probabilidades de serem viúvas do que os avôs”.

Acesse à síntese do estudo “A prestação de cuidados pelos avós na Europa” Aqui 

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Redação Portal do Envelhecimento

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