Presente e Futuro no caminho da acessibilidade

Tempo de Leitura: 7 minutos

Em setembro de 2009, em Verona, Itália, aconteceu a feira de Design de Interiores e Mobiliário – Abitare il Tempo (Habitar o Tempo) que serviu como pano de fundo a debates como economia de energia, sustentabilidade e nomadismo. Nos projetos expostos a intenção foi integrar o morador ao ambiente, representando uma ponte entre o presente e o futuro.

Ana Cristina Satiro de Souza

 

Palavras corriqueiramente usadas atualmente percorreram o início do texto: habitar, morador, ambiente, presente e futuro. Entretanto notou-se a ausência de uma: ENVELHECIMENTO. Torna-se cada vez mais necessário e porque não dizer urgente pensar em todas as questões ligadas a habitação somada à realidade demográfica do mundo que envelhece e que é uma das maiores certezas do futuro. A arquitetura deve se preparar para aumento da quantidade de idosos nos próximos anos.

Nesta mesma matéria o arquiteto italiano Simone Micheli, diz que as alterações de comportamento são seu principal estímulo1. Assim ele caminha nos pensamentos de sustentabilidade e ecologia, contudo é fato que o ser humano é repleto de alterações de comportamento e de novas necessidades ao longo da vida que refletem, necessariamente, no ambiente como o processo de envelhecimento. Subir uma escada de dez andares aos 20 ou aos 60 anos de idade causa sensações bem diferentes.

Enquanto isso, na zona oeste de São Paulo foi lançado pelo Grupo NACE – Núcleo de Ações Comunitárias Especiais- em parceria com a Sbot – Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia, a “Casa do Futuro” cuja proposta é ser um modelo de residência acessível que incorpora todos os conceitos da entidade afim de evitar acidentes de idosos em casa diminuindo a alta incidência de fraturas por queda dentro da própria casa como constatada através de uma pesquisarealizada pela Sbot, onde o banheiro foi apontado como o cômodo de maior risco .

A casa situada no Asilo São Vicente de Paula, foi reformada levando-se em consideração premissas como cores contrastantes para facilitar a visualização das barras de segurança, móveis com quinas arredondadas, piso antiderrapante, portas largas -para facilitar a passagem de cadeiras de rodas- e camas mais altas2. Vários detalhes construtivos e de acabamento foram aplicados conforme orientações técnicas de normas e leis de acessibilidade.

A Instituição São Vicente de Paula disponibiliza casas como esta que foi reformada, para idosos independentes, com autonomia nas atividades da vida diária e instrumental, ou seja, dentro do quadro de envelhecimento saudável. A proposta desta reforma foi motivada pelo desejo de prolongar este estado o maior tempo possível. Para tanto, foram tomadas medidas de segurança como iluminação nos degraus da escada de acesso ao interior do imóvel (foto acima).

Questões de envelhecimento e acessibilidade são confundidas a todo instante. As características construtivas para o idoso não são, necessariamente, iguais as implicadas em um ambiente para uma pessoa em cadeira de rodas.

No banheiro, da foto acima, observamos pontos favoráveis ao usuário idoso como a área do chuveiro sem desnível no piso e portas de Box de vidro, que evita ferimentos em caso de queda além de possibilitar o recebimento de auxilio durante o banho. Esta área atende tanto a necessidade do cadeirante como do idoso. Porém, a altura do vaso sanitário é especificamente indicada para o cadeirante, conforme a recomendada na norma NBR 9050 da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) para a manobra de transferência e não para o idoso, pois lhe traz desconforto e risco de queda no uso.

O ambiente construído deve trabalhar como elemento facilitador na tarefa de atendermos as nossas necessidades diárias. Segundo a empresária Cláudia Valente, em entrevista ao Jornal O Estado de São Paulo; “A casa tem que ser um lugar de conforto, deve diminuir a sensação de limitação que a idade traz.” E são muitas as sensações, mas ao aplicar a teoria do Desenho Universal ou “design para todos”, o projetista pode amenizá-las.

Baseada nesse conceito a arquitetura reconhece, respeita e responde às diferenças sendoaplicável ou comum a todos os propósitos, condições e situações afim de, garantir a qualquer pessoa o uso de edifícios, objetos ou do meio em que vive considerando suas possíveis perdas funcionais e a vasta diversidade e necessidades humana.

Arquitetos e designers deverão como na feira em Verona e na “Casa do Futuro”, estar mais atentos às particularidades que o ser humano apresenta a cada dia como a diversidade de formas, tamanhos, modo e capacidade de locomoção e principalmente suas necessidades para, desta forma e sob um novo olhar, criar soluções que atendam a todos. É preciso, então, reconhecer o envelhecimento como matéria da arquitetura e do design para termos mais acessibilidade ao mobiliário e ao ambiente construído.

Em setembro de 2009, em Verona, Itália, aconteceu a feira de Design de Interiores e Mobiliário – Abitare il Tempo (Habitar o Tempo) que serviu como pano de fundo a debates como economia de energia, sustentabilidade e nomadismo. Nos projetos expostos a intenção foi integrar o morador ao ambiente, representando uma ponte entre o presente e o futuro .

Palavras corriqueiramente usadas atualmente percorreram o início do texto: habitar, morador, ambiente, presente e futuro. Entretanto notou-se a ausência de uma: ENVELHECIMENTO. Torna-se cada vez mais necessário e porque não dizer urgente pensar em todas as questões ligadas a habitação somada à realidade demográfica do mundo que envelhece e que é uma das maiores certezas do futuro. A arquitetura deve se preparar para aumento da quantidade de idosos nos próximos anos.

Nesta mesma matéria o arquiteto italiano Simone Micheli, diz que as alterações de comportamento são seu principal estímulo1. Assim ele caminha nos pensamentos de sustentabilidade e ecologia, contudo é fato que o ser humano é repleto de alterações de comportamento e de novas necessidades ao longo da vida que refletem, necessariamente, no ambiente como o processo de envelhecimento. Subir uma escada de dez andares aos 20 ou aos 60 anos de idade causa sensações bem diferentes.

Enquanto isso, na zona oeste de São Paulo foi lançado pelo Grupo NACE – Núcleo de Ações Comunitárias Especiais- em parceria com a Sbot – Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia, a “Casa do Futuro” cuja proposta é ser um modelo de residência acessível que incorpora todos os conceitos da entidade afim de evitar acidentes de idosos em casa diminuindo a alta incidência de fraturas por queda dentro da própria casa como constatada através de uma pesquisarealizada pela Sbot, onde o banheiro foi apontado como o cômodo de maior risco .

A casa situada no Asilo São Vicente de Paula, foi reformada levando-se em consideração premissas como cores contrastantes para facilitar a visualização das barras de segurança, móveis com quinas arredondadas, piso antiderrapante, portas largas -para facilitar a passagem de cadeiras de rodas- e camas mais altas2. Vários detalhes construtivos e de acabamento foram aplicados conforme orientações técnicas de normas e leis de acessibilidade.

A Instituição São Vicente de Paula disponibiliza casas como esta que foi reformada, para idosos independentes, com autonomia nas atividades da vida diária e instrumental, ou seja, dentro do quadro de envelhecimento saudável. A proposta desta reforma foi motivada pelo desejo de prolongar este estado o maior tempo possível. Para tanto, foram tomadas medidas de segurança como iluminação nos degraus da escada de acesso ao interior do imóvel (foto acima).

Questões de envelhecimento e acessibilidade são confundidas a todo instante. As características construtivas para o idoso não são, necessariamente, iguais as implicadas em um ambiente para uma pessoa em cadeira de rodas.

No banheiro, da foto acima, observamos pontos favoráveis ao usuário idoso como a área do chuveiro sem desnível no piso e portas de Box de vidro, que evita ferimentos em caso de queda além de possibilitar o recebimento de auxilio durante o banho. Esta área atende tanto a necessidade do cadeirante como do idoso. Porém, a altura do vaso sanitário é especificamente indicada para o cadeirante, conforme a recomendada na norma NBR 9050 da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) para a manobra de transferência e não para o idoso, pois lhe traz desconforto e risco de queda no uso.

O ambiente construído deve trabalhar como elemento facilitador na tarefa de atendermos as nossas necessidades diárias. Segundo a empresária Cláudia Valente, em entrevista ao Jornal O Estado de São Paulo; “A casa tem que ser um lugar de conforto, deve diminuir a sensação de limitação que a idade traz.” E são muitas as sensações, mas ao aplicar a teoria do Desenho Universal ou “design para todos”, o projetista pode amenizá-las.

Baseada nesse conceito a arquitetura reconhece, respeita e responde às diferenças sendoaplicável ou comum a todos os propósitos, condições e situações afim de, garantir a qualquer pessoa o uso de edifícios, objetos ou do meio em que vive considerando suas possíveis perdas funcionais e a vasta diversidade e necessidades humana.

Arquitetos e designers deverão como na feira em Verona e na “Casa do Futuro”, estar mais atentos às particularidades que o ser humano apresenta a cada dia como a diversidade de formas, tamanhos, modo e capacidade de locomoção e principalmente suas necessidades para, desta forma e sob um novo olhar, criar soluções que atendam a todos. É preciso, então, reconhecer o envelhecimento como matéria da arquitetura e do design para termos mais acessibilidade ao mobiliário e ao ambiente construído.

Referências

Jornal “O Estado de São Paulo”, Caderno Especial de Domingo – CASA&. Matéria: Mudança de Hábito. Data: 06 de dezembro de 2009. Ano 6; nº 269; págs. 06-12, Caderno Vida. Matéria: Casa adaptada para idosos previne quedas que podem ser fatais. Data: 15 de novembro de 2009; pág. A26.

Folha “On Line” – Entidade cria “Casa do Futuro” para prevenir acidentes com idosos. Reportagem do Jornal Folha de São Paulo. Data: 11 de dezembro de 2009. Disponível Aqui

NBR 9050 – Acesse Aqui

Ana Cristina Satiro de Souza – Arquiteta e Gerontóloga. Faz parte da equipe do Projeto “Condomínio Amigo”, da ONG Observatório da Longevidade Humana e Envelhecimento (OLHE). E-mail:ana_satiro@hotmail.com

Jornal “O Estado de S.Paulo”, Caderno Especial de Domingo – CASA&. Matéria: Mudança de Hábito. Data: 06 de dezembro de 2009. Ano 6; nº 269; págs. 06-12.

Folha “On Line” – Entidade cria “Casa do Futuro” para prevenir acidentes com idosos.Reportagem do Jornal Folha de São Paulo. Data: 11 de dezembro de 2009. Disponível Aqui 

Jornal “O Estado de São Paulo”, Caderno Vida&. Matéria: Casa adaptada para idosos previne quedas que podem ser fatais.Data: 15 de novembro de 2009; pág. A26.

Consultar: Acesse Aqui

 

Portal do Envelhecimento

Portal do Envelhecimento

Redação Portal do Envelhecimento

portal-do-envelhecimento escreveu 2697 postsVeja todos os posts de portal-do-envelhecimento