Poesia em tempo de pandemia

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O projeto aborda a relação entre poesia e saúde emocional, associada a arte que floresce em tempos de distanciamento social de 23 pessoas idosas. Após encontros virtuais, grupo lançou livro que está acessível na internet.

Leides Barroso Azevedo Moura e Maria Weila Coêlho Almeida (*)


A pandemia cresce
A gente fenece…
O governo aproveita
Pra mamar na teta
E o povo?
Ah, esquece…!
(Antônia Aparecida Nonato, 71 anos)


O presente projeto pretende construir uma ambiência poética para conduzir os ateliês de conversas e reflexões sobre a vida. Os ateliês irão proporcionar um espaço para que as pessoas idosas se apresentem e se representem, uma oportunidade para escritas criativas sobre pessoas, objetos, cenas e imagens que encantam, desencantam e são capturadas em extratos poéticos. Um laboratório de captação de memórias e registro de histórias que potencializam felicidade e alimentam a alma neste cenário de distanciamento social.

Introduziremos a ideia da poesia como um diário de navegação da vida, a fim de oferecer caminhos para que as pessoas leiam e interpretem seus próprios corações na jornada da existência humana.

Dentre tantas possibilidades de escrita criativa escolhemos a poesia, pois ela expressa a celebração da vida, as emoções de ser pessoa idosa neste momento histórico que o mundo enfrenta e representa a potência de restauração das forças do interior que nos habitam. Os extratos poéticos registram a história do coração de pessoas engajadas e protagonistas da lida na cidade.

O projeto se baseia no argumento de que a poesia resgata as memórias que podem trazer esperança para o viver, um viver esperançado. “Dar vida ao passado” (Febvre) é viver o presente com esperança no futuro.

O projeto aborda a relação entre poesia e saúde emocional, associada a arte que floresce em tempos de distanciamento social de pessoas idosas. O extrato poético será compreendido como uma síntese da vida em tempo de pandemia, uma vez que está ligado tanto à dimensão simbólica da vida na perspectiva de um grupo considerado “de risco”, mas também da vida que exala vigor e resiliência que urgem ser capturadas na perspectiva cotidiana da existência.

A arte apresenta-se como “poder curativo” e a poesia como a linguagem que nos permite transitar entre as margens do sofrimento e da esperança. É num mundo marcado pelo sofrimento e o silêncio de tantos, pela solidariedade e o afeto de outros, nos testemunhos, e nas histórias que revelam a cultura virulenta do geísmo e dos esquecimentos.

Serviço
Livro: Longevidade & Poesias de almas nada vazias
Organizadores: Leides Barroso Azevedo Moura e Maria Weila Coêlho Almeida – UnB e Sesc-DF/ Universidade de Brasília e Sesc-DF
Ano: 2020
Páginas: 163
Link: https://drive.google.com/file/d/17txPhbRBBHKnCjVQXwv3L3SiSgyQkuu8/view

(*) Leides Barroso Azevedo Moura é enfermeira e professora do Departamento de Enfermagem da Faculdade de Ciências da Saúde e do Programa de Pós-graduação em Desenvolvimento, Sociedade e Cooperação Internacional – CEAM da Universidade de Brasília. Doutora em Ciências da Saúde. Contato: [email protected] e Maria Weila Coêlho Almeida é Assistente Social do Sesc/DF e mestranda do Programa de Pósgraduação em Desenvolvimento, Sociedade e Cooperação Internacional – CEAM da Universidade de Brasília. Contato: [email protected]


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