Plug and Care, acolhendo cuidadores

Plataforma online criada para acolher e apoiar os familiares cuidadores de idosos foi lançada em São Paulo recentemente.

Por Cristiane Pomeranz (*)

 

O lançamento Plug and Care, plataforma online criada para acolher e apoiar os familiares cuidadores de idosos foi realizado na Unibes Cultural no dia 21 de maio, na cidade de São Paulo, uma noite fria, mas repleta de profissionais que trabalham com as diversas velhices existentes.

O gerontólogo e um dos fundadores, Alexandre Pereira abriu o evento com uma fala sensível e tocante para em seguida dar vez a Monica Perracini, fisioterapeuta e sócia fundadora da Plug and Care. Monica nos falou sobre o encantamento que temas ligados ao envelhecimento despertam. Uma área que não para de crescer no Brasil e que merece ser vista com cautela e profissionalismo.

Perracini nos confidencia sobre a influência de seu pai, um dos primeiros médicos geriatras do país, que a ensinou e a influenciou sobre o tema. O cuidar sempre esteve presente em sua vida e o olhar sobre a velhice sempre fez parte de seu viver. Acolher e ajudar as famílias era o que seu pai sempre fez como profissional e é o objetivo da Plug and Care . Foi seu pai quem lhe mostrou a fundamental importância de acolher os familiares dos idosos.

Depois foi a vez da geriatra Carla Giacomim, que falou sobre os desafios dos cuidadores familiares de idosos. Ao mostrar uma foto de uma mãe com seu bebê ela pergunta ao público o que pensávamos sobre a imagem dizendo, ao final, que ninguém sequer pensou: “acabou de nascer um velho”, afinal, velho todos seremos se vivermos. Por isso a necessidade de cuidados nos acompanha ao longo da vida. Ora cuidamos, ora somos cuidados. E neste vem e vai quem irá cuidar de nós? A plateia foi estimulada a pensar sobre o assunto já que envelhecer demanda cuidado e é essencial enfrentarmos os preconceitos contra a velhice em todos os seus disfarces.

Nós estamos gestando as nossas velhices e precisamos conversar sobre isso. A educação é a saída e construir solidariedade nas famílias e na sociedade é uma necessidade.

Em seguida, Naira Dutra Lemos, Regina Oliveira, Sandra Gomes, Sofia Pavarini e Monica Perracini, debateram sobre os cuidados das pessoas idosas nas famílias.

Cuidar, para Monica, é estar preparado e comprometido com o viver do outro. Como a pessoa se torna um cuidador familiar? Pergunta ela. O cuidador precisa de uma rede de apoio. Segundo Naira, na maioria das vezes a pessoa vira cuidador não por escolha mas pelas circunstâncias. Regina Oliveira é cuidadora do sogro.

Sandra Gomes relata como as políticas públicas têm pensado sobre o cuidado. Diz que as políticas públicas não estão preparadas para acolher essas mulheres cuidadoras que cuidam além da profissão e da família. É preciso que haja movimentos e espaços para fazer valer os direitos que aparecem no Estatuto do Idoso que fala em “Zelar”. Como cuidar e continuar no mercado de trabalho? O governo precisa fazer a sua parte, zelar e virar essa história, pontua Sandra, que acrescenta: “o poder não está na política pública, está no povo, nos idosos e familiares. Eles precisam conhecer seus direitos. Educação é a chave. Conhecer o Estatuto”.

Para Naira Lemos, não se olha mais para o cuidador.

Enfim, apoio emocional para o cuidador; como lidar com o cuidar sem abandonar a própria vida; se sentir só e tomar decisões sobre o cuidar; o estresse do cuidador; a demência; a invisibilidade do cuidador, entre outros, foram também tópicos abordados durante o debate.

Por fim, antes da apresentação da plataforma feita por Monica Tomomitsu, que mostrou as novidades que os cuidadores poderão encontrar na Plug and Care, Willians Fiori foi convidado a falar do mercado das velhices, tendências e inovações no Brasil e no mundo. Segundo ele, muitos profissionais aventuram-se na área do envelhecimento sem nenhum conhecimento do tema, apenas para surfar na Mara. É preciso pensar o Envelhecimento com seriedade e paixão, assinala.

De acordo com Fiori, 1/3 dos idosos no Brasil tem dificuldades. Onde procurar ajuda? Ele fala sobre os dois tipos de idosos: dos idosos saborosos, cremosos e tatuados representados por alguns ou idosos doentes. Para ele, é “lamentável este olhar tão pequeno para algo tão imenso e heterogêneo como as velhices contemporâneas.

Enfim, a Plug and Care é uma maneira de pensar no mercado, nos produtos, e serviços ligados ao cuidador de idosos, pois cuidar é assunto sério.

(*) Texto e Fotos. Cristiane Pomeranz é arteterapeuta, entusiasta da vida e da arte, e mestre em Gerontologia Social pela PUC-SP. Idealizadora do Faça Memórias em Casa que propõe o contato com a História da Arte para tornar digna as velhices com problemas de esquecimento. www.facamemoriasemcasa.com.br. Também é a coordenadora do Blog “Poética da Velhice” dentro do Portal do Envelhecimento.  E-mail: crispomeranz@gmail.com.

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