Planejar a moradia para reduzir os impactos das temperaturas

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É importante planejar a moradia na velhice para reduzir os impactos das temperaturas extremas, pois parte das questões de segurança têm a ver com o comportamento adotado para enfrentar as mudanças do clima.


O Brasil tem clima tropical, mas apresenta variações bastante significativas nos últimos tempos, tal como em outras regiões do mundo. Neste ano de 2022, já são vistos desastres importantes com enchentes em alguns estados da federação e falta de águas em outros, acarretando perdas econômicas e muitos riscos contra a vida. Com umidade variável, temperaturas de mais de 40ºC no verão e abaixo de 0ºC no inverno, os cuidados com a higiene da habitação dependem de soluções que equilibrem a equação formada por ventilação, insolação e controle de temperatura, resultando em conforto ambiental adequado às atividades humanas.

A Covid-19 potencializou os cuidados com a manutenção da residência, além de exigir novos hábitos de limpeza pessoal e de objetos vindos de lugares com muita movimentação de pessoas. Algumas recomendações feitas inicialmente já foram revistas, a partir dos estudos para compreender a dinâmica do vírus e as formas de contágio. Mas o que permanece fortemente é a necessidade de ventilação dos ambientes, com trocas de ar que movimentam quaisquer possibilidades de gotículas de saliva contaminantes. Portanto, aberturas que permitam a circulação do ar são imprescindíveis, o que sugere atenção para sistemas de fechamento com cortinas e outros dispositivos que permitam facilitar esses procedimentos. 

Foto de zhang kaiyv/Pexels

Neste mês de janeiro, experimentamos temperaturas difíceis de suportar apenas com a ventilação natural e, portanto, foram necessários dispositivos eletromecânicos para o condicionamento do ar. Ventiladores nem sempre têm a potência necessária para reduzir o calor, além de serem barulhentos e, se mal colocados, pouco eficientes. Os modelos de teto ou parede em geral provocam melhor circulação do ar quente, que sempre se acumula na parte mais alta do ambiente, criando uma troca mais produtiva. Porém, o vento direto no corpo, especialmente em idosos que apresentam temperaturas corporais mais baixas, acabam por criar desconfortos, resolvendo um problema e criando outro.

Os sistemas de ar condicionado por Split criam uma temperatura uniforme no ambiente, podendo ser controlada para a necessidade de cada pessoa. Oferecem condições de higiene melhor do que os antigos aparelhos de parede, que precisavam de manutenção frequente para evitar a proliferação de ácaros, além de serem colocados muitas vezes em alturas que não resolviam a necessidade de resfriamento no verão e aquecimento no inverno. Também são mais silenciosos, mas ainda devem ser equacionados para que o impacto de transitar de um ambiente condicionado para outro na temperatura natural não causem impactos que provoquem sensações desagradáveis.

É importante planejar a moradia na velhice para reduzir os impactos das temperaturas extremas, pois parte das questões de segurança têm a ver com o comportamento adotado para enfrentar as mudanças do clima. Então, janelas bem posicionadas, aberturas com bom funcionamento e sem coberturas que dificultem a circulação do ar, são quesitos importantes para a higiene dos ambientes e o bem-estar dos moradores.

Foto destaque de cottonbro/Pexels


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Maria Luisa Trindade Bestetti

Arquiteta e professora na graduação e no mestrado da Gerontologia da USP, tem mestrado e doutorado pela FAU USP, com pós-doutorado pela Universidade de Lisboa. Pesquisa sobre alternativas de moradia na velhice e acredita que novos modelos surgirão pelas mãos de profissionais que estudam a fundo as questões da Gerontologia Ambiental. https://sermodular.com.br/. E-mal: [email protected]

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