Pesquisas com produtos naturais para tratamentos contra o câncer aumentam no país

Nunca se investigou tanto os produtos naturais como acontece hoje, principalmente o potencial deles na terapia contra o câncer. Entretanto os estudos apontam para um cuidado: é necessário também analisar seus efeitos sobre as células saudáveis, pois se o foco se mantiver apenas nas células tumorais, terão o mesmo problema dos efeitos adversos dos tratamentos convencionais, alerta o chefe do Laboratório de Neuroendocrinologia do Instituto de Ciências Biológicas da Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa), Anderson Manoel Herculano, na Reunião Regional da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), em Oriximiná (PA).

 

 

pesquisas-com-produtos-naturais-para-tratamentos-contra-o-cancer-aumentam-no-paisSegundo Herculano, em matéria publicada no “Jornal Ciência”, predominam os cânceres de próstata, no caso dos homens, e de mama e colo de útero, no caso das mulheres. Os índices são alarmantes. As projeções do Ministério da Saúde indicam que, este ano, 323 mil casos de câncer devem ser diagnosticados no País. O Pará registra o maior índice de câncer gástrico do Brasil. “Muitos atribuem o fato ao hábito alimentar na região”, comentou. Por outro lado, o estado tem toda a floresta amazônica para explorar os potenciais da biodiversidade para encontrar tratamentos alternativos para a doença.

O especialista aponta que “substâncias com alto teor de vitamina C e antioxidantes estão mostrando alto potencial terapêutico, mas é importante fazer estudos para avaliar potencial risco desses produtos naturais também em células normais”.

A questão é que os tratamentos existentes atualmente afetam as células saudáveis, gerando muitos efeitos colaterais. Muitas pesquisas sobre produtos naturais repetem o problema: focam apenas a ação nas células tumorais quando o ideal, para o pesquisador, é que os produtos naturais em estudo sejam realmente uma alternativa para as drogas já existentes, superando os efeitos adversos observados nos tratamentos atuais.

Câncer: células “desprogramadas”

Herculano explica como se dá o processo de formação de neoplasia: O câncer é o crescimento desordenado e descontrolado de uma linhagem celular particular – em geral uma linhagem que não deveria estar se duplicando. As células são programadas geneticamente para morrer, processo chamado de senescência celular. Uma célula neoplásica é aquela que perdeu sua capacidade de controlar o processo de morte celular e o número de divisões. As células neoplásicas vivem mais tempo do que deveriam viver no tecido e, ao apresentar total descontrole da divisão celular, formam as massas de tecido. O grau de severidade do tumor está associado a esse descontrole e formação. “Dependendo da situação, essa massa celular começa a comprometer a homeostasia (conjunto de processos de autorregularão de um organismo cujo objetivo é manter uma condição de equilíbrio) de um órgão”, explicou.

Metástase – A metástase ocorre quando células do tecido afetado caem na corrente sanguínea e migram para diferentes partes do organismo. Elas começam a duplicar, crescem mais rapidamente do que as células normais do tecido onde se instalaram, passam a integrar partes desse tecido e afetam o estado de homeostasia do órgão para onde migraram.

O processo de formação – No entendimento do câncer, os pesquisadores precisaram investigar quais fatores regulam a perda da senescência pela célula, ou seja, sua capacidade de controlar o ciclo celular.

Morte celular – Um fenômeno celular importante na senescência é a apoptose, a morte celular programada ou morte silenciosa da célula.

Outro processo de morte celular é a necrose. A célula, nesse caso, morre por causa de uma agressão, que provoca vazamento do conteúdo do citoplasma: “No caso das terapias para tratar o câncer, o tipo de morte que o agente terapêutico vai gerar é muito importante. Se administrar algo que gera necrose na região, a pessoa pode morrer. A droga, para ser eficiente, não pode gerar necrose, mas apoptose”, explicou Herculano.

As terapias de controle e tratamento – quimio e radioterapia – se baseiam em fármacos com capacidade de se intercalar no DNA, se aproveitando do fato de uma célula neoplásica ter grande capacidade de multiplicação. “Quando a célula duplica, ela incorpora o fármaco no DNA. Na incorporação, o metabolismo faz a célula começar a se degradar”, descreveu.

Inconveniente nessa terapia – a divisão a taxas elevadas não é um privilégio da célula neoplásica. Várias outras células saudáveis fazem o mesmo: “Por isso os pacientes em tratamento sofrem com queda de cabelo, por exemplo. As células apropriadas à produção de cabelo se multiplicam rapidamente e incorporam o fármaco”, acrescentou. Ao incorporar o fármaco, as células ligadas à produção de cabelo se degradam, e os cabelos caem.

Daí a importância da investigação dos produtos naturais, conforme defende Herculano: “São fortes candidatos para quimio ou outra terapia”. Os pesquisadores buscam novas drogas com alguns pré-requisitos para que sejam mais vantajosos do que os tratamentos existentes: não podem exercer toxicidade em células normais, do contrário, promove dano generalizado; precisam promover a morte celular por apoptose; não podem gerar necrose nem induzir a eventos genotóxicos, ou seja, não pode provocar alterações no DNA, do contrário pode estar gerando mais chances de neoplasia.

Pesquisa com Algas – Há algum tempo já se investiga o potencial anticancerígeno das algas. Agora os pesquisadores da Universidade de Kiel, na Alemanha “descobrem” as plantas nativas do Mar Báltico. A biotecnóloga, Marion Zenthoefer explica o Projeto: “As algas contêm principalmente polifenóis, carotenoides, polissacarídeos, sulfatos, ácidos graxos ômega-3 e antocianinas. Quando essas substâncias estão na solução, vamos para o laboratório”.

Os efeitos dos extratos das algas são analisados em condições esterilizadas. Sobre uma placa especial, a pesquisadora “semeia” uma cultura de células de câncer pancreático. Depois de um dia, borrifa-se sobre elas uma solução nutritiva, enriquecida com um extrato de algas. Setenta e duas horas mais tarde, Zenthoefer verifica se o crescimento celular se deteve.

Os primeiros resultados parciais acusam sucesso, no entanto, não se sabe exatamente que substâncias interrompem o crescimento das células: essa é a próxima meta de pesquisa da equipe.

Para o biólogo marinho Levent Piker, os progressos são resultado de uma pesquisa consequente. Mas é realmente extraordinário o fato de as experiências funcionarem com as algas castanhas do Mar Báltico: “Até agora, nos concentramos em lugares exóticos – próximos a fontes de água quente e em grande profundidade. E, no entanto, nossas plantas nativas do Mar Báltico têm exatamente a mesma potência!”

Referências

HAJASCH, F. (2012). Algas do Mar Báltico podem auxiliar no tratamento do câncer. Disponível Aqui. Acesso em 05/05/2012.

SIMÕES, J. (2012). Produtos naturais devem superar efeitos colaterais nos tratamentos de câncer. Disponível Aqui. Acesso em 05/05/2012.

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Redação Portal do Envelhecimento

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