Pesquisa feita em 48 hospitais europeus conclui que sobrevida de diabéticos infartados aumenta se níveis de glicose ficam adequados

Manter a taxa de açúcar no sangue dentro dos níveis normais reduz as chances de morte após um infarto. Pesquisa feita em 48 centros hospitalares europeus com 1.253 pacientes com diabetes tipo 2 mostrou que, independentemente do tipo de terapia (insulina ou antidiabéticos orais), o controle do índice glicêmico reduz em quase 25% o risco de morte.

Clúdia Collucci * enviada especial a Munique

 

Doenças cardiovasculares são as principais causas de mortalidade entre os diabéticos, respondendo em média por 70% das mortes nesses pacientes.
O estudo, divulgado no congresso anual da Sociedade Européia para o Estudo de Diabetes, em Munique (Alemanha), reforça uma conduta já adotada por alguns centros de referência no mundo, inclusive no Brasil, mas que está longe de ser uma prática habitual na maioria dos serviços de urgência. Em geral, os médicos primeiro cuidam do coração e depois se preocupam com os índices glicêmicos.
Para Lars Rydém, do departamento de cardiologia do Instituto Karolisnka, de Estocolmo (Suíça), um dos coordenadores da pesquisa, o nível de glicose no sangue é um forte indicador de mortalidade após um infarto do miocárdio e seu controle é fundamental para a sobrevida do paciente.

Grupos

Nesse estudo, os pesquisadores usaram três estratégias de tratamento do diabético infartado: o primeiro grupo recebeu insulina na veia durante a internação na UTI e depois continuou com as aplicações em casa. O segundo também recebeu insulina nos primeiros dias após o infarto e depois seguiu com seu tratamento convencional (insulina ou antidiabéticos orais). O terceiro deveria receber só antidiabéticos orais, mas 48% do grupo precisou também de insulina para manter os índices glicêmicos sob controle.

Após dois anos de acompanhamento desses pacientes, explica Rydém, os cientistas concluíram que, embora a insulina tivesse sido usada na maioria dos pacientes, o tipo de terapia não influenciou nos resultados. “O importante foi o controle glicêmico”, disse.

Para o endocrinologista Freddy Eliaschewitz, do Hospital Israelita Albert Einstein, coordenador médico do Núcleo de Terapia Celular e Molecular da USP, outros estudos mostram que não são só os diabéticos podem se beneficiar com o controle dos níveis de açúcar no sangue em uma situação de emergência médica.

Isso porque, em casos de pacientes infartados sem diabetes ou AVC (acidente vascular cerebral), há uma grande alteração metabólica, com aumento exacerbado na produção de adrenalina e de cortisona, o que causa ações deletérias no coração.

Na opinião do endocrinologista e geriatra Fabio Nasri, do Hospital Israelita Albert Einstein, o problema para os países de Terceiro Mundo é o custo da terapia com insulina. “Além de ser muito cara, é preciso funcionários treinados.”

* A jornalista Cláudia Collucci viajou a Munique a convite do laboratório Aventis

Fonte: Folha de S.Paulo. Data: 09/09/2004

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