Outubro Rosa: “mineirando” com as irmãs gêmeas Celia e Celma

As cantoras gêmeas, Celia e Celma comemoram 50 anos ininterruptos de carreira artística. São 50 anos de música e casos e quase 77 anos de vida. E para celebrar, elas estarão com seu espetáculo no Espaço Cultural ESPM, em São Paulo, no próximo dia 06 de outubro, às 19 horas. Ingressos já estão à venda.


As gerações mais novas provavelmente nunca ouviram falar das cantoras gêmeas univitelinas Celia e Celma, dupla que desde sempre e, profissionalmente, canta junto há 50 anos. As irmãs Casarim Mazzei percorreram várias partes do mundo, inclusive passaram uma temporada no Japão. Elas nasceram em Ubá (MG), onde nasceram e cresceram, mas depois de formadas como professoras, na década de 1960, partiram para o Rio, apesar da resistência da família. Uma casou, há 30 anos. Ambas optaram por não ter filhos, para seguirem a carreira artística.

Naqueles tempos, foram contratadas para o programa de maior sucesso na época que era exibido na TV Rio, o Moacyr Franco Show (1967) e posteriormente na TV Globo, quando seguem no programa (1972). Fizeram parte da Turma da Pesada, grupo musical da Pilantragem, de Carlos Imperial. Nesse mesmo período resolvem prestar vestibular no Instituto Villa Lobos, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (1970), mudando toda a cara da instituição, com seu comportamento à frente do seu tempo. Saíram diplomadas em Licenciatura em Música.

São muitas histórias a serem contadas no show que apresentarão, convidando desde já a entrarmos no túnel do tempo e rememorar bons tempos. Mas antes, vamos à entrevista que realizamos com elas:

Celia e Celma, sabemos que vocês têm muito o que nos contar, poderiam adiantar para os leitores do Portal do Envelhecimento o que fizeram nesses 50 anos juntas?
Fizemos tantas coisas…, apresentamos por 10 anos um programa no Canal Rural, em que recebemos inúmeros artistas desse segmento regional/caipira. Participamos do espetáculo do Ballet Stagium “O Canto da Minha Terra”, sobre a obra de Ary Barroso (1903-1964), conterrâneo nosso e reconhecido internacionalmente. Interpretamos as personagens “Luminada e Luminosa”, nanovela “A História de Ana Raio e Zé Trovão (1990) da TV Manchete. Tantas histórias…

E quais foram os fatos mais marcantes na carreira de vocês?
As conquistas que tivemos, em diferentes ocasiões – e ainda temos. No início da carreira, os grandes musicais nas emissoras de TV, dos quais participávamos. Uma vez fizemos um número com o corpo de baile da TV Globo com a música O Ratinho, que gravamos. A temporada de 6 meses cantando no Japão, em 1975, foi inesquecível, tudo exótico para nossa cultura. Cada livro que lançamos, um deles nos levou até a China, onde ganhamos um prêmio importante; cada CD que gravamos; a novela Ana Raio e Zé Trovão, da qual participamos, enfim, a vida tem sido generosa conosco.

O que a música significa para vocês hoje?
Não conseguimos imaginar nossa vida sem ela…

Por falar em vida, como é para vocês envelhecer? E sendo gêmeas? 
Acreditamos que estamos envelhecendo bem. Sempre agradecemos a Deus por estarmos com as cabeças funcionando, assim como as pernas, os braços, enfim tudo seguindo sem grandes problemas. Neste ano faremos 77 anos, mas não sentimos a idade. Já como gêmeas existe uma coisa curiosa: você não precisa de um espelho para ver os sinais do tempo…rs. Não é agradável essa constatação do envelhecimento, mas faz parte, o jeito é aceitar numa boa.

Qual legado vocês estão deixando para as gerações mais novas?
Procuramos deixar bons produtos para que sirvam como material de consulta para as novas gerações. Somos também educadoras, focadas na cultura popular, e embora seja muito difícil atrair os mais jovens para o tipo de trabalho que fazemos, a gente crê que devemos insistir. Hoje a garotada é seduzida por outra cultura na área musical, com produtos de baixa qualidade.

Como vocês se consideram?
Estamos sempre visitando nossa terrinha mineira, alimentando nossa identidade. Somos pessoas simples, amigas dos amigos, gostamos ainda hoje de pegar jabuticabas no pé. E subimos em galhos bem altos para isso.. rs. Fazemos academia, procuramos nos alimentar de uma forma saudável, cuidamos da saúde e estamos antenadas com a modernidade, sem tirar os pés da tradição.

Falem sobre o show, o que podem adiantar para nós?
Nós vamos lembrar alguns artistas com os quais já dividimos palcos, como Wilson Simonal, na glamorosa noite paulistana dos anos de 1980; Cauby Peixoto, com quem trabalhamos por três anos; tudo isso com acompanhamento musical de Álvaro Couto no acordeom, Adriano Busko na percuteria, Giovanni Matarazzo no violão e viola…

E o “Canto com C”?
Claro, apresentaremos nosso último CD “Canto com C”, que já recebeu quatro pré-indicações ao Grammy Latino, e tem uma capa que é criação de Ziraldo. “Canto com C” é resultado de nossas viagens musicais e inclui ritmos como ciranda, catira, chula, coco, congado, chimarrita, chamamé. Tudo com a letra C onde cada ritmo tem uma história. A maioria delas é fruto de nossa herança cultural vinda de africanos, portugueses e indígenas. É um álbum comemorativo, mas também apresentaremos vídeos e fotos de momentos significativos de nossa carreira, repleta de fatos e personagens marcantes, além de experiências únicas, vividas por nós, mulheres artistas, com uma história rica em conteúdo e acontecimentos inusitados, atravessando tantas décadas. Temos muito o que compartilhar e convidamos todos os leitores do Portal do Envelhecimento a estarem conosco lá.

Serviço

Show MINEIRANDO da dupla Celia e Celma, comemorando os 50anos de carreira das cantoras
Dia: 6/10 às 19 horas
Local: Espaço Cultural ESPM: R. Dr. Álvaro Alvim, 123 – Vl. Mariana – SP
Ingressos: Os ingressos poderão ser adquiridos no Bilheteria Express – https://www.bilheteriaexpress.com.br/teatros-e-casas-de-show/sao-paulo/espaco-cultural-espm.html
Financiamento coletivo: As pessoas também podem ajudar a concretizar escolhendo a recompensa: https://www.kickante.com.br/campanhas/espaco-cultural-espm-show-mineirando


Sobre o Espaço Cultural ESPM
São Paulo ganhou o novo ponto da multicultura, o Espaço Cultural ESPM, na Vila Mariana, local qualificado para as diversas manifestações educativas, culturais e artísticas, com capacidade para 245 espectadores. Parte do lucro da bilheteria é destinada ao Fundo de Bolsas da instituição. O projeto conta com a curadoria e administração (Gestão Cultural) da Kissus Produção & Promoções – uma agência que oferece ao mercado know-how e estrutura para realizar projetos e ações com foco em produção e curadoria de conteúdo, eventos, ativação, criação de projetos customizados (corporativos e culturais), sempre valorizando a arte, educação e cidadania -, em parceria com a ESPM. O palco recebe peças de teatro, shows musicais, StandUps, festivais de música e de filmes e palestras show. A programação cultural ocorre em finais de semana.



Se você é psicólogo(a) e atua ou pretende atuar em Centro-dia, não perca esta oportunidade e faça este minicurso promovido pelo Espaço Longeviver/Portal do Envelhecimento. Inscrições abertas em: https://edicoes.portaldoenvelhecimento.com.br/produto/atuacao-do-psicologo-no-centro-dia/

Beltrina Côrte

Beltrina Côrte

Jornalista, Especialização e Mestrado em Planejamento e Administração do Desenvolvimento Regional, Doutorado e Pós.doc em Ciências da Comunicação pela USP. É docente da PUC-SP. Coordena o grupo de pesquisa Longevidade, Envelhecimento e Comunicação. CEO do Portal do Envelhecimento, Portal Edições e Espaço Longeviver. Integrou o banco de avaliadores do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior – Basis/Inep/MEC até 2018. Integra a Rede Iberoamericana de Psicogerontologia (Redip) e a Red Iberoamericana Interdisciplinar de Investigación en Envejecimiento y Sociedad (RIIIES). E-mail: beltrinac@gmail.com

beltrinacorte escreveu 27 postsVeja todos os posts de beltrinacorte