Os rumos da pesquisa no campo da autobiografia sobre envelhecimento

Considerando que o envelhecimento faz parte da vida e os índices que indicam o acelerado envelhecimento populacional para idades superiores a 90+, podemos afirmar que são esses desafios cotidianos na área, que trazem sempre novas questões, que consideramos os campos de estudos, pesquisa e formação abertos para avanço contínuo sobre este tempo longo de vida – o longeviver. Continuamos a estudar, pesquisar, publicar e a realizar a curadoria de conteúdos que sejam pertinentes a este ‘novo’ mundo que envelhece.

A editora da Revista Longeviver, Vera Brandão, grande colaboradora do Portal do Envelhecimento, desde sua fundação, e também coordenadora pedagógica do Espaço Longeviver foi entrevistada recentemente por Aurea da Silva Pereira e Danise Grangeiro, editoras da edição 9 (1)de 2019, da Pontos de Investigação – Revista de Crítica Cultural, da Universidade do Estado da Bahia, com o título Desafios teórico-metodológicos das narrativas autobiográficas e biográficas: múltiplos letramentos, cotidiano escolar e formação docente. Número que aprofundou temas como as narrativas (auto)biográficas, formação docente e envelhecimento.

Pedimos licença às entrevistadoras e à Vera Brandão para fazermos uma síntese da entrevista que pode ser lida na íntegra aqui[1]:


Aurea da Silva Pereira e Danise Grangeiro (*)

Aurea da Silva Pereira: Sabemos que há mais de uma década vem se dedicando aos estudos sobre envelhecimento no Brasil. Que balanço você faz acerca do que já tem feito e do que pode ser feito?

Vera Brandão: Meu trabalho com idosos teve início em 1994 com o inesperado convite de uma amiga que recém assumira a coordenação de uma UNATI na cidade de São Paulo, um ano após sua implantação. Nunca tinha trabalhado com idosos, ou feito estudos sobre o tema ainda abordado de forma incipiente. As alunas queriam, segundo ela, aulas de Antropologia. Mas, o quê? Ela não sabia. Propus, antes de qualquer iniciativa formal, uma conversa com o grupo. Deste encontro ‘investigativo’ dos saberes do grupo saiu uma proposta construída, de modo conjunto, denominado Memória e Cultura – a partir do resgate das manifestações das ‘culturas’ de um grupo de idosas (entre 50 a 85 anos) – receitas de família, fotos, objetos e tudo o que lembrasse a ‘saga’ familiar. A diversidade do grupo indica a riqueza das experiências vividas e trazidas nos relatos, que eram partilhados em rodas de conversa e, posteriormente, escritos (alguns com ajuda) e se transformavam em ‘cadernos de memórias’ e em momento especial partilhadas com todos os participantes…

Danise Grangeiro: Temos acompanhado as publicações do Portal de Envelhecimento e sabemos que tem uma rede de colaboradores. Sabemos também que você é uma das responsáveis pelo Portal. Qual tem sido o impacto das publicações para a rede de pesquisadores de envelhecimento, sobretudo para a sociedade, para nós que envelhecemos todos os dias?

Vera Brandão: Implantado em 2004, o espaço midiático Portal do Envelhecimento idealizado por nossa colega jornalista Dra. Beltrina Côrte, representa um meio de comunicação democrático, cujo objetivo é a construção de uma rede de solidariedade entre diferentes segmentos sociais, além de pensar nova concepção sobre a velhice em sua complexidade e múltiplas dimensões. No ano de 2005, o Portal do Envelhecimento foi considerado como um Programa Exemplar na 7ª Edição Talentos da Maturidade, promovida pelo Banco Real, reconhecimento que deu importante impulso nesse início de trajetória. Em agosto 2010, como parte de sua natural expansão, implantou-se a Revista Portal de Divulgação [que passou a se chamar Revista Longeviver a partir de janeiro de 2019], da qual sou editora, cujos artigos relacionados à velhice, envelhecimento e longevidade humana, são abordados com rigor, simplicidade e acessíveis ao leitor não especialista. Nessa perspectiva, o Portal do Envelhecimento oferece acesso livre e imediato ao seu conteúdo, seguindo o princípio de disponibilizar gratuitamente o conhecimento sobre o envelhecimento ao público amplo, proporcionando, além de sua maior democratização, a consolidação da cultura da longevidade – com a transferência de informações qualificadas sobre a velhice e o envelhecimento, possibilitando o acesso democrático ao conhecimento. Missão social que tem norteado a produção de conteúdos de credibilidade, tornando-se hoje referência sobre o Longeviver no país. A linha editorial do Portal do Envelhecimento adota os conceitos da Gerontologia Social, cuja perspectiva consiste em mostrar que a vida está acima da doença; que em um corpo doente habita um sujeito; um ser que envelhece e não unicamente um ser que adoece. Notamos que as publicações do Portal do Envelhecimento atualizado diariamente, e os artigos publicados trimestralmente na Revista, impactam o público em geral, em especial idosos e familiares, e surgem como ponto de referência para práticas profissionais, conforme referências em artigos recebidos para avaliação, e em inúmeros trabalhos acadêmicos. Ainda neste ano de 2019 foi apresentada tese de doutorado que tinha como um dos destaques de análise o conteúdo do Portal do Envelhecimento[2]. Ressaltamos que a Revista, no contexto específico, persegue outro importante objetivo – ser meio de educação continuada não formal, na medida em que se engaja na perspectiva atual de abertura de novos espaços de construção de conhecimentos, comunicação e diálogo por meio virtual. Refletindo sobre nosso percurso consideramos que no exercício de seleção de conteúdos para publicação nas páginas do Portal do Envelhecimento e na Revista realizamos uma curadoria de saberes de amplo espectro, seguindo o princípio de que disponibilizar gratuitamente o conhecimento sobre o processo de envelhecimento ao público proporciona, além de sua maior democratização, a consolidação da cultura do longeviver, e a formação continuada de seus leitores – idosos, famílias e profissionais. A criteriosa curadoria de conteúdos se pauta na pertinência, relevância e veracidade de informações, aquelas replicadas, sempre com citação da fonte, ou nos materiais originais enviados por uma grande rede de colaboradores, validado por seus numerosos leitores, como indica o trabalho de doutorado referido.

Aurea da Silva Pereira: Nas suas publicações de livros e artigos, temos observado que tem se apropriado do método autobiográfico, da metodologia da história oral e das discussões teóricas sobre memória para escrever teoricamente sobre memória e envelhecimento. Como avalia os resultados deste trabalho e como tem contribuído para novos estudos?

Vera Brandão: O caminho de construção do aporte teórico e metodológicos do nosso trabalho foi se construindo ao longo da constante inter-relação entre teoria e prática na perspectiva interdisciplinar. Na construção do conhecimento devemos ter sempre como ponto de referência o outro, nosso interlocutor no momento, lembrando que todos têm o que ensinar e todos têm o que aprender a qualquer idade. Assim, a articulação é constante e envolve todo o percurso de formação, que na minha perspectiva, nunca termina. Na base está a experiência de vida pessoal em processo – pois vivo e aprendo a viver diariamente, e minha formação humanística da qual ressalto a Filosofia e a História – como pano de fundo aos relatos orais ou escritos das Histórias de Vida – a Antropologia como conhecimento do humano em seus saberes-fazeres, apreendidos e narrados, a Educação como movimento de interlocução entre todos, na busca do bem comum, base também ancorada na Sociologia que indica a fundamental necessidade do conhecimento da realidade social do ‘chão’ que no qual pisamos como indivíduo e profissionais. A aproximação da área da pesquisa (auto) biográfica veio somar, na medida mesma desta aproximação entes seres e saberes, que busco como foco de vida-trabalho, que não se separam. Lembro que o início do meu trabalho no Portal do Envelhecimento abriu inesperados caminhos para áreas ‘novas’ da Comunicação, Linguagens, Tecnologias e Mídias – as múltiplas linguagens e métodos próprios, e neste percurso chego a escrever meu trabalho final no estágio pós-doutoral, articulando os temas Longevidade, Educação Continuada e Mídias (2014-2015). Considero este um trabalho importante em um momento em que, já idosa, pude ‘mergulhar’ no que penso que sei e sou, e me deu coragem para desvelar uma parte da ‘saga familiar’ até então calada. Assim, é com as bases teóricas e metodológicas construídas no percurso de vida que, entrelaçando docência, pesquisa e extensão, buscamos avançar sempre descobrindo novas possibilidades de inter-relação dos saberes teóricos e as práticas de pesquisa e docência que fazem parte do meu cotidiano. Considerando que o envelhecimento faz parte da vida e os índices que indicam o acelerado envelhecimento populacional para idades superiores a 90+, podemos afirmar que são esses desafios cotidianos na área, que trazem sempre novas questões, que consideramos os campos de estudos, pesquisa e formação abertos para avanço contínuo, visando aprimorar a prática e ampliar o olhar ao panorama sobre este tempo longo de vida – o longeviver – muito além do imaginado há cerca de 30 anos, quando iniciamos nossa jornada na área. Assim, continuamos a estudar, pesquisar, publicar e a realizar a curadoria de conteúdos que sejam pertinentes a este ‘novo’ mundo que envelhece.

Danise Grangeiro: Como o estudo da pesquisa autobiográfica sobre memória e envelhecimento tem oportunizado a pensar nas narrativas de idosos e idosos como dispositivos de aprendizagem de si? Podemos afirmar, a partir desta longa experiência na área, que todo o trabalho autobiográfico é formador. Como já abordado, seja com idosos ou com profissionais as narrativas são, sem dúvida, dispositivos de aprendizagem pessoal. Temos longa experiência direta com idosos, de condições educacionais e socioeconômicas diversas, em diferentes lugares, ou acompanhando as pesquisas realizadas pela equipe do GEM, entre as quais a experiência do cine-debate como meio de resgate das memórias, conforme já abordado.

Vera Brandão: Nos processos de formação continuada dos profissionais, por meio das Oficinas Autobiográficas, a redefinição identitária pessoal e profissional, e a reapropriação e reconhecimento de si, deles decorrentes, foram sempre experiências marcantes. Salientamos que as Oficinas de formação dirigidas aos profissionais foram realizadas em diferentes cidades, em outros estados do país, e em cada espaço tivemos experiências enriquecedoras e exitosas, marcadas pela força dos saberes-fazeres das culturas locais, impossíveis de relatar neste espaço.

Aurea da Silva Pereira: Sabe-se que no Brasil, apesar dos avanços nos estudos sobre envelhecimento, observamos que ainda há muito para avançarmos. Como avalia os novos desafios para estudos que possam de algum modo impactar a sociedade?

Vera Brandão: O panorama do envelhecimento acelerado da população, especialmente no Brasil, é fenômeno que também impacta toda a América Latina e traz alertas importantes: o empobrecimento de todo continente e as consequências para áreas prioritárias à manutenção da saúde e segurança – falta de investimentos no saneamento básico, habitação, saúde e educação, com impacto direto nas políticas públicas de assistência às populações mais carentes, de todas as idades, aliado ao impacto dos fluxos migratório e imigratórios, e a completa falta de horizontes para os jovens – levando a marginalização social e todo seu elenco de descaminhos – tornando o futuro assustador. Um ponto relevante na consideração das possibilidades de viver muito com qualidade de vida deve ser a projeção que fazem as pesquisas sobre os “anos de vida saudável”, ou seja, o número de anos que uma pessoa pode esperar viver sem sofrer de incapacidades; e a “carga de doenças”, também fundamental na elaboração de políticas a este segmento etário. Neste cenário um ponto estratégico, para pensar o futuro da saúde de modo geral, é a redefinição de prioridades na área, e devemos estar alertas para o aumento dos quadros de demência – que duplicaram entre 1990 até 2016 – e que já é considerado no Brasil um problema de saúde pública. Essa constatação deve ser um impulso ao planejamento estratégico, em termos econômicos e sociais, considerando também as diferenças regionais, e nelas as especificidades de cada grupo e de cada indivíduo, em sua individualidade e subjetividade. Os estudos, pesquisas e experiências práticas, nacionais e internacionais, devem ser analisados e articulados em atualidade, pertinência e validade, visando um conhecimento amplo de uma realidade nunca vivida – a longevidade avançada – na aposta de números crescentes de nonagenários e centenários. Um período que simultaneamente amedronta e estimula – um desafio que não é novidade para a espécie humana no seu caminho evolutivo. Muitos são os desafios e vamos aprendendo envelhecer, envelhecendo. O trabalho é para todos – cidadãos e profissionais – que devem experimentar novos modos de viver e longeviver no processo próprio a cada indivíduo vivendo em sociedade. Um momento ímpar na caminhada do homem, com suas questões universais – De onde vim? Para onde vou? Quem sou?

Danise Grangeiro: “Necessitamos de uma linguagem para a experiência, para poder elaborar (com outros) o sentido ou a falta de sentido de nossa experiência” afirma Larrosa (2015). Como as narrativas autobiográficas podem dar sentido a nossa falta de sentido de nossa experiência?

Vera Brandão: A perspectiva dialógica do trabalho que venho realizando seja nas oficinas autobiográficas com idosos, seja na metodologia de formação é um caminho valioso. Conviver é sempre um grande desafio! E o (con) viver entre iguais, como humanos, diferentes, por características e escolhas pessoais, na desigualdade imposta pelo ‘lugar’ que se vive, por escolha ou destino, acrescido do longeviver nos cenários diversos /desiguais que a contemporaneidade nos apresenta. Na área da gerontologia social a educação continuada contempla o exercício de reaprender e refazer, individual e coletivo, se concretiza no movimento da escuta sensível nos grupos – descobrir, construir, aprender e ensinar com e a partir da intersubjetividade que se estabelece pela reflexão, trocas de experiências, análises de casos, entre outras possibilidades que surgem de encontros integrativos. Os projetos de trocas de “saberes-fazeres” são caminhos de descobertas para profissionais e formadores, e as perguntas geradoras de reflexões devem ser lançadas a todos, perspectiva que implica diálogo, parceria e interação de intersubjetividades.

Aurea da Silva Pereira: Objetos de estudo e obras que poderiam contribuir na ampliação dos estudos do envelhecimento

Vera Brandão: Podemos considerar que o estudo sobre o processo de vida é inesgotável porque as mudanças são constantes em todas as áreas do saber. Ao considerar a vida como processo – do nascimento à morte – em sua dinâmica social de movimento-incerteza, com o impacto do constante avanço técnico e científico, em todos os níveis, podemos dizer aos que se iniciam no tema do estudo e pesquisa do processo do envelhecimento humano que as possibilidades são inúmeras. Nunca a vida foi tão longa e, portanto, não temos experiências consolidadas deste fenômeno nunca vivido. Tudo está em construção. Estamos imersos no processo, o que é uma oportunidade para a abertura de novos caminhos dos saberes – necessariamente guiado pela interdisciplinaridade – e um desafio de experimentação constante. Assim, todos os temas são possíveis e promissores ao estudo e pesquisa, sempre dependendo de seu ponto de partida – ciências médicas ou humanas. Mas, como já dito, acreditamos que só a articulação de saberes, em todas as áreas, possa nos aproximar do ‘desconhecido’ do ser no Longeviver. A subjetividade e singularidade de vida e experiências não podem ser descartadas em nome de uma ciência ‘pura’, e que se propõe a ter como ‘objeto’ o outro. Como estudar e pesquisar a vida e seus desafios se deles me afastar? Mesmo com muitos anos de estudo, pesquisa, docência e práticas com diferentes públicos e espaços, não posso dizer – ‘estou pronta’ ou ‘terminei’. Todos os dias novas experiências, leio e aprendo sobre outros temas, e confirmo o célebre aforismo ‘sei que nada sei’. Um dos desafios da docência hoje é indicar uma bibliografia ‘básica’, porque os conceitos são dinâmicos como a própria vida, e logo são ultrapassados. Temos observado na leitura de textos que chegam para avaliação que a bibliografia traz como referências autores importantes conceitualmente, mas não existe o cuidado de uma leitura crítica e atualização daqueles conhecimentos, já ultrapassados, ou que merecem uma análise crítica e/ou uma abordagem em perspectiva – seja porque preconizou e foi base de avanço – pois hoje a eles já se incorporaram novas reflexões. Importante é atenção constante sobre os novos documentos oficiais, nacionais e internacionais, que trazem dados sempre mais atualizados, com perspectivas/abordagens atualizadas sobre os diferentes temas na área do envelhecimento. A pesquisa e leitura devem ser constantes, mas sempre em perspectiva crítica, tendo como panorama a realidade do país no qual se vive e trabalha e suas características socioeconômicas e políticas. Este é um ponto fundamental: o que posso extrair de um ótimo estudo internacional para a realidade no qual estou inserida? Muitas vezes o que se preconiza como ‘ideal’ não condiz com a realidade vivida e, ponto fundamental: não generalizar porque não existem ‘regras’ para viver e longeviver. O profissional – docente e pesquisador- deve ter sempre uma postura de ‘buscador’ e ‘desbravador’ e, importante, saber ler e compreender textos em língua estrangeira. Muitos dos documente oficiais internacionais são apresentados também em português, mas nem sempre. A pesquisa constante em sites indexados e bem referenciados é igualmente uma prática necessária visando à atualização. Ao não apresentar aqui referências bibliográficas não me eximo da responsabilidade, mas busco instigar não só a pesquisa, mas, e principalmente, a leitura crítica do material disponível.

[1] Revista Pontos de Interrogação, v. 9, n. 1, jan.-jun., p. 245-263, 2019.
https://www.revistas.uneb.br/index.php/pontosdeint/issue/view/399

[2] Liesenberger, C. (2019). Sob o signo do tempo: velhice e envelhecimento em perfis de idosos nas mídias. Tese de Doutorado. Escola de Comunicação e Artes – USP. Área – Teoria, Pesquisa e Comunicação.http://www.teses.usp. br/teses/disponiveis/27/27152/tde-16052019-165919/pt-br.php

(*) Aurea da Silva Pereira e Danise Grangeiro – Editoras da Pontos de Interrogação, revista semestral, de acesso aberto, do Programa de Pós-Graduação em Crítica Cultural da Universidade do Estado da Bahia. Situada no campo linguístico-literário, sua meta é produzir, acolher e divulgar produções científicas inéditas de investigadores nacionais e internacionais cujos estudos e conclusões problematizem os objetos e pressupostos tanto da crítica, teoria e historiografia literárias quanto dos estudos culturais, estudos de gênero, estudos pós-coloniais, entre outros.


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