Os gastos das lideranças dos Poderes e seus critérios

Curioso saber que é para quando as lideranças viajarem para seu estado natal, ou andar em um carro de luxo, não ocorrem problemas financeiros e orçamentários. Ou, se ocorrem, são solucionados com uma celeridade que não é repetida quando o problema é o do saneamento básico, que deixa milhões de brasileiros pobres convivendo diuturnamente em meio a fezes, lixo, poluição e doenças…


Como cidadão e contribuinte, fico com uma dúvida: com base em quais critérios as lideranças dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário decidem fazer alguns dos gastos públicos? Pergunto isso porque leio algumas matérias jornalísticas que apontam gastos incompreensíveis em um cenário econômico em que se pede que cada um faça a sua parte para melhorar tal cenário.

Superior Tribunal Militar gasta R$ 100 mil com viagem à Grécia de 3 ministros em férias” diz a matéria[1] assinada pelo jornalista Frederico Vasconcelos, que apontava que “O STM (Superior Tribunal Militar) gastou cerca de R$ 100 mil em passagens e diárias com a viagem de três ministros à Grécia, em julho, durante as férias coletivas. Eles participaram de um seminário de dois dias, em Atenas, promovido pela Associação Internacional das Justiças Militares, uma entidade privada”.

Outra matéria interessante é assinada[2] pelas jornalistas Amanda Almeida e Natália Portinari, que contam um pouco sobre os gastos do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, em suas viagens ao Amapá, durante o período do Carnaval de 2019. O líder do Legislativo federal também foi o líder no ranking desses tipos de gastos, com R$ 72,7 mil ressarcidos com dinheiro público.

Matéria[3] também interessante é aquela assinada pelo colunista Lauro Jardim, que relata que o “dono” da chave do cofre Federal, o ministro da Economia, Paulo Guedes, mandou blindar o carro do Ministério, para uso quando ele estiver no Rio de Janeiro. O bólido é um portentoso veículo da marca BMW, modelo X5, ano 2008. A tabela FIPE[4] aponta que um veículo desse tipo, em média, varia de R$ 65 mil a R$ 99 mil.

É curioso perceber que algumas das lideranças dos Poderes parecem admirar as condições de uma vida nababesca como dinheiro do Erário. Mas quando o assunto é o gasto público, para as pessoas mais pobres do Brasil, a visão não parece ser a mesma. Pelo menos, os resultados práticos acima apontados são bastante diferentes.

Isso porque ao ler a matéria[5] da jornalista Clara Velasco, que apresentou o seguinte cenário: “Quase 60% das obras de infraestrutura paralisadas no país são de saneamento básico, aponta estudo” para na sequência destacar que “As principais razões para as paralisações das obras de saneamento são ‘motivos técnicos’ e ‘abandono pela empresa’. Há ainda problemas financeiros e orçamentários, judiciais, de desapropriação, ambientais, entre outros”. Destaco a existência dos problemas financeiros e orçamentários…

Curioso saber que é para quando as lideranças viajarem para seu estado natal, no período do Carnaval, ou para a capital grega – que deve ser uma belíssima cidade – ou andar em um carro de luxo – que deve ser superconfortável -, não ocorrem problemas financeiros e orçamentários. Ou, se ocorrem, são solucionados com uma celeridade que não é repetida quando o problema é o do saneamento básico, que deixa milhões de brasileiros pobres convivendo diuturnamente em meio a fezes, lixo, poluição e doenças…

E aí eu fico me perguntando como é que grandes líderes nacionais tomam suas decisões para gastar o dinheiro que não é deles, e sim, da população brasileira… com base em quais critérios?


[1] Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/poder/2019/09/superior-tribunal-militar-gasta-r-100-mil-com-viagem-a-grecia-de-3-ministros-em-ferias.shtml
[2] Disponível em: https://oglobo.globo.com/brasil/presidente-do-senado-lidera-gastos-apos-pagar-727-mil-em-roteiro-aereo-pelo-amapa-23567275
[3] Disponível em: https://blogs.oglobo.globo.com/lauro-jardim/post/paulo-guedes-turbina-o-possante.html.
[4] Disponível em: https://www.icarros.com.br/tabela-fipe/bmw/x5. Acesso em: 23/09/219.
[5] Disponível em: https://g1.globo.com/economia/noticia/2019/09/10/quase-60percent-das-obras-de-infraestrutura-paralisadas-no-pais-sao-de-saneamento-basico-aponta-estudo.ghtml.


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Luiz Carlos Betenheuser Júnior

Luiz Carlos Betenheuser Júnior

Graduação em Administração (UFPR); pós-graduação/especialização em Gestão Administrativa e Tributária (PUC-PR). Cursa Pós-graduação Lato Sensu Especialização em Administração Pública pela Escola de Administração Pública (EAP / IMAP). É funcionário público municipal, 25 anos de experiência, sendo dois na área administrativa e os outros 23 anos na área financeira. Tem experiência na área de Administração, com ênfase em Administração Pública, especialmente na área Financeira, na gestão orçamentária (execução, planejamento e controle social). Foi integrante do Conselho Consultivo do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba - IPPUC (2003); do Conselho Municipal de Assistência Social (2013 e 2014); Vice-presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa Idosa de Curitiba (2015) e por duas vezes presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa Idosa de Curitiba (2014 e 2016); integrante do Conselho Municipal de Direitos da Criança e Adolescente de Curitiba (2017). Atualmente é coordenador financeiro das Secretarias de Administração e Recursos Humanos, de Esporte, Lazer e Juventude e Secretaria de Tecnologia e Informação de Curitiba.

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